Enquanto muitas pessoas perguntam se Flávio Bolsonaro (PL) vai acabar com o Bolsa Família, a realidade é outra. O assunto voltou ao debate após uma declaração do senador pré-candidato à Presidência da República. Durante um evento realizado em São Paulo, ele afirmou que pretende manter o programa social, mas com mudanças voltadas à qualificação profissional, geração de renda e acesso ao crédito.
A proposta representa uma mudança no discurso tradicional de parte da direita em relação ao benefício, frequentemente alvo de críticas em governos e campanhas eleitorais. Segundo o parlamentar, o Bolsa Família é um direito já consolidado para milhões de brasileiros.
LEIA TAMBÉM:
- Está procurando trabalho? Supermercados fazem caravana de empregos com a Prefeitura de Canoas
- Gigante por trás da Brastemp e Consul fecha fábrica e anuncia mudança na produção de eletrodomésticos
- Senai abre inscrições para cursos gratuitos e participantes podem receber até R$ 1.158 por mês
De acordo com informações divulgadas pela revista Veja, a equipe econômica ligada ao pré-candidato trabalha na criação de um novo Bolsa Família, que funcionaria como uma plataforma mais ampla de inclusão econômica.
A ideia é que beneficiários que consigam emprego com carteira assinada ou abram um Microempreendedor Individual (MEI) continuem recebendo apoio do programa por até dois anos. Além disso, o projeto prevê incentivos para cursos de qualificação profissional, educação financeira, cashback e acesso facilitado ao microcrédito por meio da Caixa Econômica Federal.
Durante o evento, Flávio Bolsonaro afirmou que existe um preconceito em relação aos beneficiários do programa e defendeu que muitos já trabalham, mas permanecem na informalidade.
“Muita gente tem um preconceito com relação a quem está na Bolsa Família, como se não quisesse trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade por quê? Porque têm medo de perder o benefício”, declarou.
Como funciona atualmente e Flávio Bolsonaro vai acabar com modelo antigo do Bolsa Família?
Hoje, o Bolsa Família já possui um mecanismo chamado Regra de Proteção.
Por meio dessa regra, famílias que aumentam a renda acima do limite exigido para participação no programa não perdem imediatamente o benefício. Em vez disso, continuam recebendo parte do valor por um período determinado.
Atualmente:
- Famílias que entraram recentemente na Regra de Proteção recebem metade do benefício por até 12 meses;
- Quem ingressou na regra até julho do ano passado pode permanecer por até 24 meses.
A proposta apresentada por Flávio Bolsonaro amplia essa lógica, permitindo que trabalhadores formalizados ou novos microempreendedores permaneçam assistidos por um período maior enquanto estruturam sua nova fonte de renda.
Mudanças ainda dependem das eleições
Até o momento, o novo Bolsa Família citado pelo senador é apenas uma proposta de campanha e não possui validade legal.
Qualquer alteração no programa dependeria da eleição presidencial de 2026, da elaboração de um projeto oficial e da aprovação do Congresso Nacional antes de entrar em vigor.

