Especialistas alertam: El Niño em 2026 pode ser o mais perigoso já registrado em 150 anos

Modelos climáticos indicam que o El Niño em 2026 pode superar todos os registros desde 1877, aumentando o risco de eventos extremos no Brasil e no mundo.

O El Niño em 2026 pode entrar para a história como o fenômeno mais intenso desde o início dos registros meteorológicos. As projeções mais recentes de diversos modelos climáticos indicam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial poderá superar todos os eventos observados desde 1877, aumentando o risco de eventos extremos em diferentes partes do planeta.

Segundo as simulações, o atual episódio pode atingir uma anomalia média de 3,6°C na região Niño 3.4, índice utilizado internacionalmente para medir a intensidade do fenômeno. Caso essa projeção se confirme, o novo evento ultrapassará com folga o recorde registrado entre 2015 e 2016.

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Até hoje, o episódio de 2015-2016 era considerado o mais intenso da história recente, com aproximadamente 2,75°C de anomalia no Índice Oceânico Niño (ONI). Antes dele, os fenômenos de 1982-1983 e 1997-1998 ocupavam o topo da lista dos chamados Super El Niños.

Modelos apontam cenário sem precedentes

O que mais chama atenção dos pesquisadores não é apenas a projeção média de 3,6°C. Entre as 667 simulações climáticas analisadas, praticamente todos os cenários apontam um aquecimento superior aos maiores eventos já registrados.

Mesmo as projeções mais conservadoras indicam temperaturas próximas ou superiores ao recorde histórico de 2015-2016, reforçando a possibilidade de que o planeta esteja diante de um episódio sem precedentes desde o início das medições sistemáticas do Pacífico, em meados do século XIX.

Os dados mais recentes mostram que o Pacífico Equatorial já apresenta anomalias próximas de 2°C, patamar considerado suficiente para classificar o fenômeno como um Super El Niño meses antes do pico normalmente observado.

Aquecimento do El Niño ocorreu de forma muito rápida em 2026

Especialistas destacam que outro fator preocupa: a velocidade com que o oceano aqueceu.

Em poucos meses, o Pacífico passou de condições praticamente neutras para um aquecimento extremamente elevado. Esse comportamento foi impulsionado por sucessivas ondas oceânicas de Kelvin, ventos persistentes de oeste e um enorme reservatório de água excepcionalmente quente abaixo da superfície do oceano.

Alguns modelos climáticos mais extremos chegam a projetar anomalias entre 4°C e 5°C, valores que nunca foram registrados desde o início das observações.

Quais podem ser os impactos no Brasil?

Caso o cenário previsto se confirme, o El Niño em 2026 deverá provocar uma sequência de eventos extremos em diferentes regiões do planeta.

No Sul do Brasil, os meteorologistas apontam aumento expressivo do risco de:

  • chuva muito acima da média;
  • enchentes frequentes;
  • grandes inundações;
  • temporais severos;
  • vendavais e granizo.

Esses efeitos costumam ocorrer porque o aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação atmosférica e favorece a formação de sistemas de chuva persistentes sobre a região.

Ainda existe margem para mudanças

Apesar da forte concordância entre os modelos climáticos, especialistas lembram que previsões de longo prazo ainda possuem incertezas.

Mudanças na circulação atmosférica, oscilações dos ventos tropicais e processos internos do próprio oceano poderão alterar a intensidade final do fenômeno nos próximos meses.

Mesmo assim, o consenso atual entre os principais centros meteorológicos internacionais indica que o El Niño em 2026 tem potencial para entrar para a história como o evento mais intenso já observado desde o começo dos registros modernos.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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