Funcionário entra de licença médica pelo INSS, é demitido no dia seguinte, empresa acaba condenada, trabalhador volta ao emprego por decisão da Justiça e recebe indenização superior a R$ 200 mil

O empregado estava afastado pelo INSS por incapacidade quando recebeu a notícia da demissão. A Justiça concluiu que a empresa não poderia romper o contrato naquele momento e determinou a reintegração, além do pagamento das verbas reconhecidas na ação.

Entrar em licença médica pelo INSS já era uma situação difícil para um trabalhador que precisou interromper as atividades por causa de problemas de saúde. O que ele não imaginava era que, um dia depois do início do afastamento, receberia a notícia de que havia sido demitido.

Sem aceitar a decisão, ele procurou a Justiça do Trabalho. Depois da análise do caso, os magistrados concluíram que a dispensa não poderia produzir efeitos enquanto o benefício previdenciário estivesse ativo. O resultado foi a reintegração ao emprego e uma condenação que, somadas todas as verbas reconhecidas, ultrapassou R$ 200 mil.

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INSS mantém o contrato de trabalho protegido durante o afastamento

Ao examinar o processo, a Justiça observou que o trabalhador estava recebendo benefício por incapacidade concedido pelo INSS quando foi dispensado.

Nessa situação, o contrato de trabalho permanece suspenso. O empregado deixa de prestar serviços e a empresa deixa de pagar salários, mas o vínculo continua existindo enquanto durar o afastamento previdenciário.

Por esse motivo, a demissão realizada durante esse período foi considerada inválida.

Empresa tentou manter a dispensa

Durante a ação, a empresa apresentou seus argumentos para sustentar a validade do desligamento.

A Justiça, porém, entendeu que o empregador tinha conhecimento do afastamento e que o trabalhador continuava protegido pelas regras aplicáveis aos beneficiários do INSS.

Com isso, os pedidos da empresa foram rejeitados.

Trabalhador voltou ao emprego

Além de anular a demissão, a Justiça determinou que o funcionário fosse reintegrado ao quadro de empregados.

Também foram reconhecidas diversas parcelas decorrentes da dispensa considerada irregular, entre elas salários do período, reflexos em direitos trabalhistas, indenização por danos morais e outros valores previstos na decisão.

A soma dessas verbas ultrapassou R$ 200 mil.

O que fazer se a demissão acontecer durante benefício do INSS?

Especialistas recomendam que o trabalhador guarde toda a documentação relacionada ao benefício, incluindo cartas de concessão do INSS, atestados médicos e laudos que comprovem o período de afastamento.

Também é importante reunir provas de que a empresa tinha conhecimento da licença médica e buscar orientação jurídica para avaliar se a dispensa respeitou a legislação trabalhista.

Cada processo depende das provas apresentadas e das circunstâncias do caso, mas decisões como essa mostram que a demissão durante afastamento previdenciário pode ser anulada quando não observa as garantias previstas em lei.

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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