O cérebro está mudando? Estudo aponta que o QI da população diminuiu após décadas de crescimento

Estudo identificou queda em testes cognitivos após décadas de crescimento. Entenda o que os pesquisadores descobriram.

Durante décadas, cientistas observaram um fenômeno curioso: a cada nova geração, as pessoas costumavam obter resultados melhores em testes de inteligência. Agora, porém, um estudo reacendeu o debate ao indicar que o QI da população diminuiu em parte das avaliações realizadas nos Estados Unidos.

A descoberta chamou atenção porque rompe uma tendência observada ao longo de boa parte do século XX. Ainda assim, os próprios pesquisadores fazem um alerta importante: isso não significa que as pessoas tenham ficado menos inteligentes, mas sim que determinados tipos de habilidades apresentaram desempenho inferior em uma grande amostra de participantes.

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O que descobriu o estudo?

Pesquisadores da Universidade Northwestern analisaram os resultados de 394.378 adultos que realizaram avaliações cognitivas entre 2006 e 2018.

O trabalho comparou diferentes grupos de participantes e identificou redução nas pontuações de três das quatro habilidades avaliadas.

As maiores quedas apareceram em testes relacionados a:

  • reconhecimento de padrões;
  • raciocínio abstrato;
  • sequências de letras e números;
  • parte das habilidades verbais.

Por outro lado, uma das capacidades avaliadas apresentou melhora.

Nem todas as habilidades pioraram

Enquanto algumas áreas registraram queda, os testes de rotação tridimensional, que avaliam a capacidade de imaginar objetos em diferentes posições, mostraram evolução ao longo do período analisado.

Esse resultado levou os pesquisadores a considerar que o cérebro pode estar desenvolvendo competências diferentes daquelas mais valorizadas pelos testes tradicionais de QI.

O QI da população diminuiu mesmo?

Segundo os autores, a resposta exige cautela.

Os participantes fizeram os testes voluntariamente pela internet, e não representam toda a população dos Estados Unidos.

Além disso, o estudo não acompanhou as mesmas pessoas durante vários anos. Foram comparados grupos diferentes que participaram da pesquisa em momentos distintos.

Por isso, fatores como escolaridade, motivação, concentração e perfil dos voluntários podem ter influenciado os resultados.

Celular e redes sociais são os culpados?

Não.

Apesar de muitas interpretações apontarem celulares, redes sociais e vídeos curtos como responsáveis pela queda, o estudo não chegou a essa conclusão.

Os pesquisadores afirmam que a pesquisa não investigou as causas da redução nas pontuações.

Entre as hipóteses discutidas por especialistas estão mudanças na educação, alterações na forma como as pessoas resolvem problemas e até novas habilidades desenvolvidas com a tecnologia.

Jogos eletrônicos, por exemplo, podem favorecer competências espaciais, justamente uma das áreas que apresentou melhora.

Foi a primeira queda em quase 100 anos?

Também não exatamente.

A ideia surgiu porque, durante décadas, diversos estudos identificaram o chamado efeito Flynn, fenômeno que mostrava crescimento contínuo nas pontuações de testes de inteligência.

Entretanto, pesquisas anteriores já haviam encontrado estagnação ou redução dos resultados em países como Noruega, Dinamarca, Finlândia e França.

O diferencial do novo estudo foi identificar esse comportamento em uma grande amostra de adultos norte-americanos.

O que isso significa?

Os pesquisadores destacam que ainda é cedo para afirmar que a humanidade esteja ficando menos inteligente.

Na avaliação deles, os resultados podem indicar uma transformação na maneira como diferentes habilidades cognitivas são desenvolvidas.

Enquanto algumas competências tradicionais parecem perder espaço, outras podem estar sendo fortalecidas pelas mudanças na educação, no trabalho e na forma como a tecnologia faz parte da rotina das pessoas.

Por isso, a conclusão mais prudente é que o estudo mostra uma queda em determinados testes cognitivos, e não uma prova definitiva de que a inteligência da população esteja diminuindo.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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