Pedreiro ajudou a construir faculdade em 2006, voltou ao mesmo prédio como aluno de Direito aos 38 anos e anos depois virou advogado

Pedreiro ajudou a construir uma faculdade em 2006, voltou ao local como aluno de Direito aos 38 anos, passou na OAB e abriu seu escritório.

Antes de ocupar uma sala de aula como estudante de Direito, Luiz Antônio dos Santos ajudou a construir a própria faculdade.

O pedreiro participou das obras de uma instituição de ensino superior em Votuporanga, no interior de São Paulo, em 2006. Dois anos depois, voltou ao mesmo prédio. Dessa vez, deixou as ferramentas de lado e passou a frequentar o local como universitário.

A trajetória exigiu que Luiz concluísse a educação básica, trabalhasse durante o dia e estudasse à noite. O esforço terminou com o diploma de Direito, a aprovação no exame da OAB e a abertura do próprio escritório de advocacia.

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Pedreiro ajudou a construir a faculdade antes de estudar no local

Luiz mudou-se para Votuporanga em 1989 e encontrou na construção civil uma forma de sustentar a família.

Depois de anos trabalhando como pedreiro, recebeu a oportunidade de participar da implantação de uma instituição particular de ensino superior.

A construção começou em 2006. Entre cimento, ferramentas e blocos, Luiz ajudou a levantar parte da estrutura que futuramente receberia suas próprias aulas.

Naquele momento, o canteiro de obras era apenas mais um local de trabalho. Pouco tempo depois, porém, o mesmo prédio ganharia outro significado em sua vida.

Educação básica foi concluída antes da faculdade

Antes de prestar vestibular, Luiz precisou concluir os ensinos fundamental e médio por meio de um curso supletivo.

O retorno aos estudos abriu caminho para uma mudança profissional que, durante muitos anos, parecia distante da realidade de quem trabalhava na construção civil.

Luiz ingressou na graduação em Direito aos 38 anos. Sem condições de arcar integralmente com as mensalidades, conseguiu uma bolsa vinculada a um programa estadual.

O benefício ajudou a tornar possível a formação, mas não significou o abandono imediato da profissão que sustentava sua família.

Pedreiro trabalhava durante o dia e estudava Direito à noite

Durante a graduação, Luiz precisou dividir a rotina entre os canteiros de obras e a faculdade.

Os dias eram ocupados pelo trabalho como pedreiro. À noite, ele trocava as ferramentas pelos livros e seguia para as aulas de Direito.

Nos fins de semana, também participava das atividades sociais exigidas pelo programa responsável pela bolsa.

Estudar dentro daquele prédio tinha um significado especial. Luiz aprendia sobre leis justamente na estrutura que havia ajudado a construir alguns anos antes.

Ele chegou a brincar com os colegas que havia feito duas faculdades: primeiro como trabalhador da obra e depois como estudante.

Diploma de Direito veio em 2012

Depois de anos conciliando trabalho e estudos, Luiz concluiu a graduação em Direito em 2012.

O diploma representava uma conquista importante, mas ainda havia uma etapa necessária para que ele pudesse exercer a advocacia: a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil.

A rotina na construção civil deixava pouco tempo para a preparação. Luiz precisou estudar nos intervalos que conseguia encontrar entre um trabalho e outro.

A aprovação no exame da OAB veio em 2015, três anos depois da conclusão da faculdade.

De pedreiro a advogado: Luiz abriu o próprio escritório

Depois de conquistar a carteira profissional, Luiz iniciou uma nova fase da carreira e abriu o próprio escritório em Votuporanga.

Ele passou a atuar nas áreas cível e criminal, substituindo gradualmente a rotina dos canteiros de obras pelo ambiente jurídico.

A busca por conhecimento também continuou. Luiz concluiu uma pós-graduação em Direito Constitucional e iniciou uma segunda formação, desta vez em Teologia.

A antiga profissão, porém, permaneceu como parte importante de sua trajetória.

Afinal, a mudança de carreira começou de uma maneira bastante simbólica: o prédio onde Luiz estudou Direito anos depois foi erguido com a participação dele como pedreiro.

Hoje, a história reúne duas etapas completamente diferentes da mesma trajetória: primeiro, Luiz ajudou a construir fisicamente a faculdade; depois, voltou ao local para construir uma nova carreira.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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