Fábrica de calçados fecha no RS mesmo depois de passar mais de dois anos procurando trabalhadores, oferecer cursos gratuitos e manter mais de dez vagas disponíveis e apenas 15 funcionários

Fábrica de calçados fecha no RS depois de tentar contratar por mais de dois anos e oferecer cursos gratuitos.

Uma fábrica de calçados encerrou as atividades no Norte do Rio Grande do Sul depois de enfrentar durante anos uma dificuldade que parece contraditória diante do cenário do mercado de trabalho: a falta de profissionais para manter a produção funcionando.

A Calçados Madar fechou sua unidade em Caiçara após informar ao município que não conseguiu formar uma equipe suficiente para manter a operação. Segundo a empresa, eram necessários entre 20 e 25 trabalhadores, mas o quadro permanecia próximo de apenas 15 funcionários.

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O caso chama atenção porque a dificuldade de contratação não surgiu recentemente. A empresa já buscava trabalhadores havia mais de dois anos, chegou a manter mais de dez vagas abertas e ofereceu cursos gratuitos para tentar formar profissionais para a indústria.

Fábrica precisava de até 25 trabalhadores para continuar funcionando

A Prefeitura de Caiçara recebeu em 19 de junho de 2026 a comunicação oficial sobre o encerramento da unidade.

Segundo a empresa, a operação precisava de uma equipe entre 20 e 25 profissionais para funcionar adequadamente. O número de trabalhadores, entretanto, permaneceu em torno de 15 pessoas.

Na notificação enviada ao município, a Calçados Madar classificou a situação como de “extrema escassez de mão de obra” e afirmou que a dificuldade de manter trabalhadores suficientes foi a razão para o fechamento.

A empresa também deixou registrado que não responsabilizava a Prefeitura pela situação. O município havia colaborado na divulgação das oportunidades e em iniciativas destinadas a tentar atrair novos trabalhadores.

Problema já era conhecido havia mais de dois anos

A dificuldade enfrentada pela fábrica não começou em 2026.

Em abril de 2024, uma reportagem do Jornal Exclusivo já mostrava que a unidade contava com aproximadamente 15 empregados e mantinha mais de dez vagas disponíveis.

Naquele momento, a fábrica produzia entre 250 e 300 pares de calçados por dia e pretendia aumentar a capacidade para até 500 pares diariamente.

A ampliação, porém, dependia diretamente da contratação de novos profissionais.

Dois anos depois, o quadro de trabalhadores citado pela empresa no encerramento continuava praticamente no mesmo nível.

Cursos gratuitos foram oferecidos para tentar preencher as vagas

Para tentar resolver o problema, a empresa também investiu na formação de novos trabalhadores.

Foram oferecidos cursos gratuitos de costura e capacitação para funções específicas da indústria calçadista, com o objetivo de preparar pessoas interessadas em trabalhar na unidade.

As oportunidades eram para contratação formal, com jornada de segunda a sexta-feira e remuneração compatível com as funções, segundo as informações divulgadas na época.

Mesmo com as iniciativas de treinamento e recrutamento, a empresa não conseguiu aumentar de forma sustentável o número de funcionários.

O resultado foi o encerramento de uma unidade que durante anos tentou ampliar sua produção, mas não conseguiu formar a equipe considerada necessária para manter as atividades.

Fábrica dizia não encontrar trabalhadores, mas faltam informações sobre as vagas

A situação levanta uma discussão que vai além do fechamento da empresa.

A Calçados Madar afirma que enfrentou falta de mão de obra. Entretanto, não foram divulgadas publicamente informações completas sobre fatores como salários praticados em 2026, benefícios oferecidos, rotatividade dos funcionários, dificuldades de transporte ou motivos apresentados por candidatos que recusaram as oportunidades.

Esses elementos são importantes para entender por que as vagas permaneceram abertas durante tanto tempo.

Uma possibilidade é que pequenas cidades realmente estejam enfrentando dificuldades para encontrar trabalhadores para determinadas funções industriais. Outra é que características específicas das vagas, como remuneração, deslocamento ou condições de trabalho, possam dificultar a contratação.

Sem dados suficientes, não é possível atribuir o fechamento exclusivamente a um desses fatores.

Indústria calçadista também perdeu empregos no Rio Grande do Sul

O caso ganha ainda mais relevância quando observado dentro do cenário da indústria calçadista gaúcha.

O setor encerrou 2025 com aproximadamente 74,5 mil empregos diretos, depois de registrar uma redução de cerca de 4,4 mil postos de trabalho em apenas um ano, segundo dados da Abicalçados.

Ao mesmo tempo em que milhares de empregos foram perdidos na indústria calçadista do estado, uma pequena fábrica enfrentava dificuldade para contratar os trabalhadores adicionais necessários para manter sua produção.

A situação mostra como diferentes problemas podem coexistir no mercado de trabalho: empresas podem reduzir postos de trabalho em algumas regiões ou segmentos enquanto outras enfrentam dificuldades para preencher determinadas vagas.

O que acontece com o espaço onde funcionava a fábrica?

Com o encerramento das atividades, a unidade de Caiçara deixa de operar e o imóvel público utilizado pela empresa deverá ser devolvido ao município.

A cidade perde uma operação industrial que durante anos tentou aumentar sua produção e ampliar a equipe.

O fechamento, porém, deixa uma discussão que não termina com o desligamento das máquinas: quando uma fábrica passa anos procurando trabalhadores e ainda assim não consegue completar sua equipe, o problema está apenas na falta de mão de obra ou também nas condições necessárias para tornar essas vagas atrativas?

O caso da Calçados Madar não responde sozinho a essa pergunta, mas mostra como a distância entre empresas que precisam contratar e trabalhadores disponíveis pode ser muito mais complexa do que os números gerais de emprego sugerem.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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