Homem compra apartamento de R$ 900 mil para ganhar R$ 12 mil por mês com aluguel, mas regra de condomínio joga ‘balde de água fria’ nos planos do proprietário

Um apartamento de R$ 900 mil pode render R$ 12 mil por mês com Airbnb, mas regras do condomínio podem limitar ou impedir a locação por temporada.

Um proprietário compra um apartamento de R$ 900 mil pensando em faturar R$ 12 mil por mês com Airbnb, mas descobre que uma regra do condomínio pode mudar completamente os planos. A locação de curta temporada parece uma alternativa para aumentar a renda do imóvel, mas, em edifícios residenciais, a convenção, as decisões da assembleia e a própria destinação do prédio podem limitar esse tipo de uso.

A situação mostra um detalhe que pode passar despercebido por quem compra um imóvel pensando exclusivamente na rentabilidade: o proprietário não tem liberdade absoluta para definir como utilizar a unidade quando ela está dentro de um condomínio.

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Por que o Airbnb pode virar problema no condomínio?

A discussão costuma aparecer quando a entrada frequente de hóspedes altera a rotina do edifício. Moradores podem passar a conviver com pessoas diferentes praticamente toda semana, além de haver aumento na circulação pelas áreas comuns, utilização de elevadores e preocupação com segurança.

Para o investidor, a conta inicialmente parece simples: comprar o apartamento, mobiliar, anunciar na plataforma e receber pelas diárias.

Já para os demais moradores, a utilização da unidade como hospedagem de curta duração pode gerar questionamentos relacionados a barulho, festas, portaria, garagem, segurança e sossego.

Por isso, antes de transformar um apartamento residencial em fonte de renda com locações por poucos dias, é necessário verificar quais são as regras aplicáveis ao imóvel.

O que significa a regra dos 2/3?

A chamada regra dos 2/3 está relacionada ao quórum necessário para determinadas alterações na convenção do condomínio ou para mudanças na destinação do edifício.

Em um prédio originalmente destinado à moradia, o uso frequente de apartamentos para hospedagem de curta duração pode gerar uma discussão sobre a compatibilidade dessa atividade com as regras condominiais.

Antes de anunciar o imóvel, o proprietário deve verificar:

  • A convenção atualizada do condomínio;
  • O regimento interno;
  • Atas de assembleias anteriores;
  • Regras para entrada e cadastro de hóspedes;
  • Eventuais limites para locações de curta duração;
  • Quóruns exigidos para alterações nas regras do edifício.

Isso significa que simplesmente ser proprietário da unidade não garante, por si só, que ela poderá ser explorada da maneira pretendida.

O dono pode usar o imóvel como quiser?

O proprietário possui o direito de usar, usufruir e dispor do imóvel, mas esse direito precisa respeitar as normas que regulam a convivência dentro do condomínio.

A unidade faz parte de uma estrutura coletiva. Corredores, elevadores, portaria, garagem, piscina, academia e outras áreas são compartilhados pelos moradores e podem ser afetados pela utilização intensa do apartamento para hospedagem.

É justamente por isso que a discussão sobre o Airbnb não envolve apenas o apartamento de R$ 900 mil. A atividade também pode alterar a dinâmica das áreas comuns e a rotina dos demais condôminos.

Como a renda de R$ 12 mil pode ser afetada?

A projeção de R$ 12 mil mensais depende de fatores como ocupação, valor das diárias, localização do imóvel e demanda turística ou corporativa.

Mas essa estimativa pode mudar completamente caso existam restrições para a locação de curta duração.

O investidor também precisa considerar:

  • Eventual proibição de locações de curta duração;
  • Multas por descumprimento das regras;
  • Períodos de baixa ocupação;
  • Gastos com mobília e manutenção;
  • Custos de limpeza entre hóspedes;
  • Taxas cobradas pela plataforma;
  • Necessidade de substituir o Airbnb pelo aluguel tradicional.

Assim, os R$ 12 mil projetados não representam necessariamente o lucro líquido do apartamento.

O que fazer antes de comprar um imóvel para Airbnb?

Quem pretende comprar um apartamento especificamente para utilizar no Airbnb deve analisar as regras do condomínio antes de fechar negócio.

A convenção atualizada e o regimento interno precisam ser examinados, assim como as atas de assembleias que tenham discutido hospedagem por aplicativo ou locação por temporada.

Também é importante verificar com o síndico ou com a administradora se existem regras específicas para entrada de hóspedes e se já houve conflitos envolvendo esse tipo de utilização.

A ausência de uma proibição expressa também não deve ser interpretada automaticamente como uma autorização definitiva. O condomínio pode discutir o assunto dentro das regras previstas para alterações de sua convenção e funcionamento.

A renda do Airbnb pode desaparecer depois da compra?

Esse é um dos principais riscos para quem compra um imóvel contando exclusivamente com a renda das diárias.

Uma projeção de R$ 12 mil mensais pode parecer suficiente para justificar a compra de um apartamento de R$ 900 mil. Porém, se posteriormente surgirem restrições ao uso pretendido, o proprietário pode precisar modificar completamente sua estratégia.

Nesse cenário, alternativas como aluguel residencial tradicional podem passar a ser consideradas.

O problema é que a rentabilidade pode ser bastante diferente daquela inicialmente projetada com hospedagens de curta duração.

Qual é a lição para quem pretende investir em imóveis?

O caso mostra que o preço do imóvel e o valor das diárias não são os únicos fatores que devem entrar na conta.

Quem pretende comprar um apartamento para ganhar dinheiro com Airbnb precisa verificar também as regras do condomínio, a destinação do edifício e eventuais decisões tomadas pelos moradores.

Um imóvel de R$ 900 mil pode, em determinadas condições, gerar uma renda interessante. Mas essa estratégia precisa ser compatível com as regras do prédio.

Antes de calcular quanto o Airbnb pode render, portanto, o investidor precisa descobrir se pode utilizar o apartamento dessa maneira.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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