Emprestar um veículo para alguém que não possui CNH pode gerar consequências que vão muito além de uma infração de trânsito. Em determinadas situações, o proprietário também pode ser responsabilizado civilmente pelos danos provocados pelo motorista.
É o que ocorre quando o condutor sem habilitação se envolve em um acidente com consequências graves para terceiros. Dependendo das lesões provocadas, a vítima pode ter direito a indenizações e até a uma pensão mensal relacionada à perda ou redução da capacidade de trabalho.
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O caso chama atenção porque mostra como uma decisão aparentemente simples, como entregar as chaves do carro a um amigo, pode resultar em uma longa disputa judicial.
Dono do carro pode responder pelo acidente causado por outra pessoa?
A responsabilidade do proprietário não desaparece simplesmente porque ele não estava dirigindo no momento do acidente.
O entendimento consolidado pela Súmula 492 do Supremo Tribunal Federal (STF) estabelece a responsabilidade do proprietário pelos atos praticados pelo motorista a quem o veículo foi entregue, dentro das circunstâncias reconhecidas pela jurisprudência.
Assim, quando uma pessoa empresta o automóvel e o condutor provoca um atropelamento, o proprietário pode ser incluído na discussão sobre a reparação dos prejuízos causados à vítima.
A situação se torna ainda mais delicada quando o dono sabia que o motorista não possuía CNH.
O que acontece ao emprestar carro para motorista sem CNH?
O Código de Trânsito Brasileiro estabelece punições para quem entrega a direção de um veículo a uma pessoa que não possui habilitação.
O artigo 166 do CTB classifica a conduta como infração gravíssima.
Além das consequências administrativas, o proprietário pode enfrentar uma ação de responsabilidade civil caso o motorista provoque danos a outra pessoa.
Nesse cenário, a vítima pode buscar reparação pelos prejuízos decorrentes do acidente, conforme a extensão das lesões e os demais elementos analisados no processo.
Por que a vítima pode receber pensão vitalícia?
A pensão não é automática em qualquer atropelamento.
Ela pode ser determinada quando as consequências do acidente provocam redução ou perda da capacidade de trabalho da vítima, comprometendo os rendimentos que ela teria condições de obter.
O objetivo é compensar, dentro dos critérios estabelecidos pela Justiça, a parcela da renda que deixou de ser recebida em razão da incapacidade provocada pelo acidente.
Por isso, um atropelamento com lesões graves pode gerar uma obrigação financeira que se prolonga por muitos anos.
A existência e o valor da pensão dependem das circunstâncias concretas do caso, da extensão da incapacidade e das provas apresentadas no processo.
Proprietário pode ser responsabilizado mesmo sem estar dirigindo?
Sim, a discussão não depende exclusivamente de quem estava ao volante.
Ao permitir que outra pessoa utilize seu veículo, o proprietário pode responder civilmente pelos danos provocados pelo condutor nas situações reconhecidas pela legislação e pela jurisprudência.
A questão ganha peso quando o dono entrega o automóvel para alguém que não possui CNH, pois a própria entrega do veículo constitui uma conduta que pode gerar consequências administrativas e reforçar a discussão sobre a responsabilidade.
Isso não significa, porém, que todo acidente envolvendo um carro emprestado resulte automaticamente em pensão vitalícia.
É necessário analisar o acidente, as lesões, a incapacidade e a relação entre os danos e a atividade profissional da vítima.
Quais provas podem ser usadas pela vítima?
Em uma ação de indenização, a documentação médica e os registros do acidente podem ser fundamentais para demonstrar o que aconteceu e quais consequências foram provocadas.
Entre os documentos que podem ser relevantes estão:
- Boletim de ocorrência: registra as circunstâncias iniciais do acidente e a identificação dos envolvidos;
- Laudos médicos e perícias: ajudam a demonstrar a extensão das lesões e eventual redução da capacidade de trabalho;
- Comprovantes de despesas: medicamentos, tratamentos, internações e outros gastos relacionados ao acidente;
- Documentos profissionais: podem ajudar a demonstrar a renda e os impactos econômicos provocados pela incapacidade.
A análise desses elementos permite ao Judiciário avaliar quais prejuízos efetivamente foram provocados pelo acidente.
A pensão pode ser acompanhada de outras indenizações?
A pensão não necessariamente representa a única reparação possível.
Dependendo das consequências do acidente, a vítima pode discutir também danos materiais, físicos, estéticos e morais, desde que estejam presentes os requisitos para cada tipo de indenização.
Despesas médicas e tratamentos futuros, por exemplo, podem ser considerados na avaliação dos prejuízos.
Lesões permanentes ou alterações estéticas também podem fundamentar pedidos específicos.
Cada indenização, contudo, depende das circunstâncias comprovadas no processo.
O que o proprietário deve fazer antes de emprestar o carro?
A primeira providência é verificar se a pessoa que vai dirigir possui CNH válida e compatível com o veículo.
Entregar as chaves para alguém sem habilitação pode criar problemas que ultrapassam a simples multa de trânsito.
O proprietário também precisa considerar que, mesmo quando o motorista possui CNH, acidentes podem gerar discussões sobre responsabilidade civil.
No caso de um condutor sem habilitação, porém, o risco jurídico se torna ainda mais evidente.
Por isso, antes de entregar o veículo, conferir quem realmente está autorizado a conduzi-lo é uma medida básica para evitar problemas que podem se transformar em uma longa disputa judicial.

