Aos 27 anos, a autônoma Maria Adriele da Silva, mãe de cinco filhos, viu a rotina marcada pela insegurança e pelos alagamentos mudar completamente depois de receber as chaves da própria casa. Moradora da comunidade da Muvuca, em Maceió (AL), às margens da Lagoa Mundaú, ela vivia em uma região onde a lama, os problemas de infraestrutura e o risco de enchentes faziam parte do cotidiano.
A mudança aconteceu em 2024, quando Maria e outras 487 famílias receberam imóveis por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. A nova moradia representou uma transformação para famílias que enfrentavam condições precárias de habitação e dependiam de programas de transferência de renda para complementar o orçamento.
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Em entrevista ao portal Meio News, Maria contou detalhes da realidade enfrentada antes de receber o imóvel. A história dela faz parte de um cenário maior de políticas habitacionais voltadas para famílias de baixa renda.
Desde sua criação, em 2009, o Minha Casa, Minha Vida já havia alcançado aproximadamente 7,7 milhões de unidades habitacionais entregues em todo o Brasil, beneficiando famílias em diferentes situações de vulnerabilidade social.
Da casa cercada por lama às chaves do imóvel próprio

Para Maria, receber a nova residência significou muito mais do que simplesmente mudar de endereço. A antiga casa ficava em uma região sujeita a alagamentos e com problemas de infraestrutura, situação que afetava diretamente a rotina dela e dos cinco filhos.
A entrega das chaves aconteceu em uma sexta-feira, quando as 488 famílias contempladas passaram a ter acesso às novas unidades habitacionais. O imóvel entregue estava quitado, o que eliminou para os beneficiários a necessidade de assumir uma dívida habitacional para garantir a propriedade.
A mudança também alterou a relação das famílias com a própria moradia. Em locais sujeitos a enchentes, períodos de chuva podem transformar problemas de infraestrutura em situações de emergência, especialmente para quem vive com crianças.
Para famílias que passaram anos convivendo com esse tipo de insegurança, ter acesso a uma residência própria representa uma mudança significativa na rotina.
Bolsa Família ajuda famílias de baixa renda
Antes de conquistar a casa própria, famílias como a de Maria também podiam contar com programas de transferência de renda para ajudar nas despesas básicas.
O Bolsa Família estabelece atualmente um valor mínimo de R$ 600 por família, mas o benefício pode ser maior dependendo da composição familiar e do cumprimento dos critérios previstos pelo programa.
Entre os adicionais estão valores destinados à primeira infância, gestantes, crianças e adolescentes que atendam às condições estabelecidas. Por isso, duas famílias inscritas no programa podem receber valores diferentes em um mesmo mês.
O Cadastro Único também tem papel importante nesse processo. A inscrição é utilizada para a análise de diferentes programas sociais, mas estar cadastrado não significa entrada automática no Bolsa Família. A concessão depende do cumprimento dos critérios determinados pelo governo.
Casa própria muda realidade de famílias que viviam em áreas de risco
A história da família de Maria também ajuda a mostrar como políticas habitacionais podem alterar a rotina de pessoas que vivem em regiões com infraestrutura precária.
No caso das famílias da comunidade da Muvuca, a mudança significou deixar para trás uma região onde os períodos de chuva podiam representar preocupação constante com alagamentos e perda de pertences.
A entrega de um imóvel já quitado também reduz uma das principais barreiras enfrentadas por famílias de baixa renda: o custo de assumir uma dívida de longo prazo para conseguir comprar uma residência.
Estudo aponta efeitos sociais ligados ao Bolsa Família
Além da questão habitacional, o Bolsa Família também foi analisado em pesquisas que buscaram medir os efeitos da ampliação do programa sobre diferentes aspectos da vida dos beneficiários.
Um estudo publicado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) analisou os efeitos da expansão do programa promovida em 2012.
O trabalho foi desenvolvido pelos economistas Valdemar Pinho Neto, da EPGE Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE), Michael C. Best e Felipe Lobel, pesquisadores ligados, respectivamente, à Columbia University e à Stanford University.
A pesquisa avaliou a reforma que criou um complemento financeiro destinado a garantir que nenhuma família beneficiária permanecesse abaixo da linha de extrema pobreza depois dos repasses.
Segundo os resultados apresentados no estudo, o emprego entre os beneficiários aumentou 4,8%, enquanto a mortalidade caiu 14%, estimativa equivalente a aproximadamente mil vidas preservadas.
A probabilidade de hospitalização também diminuiu 8%, enquanto o tempo médio de internação apresentou redução de 6%.
A história de Maria, portanto, reúne duas questões que afetam diretamente famílias de baixa renda: o acesso à renda e a possibilidade de conquistar uma moradia em condições mais seguras. Para uma mãe de cinco filhos que vivia cercada por lama e alagamentos, receber as chaves de uma casa própria representou uma mudança concreta na vida da família.

