Dois pilotos de um A320 adormecem a 36 mil pés com 153 passageiros a bordo e avião fica 28 minutos perdido no ar

Pilotos adormecidos ficaram 28 minutos sem responder durante voo; Entenda como o avião se desviou da rota e o que revelou a investigação.

Dois pilotos de um Airbus A320 da Batik Air adormeceram durante um voo com 153 passageiros e deixaram a aeronave sem resposta aos chamados do controle de tráfego aéreo por 28 minutos. O avião estava a 36 mil pés, seguia de Kendari para Jacarta e acabou se desviando da rota enquanto os pilotos adormecidos permaneciam inconscientes na cabine.

O copiloto acordou depois de ouvir novamente os chamados pelo rádio e conseguiu retomar a comunicação. O A320 foi reorientado e pousou normalmente, sem registro de feridos. A investigação posterior, porém, apontou problemas na forma como a companhia administrava o risco de fadiga.

Como dois pilotos conseguiram adormecer durante o mesmo voo?

O episódio aconteceu enquanto o avião seguia em velocidade e altitude de cruzeiro. O comandante havia pedido um período de descanso e o copiloto permaneceu responsável pela condução da aeronave.

O problema é que o copiloto também estava extremamente cansado. Ele tinha filhos gêmeos recém-nascidos em casa e passava por uma mudança de residência, o que reduziu o tempo efetivamente dedicado ao descanso antes do voo.

Mesmo tendo sido considerado apto nos exames de rotina, o piloto não informou à companhia o nível de privação de sono.

Assim, os dois tripulantes acabaram dormindo simultaneamente enquanto o avião permanecia sob o comando do piloto automático.

O que aconteceu durante os 28 minutos em que os pilotos estavam dormindo?

Enquanto os pilotos adormecidos não respondiam às chamadas, o A320 continuou voando de maneira estável.

O piloto automático manteve os parâmetros programados, mas isso não significava que a aeronave continuaria necessariamente na rota correta. Como não havia intervenção dos pilotos, o avião começou a se afastar progressivamente do trajeto previsto.

O controle de tráfego aéreo tentou contato diversas vezes, mas não recebeu resposta.

A situação só foi interrompida quando o copiloto despertou, percebeu os chamados e voltou a se comunicar com os controladores.

O piloto automático não deveria impedir que o avião saísse da rota?

Não. O piloto automático não funciona como um sistema completamente autônomo.

Sua função é manter determinados parâmetros definidos pela tripulação, como altitude, velocidade e direção. Ele não substitui os pilotos na comunicação com o controle de tráfego aéreo nem identifica sozinho que uma rota precisa ser modificada.

No caso da Batik Air, o sistema continuou executando as instruções que estavam programadas enquanto os dois homens dormiam.

Isso explica por que o avião permaneceu estável durante o período de incomunicabilidade, mesmo estando progressivamente fora da rota determinada.

Por que os exames médicos não identificaram que os pilotos estavam cansados?

Os exames de aptidão verificam condições físicas e médicas, mas não conseguem determinar simplesmente se alguém teve uma noite adequada de sono antes de assumir o comando de uma aeronave.

Os dois pilotos foram considerados aptos para trabalhar naquele dia.

O problema identificado posteriormente estava relacionado à fadiga, que pode ser influenciada por privação de sono, horários de trabalho, rotina pessoal e alterações no ciclo de descanso.

No caso do copiloto, as demandas familiares e a mudança de residência contribuíram para reduzir o descanso disponível antes da viagem.

O que a investigação descobriu sobre a Batik Air?

A investigação apontou que o problema não estava apenas na decisão individual dos dois pilotos.

Os procedimentos da companhia determinavam que fossem realizadas verificações periódicas na cabine, mas não deixavam suficientemente claro quem deveria ser responsável por executar essa tarefa.

Na prática, isso criou uma situação em que um piloto cansado poderia acabar sendo responsável por verificar o próprio estado de vigilância.

Para os investigadores, a ausência de procedimentos mais claros contribuiu para que a fadiga chegasse aos dois assentos da cabine simultaneamente.

Já houve outros casos de pilotos adormecidos durante voos?

Sim. A fadiga é um problema conhecido na aviação comercial e já apareceu em investigações de outros incidentes.

Em 2008, dois pilotos de uma aeronave da companhia Go! Airlines adormeceram durante um voo no Havaí, fazendo o avião ultrapassar o aeroporto de destino antes que a situação fosse percebida.

Outros acidentes e incidentes também levaram autoridades da aviação a discutir os efeitos da privação de sono e dos horários de trabalho sobre a capacidade de vigilância dos pilotos.

A diferença no caso da Batik Air foi o desfecho: o avião permaneceu estável e o copiloto acordou antes que a situação resultasse em uma tragédia.

O que pode ser feito para evitar que dois pilotos durmam ao mesmo tempo?

A investigação apontou a necessidade de tratar a fadiga como um risco operacional e não apenas como responsabilidade individual de cada piloto.

Entre as medidas discutidas estão:

  • Gestão de fadiga: estabelecer períodos adequados de descanso antes dos voos;
  • Procedimentos claros: determinar exatamente quem deve verificar a cabine em cada momento;
  • Comunicação segura: permitir que pilotos comuniquem cansaço sem receio de punições;
  • Monitoramento: desenvolver tecnologias capazes de identificar sinais de perda de vigilância;
  • Treinamento: reforçar a importância de reconhecer e comunicar sintomas de fadiga.

Como um voo normal terminou revelando uma falha de segurança?

O caso dos pilotos adormecidos mostra que uma aeronave pode estar funcionando normalmente e, ainda assim, enfrentar uma situação grave por causa de uma falha humana associada à fadiga.

O A320 manteve altitude e velocidade durante os 28 minutos, mas perdeu comunicação com o controle e se afastou da rota planejada enquanto os dois responsáveis pela cabine estavam dormindo.

O episódio terminou sem vítimas, mas serviu para mostrar que exames médicos e sistemas automáticos não são suficientes para garantir a segurança. O gerenciamento adequado do descanso e procedimentos capazes de impedir que dois pilotos fiquem incapacitados ao mesmo tempo também fazem parte da proteção de um voo.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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