A situação do Ebola na República Democrática do Congo (RDC) se agravou ainda mais e o atual surto já se tornou o mais letal da história do país. Dados atualizados até 15 de agosto apontam 4.945 casos confirmados e 2.325 mortes, superando as 2.299 mortes registradas durante o surto de 2018 a 2020.
O cenário preocupa porque a doença continua apresentando transmissão intensa e o número de vítimas aumentou rapidamente nas últimas semanas.
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Surto já supera o recorde anterior
A epidemia atual foi oficialmente declarada em maio de 2026, mas os primeiros casos provavelmente começaram a aparecer meses antes.
O surto é provocado pela variante Bundibugyo, uma espécie do vírus Ebola para a qual atualmente não existe vacina licenciada específica nem tratamento aprovado.
Com mais de 2,3 mil mortes confirmadas, a epidemia já ultrapassou o surto de 2018 a 2020, que anteriormente era considerado o mais grave da história da RDC.
Número de mortes cresce em ritmo acelerado
Um dos aspectos que mais preocupa as autoridades é a velocidade com que o surto está avançando.
Segundo dados divulgados nesta semana, o número de mortes chegou a 2.325, enquanto os casos confirmados alcançaram 4.945. Em apenas um dia de atualização, foram acrescentados 101 novos casos e 53 mortes aos registros oficiais.
A taxa de letalidade também aumentou significativamente. Segundo a Reuters, ela chegou a aproximadamente 47%, algo associado principalmente à demora na identificação dos casos e no início do atendimento médico.
Variante do Ebola dificulta combate à doença
O surto atual possui uma característica que dificulta ainda mais a resposta das autoridades.
O vírus responsável é o Bundibugyo ebolavirus, diferente da variante Zaire, que provocou grandes epidemias anteriores e para a qual existe uma vacina licenciada.
A OMS informa que candidatos a vacinas e tratamentos estão sendo avaliados, mas ainda estão em processo de testes.
Conflitos e falta de estrutura dificultam controle
A região afetada fica no leste da República Democrática do Congo, uma área marcada por conflitos armados, deslocamento de populações e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
A situação também é agravada pela desinformação e pela desconfiança de parte da população em relação aos centros de tratamento.
Esses fatores dificultam a identificação rápida dos pacientes e a localização das pessoas que tiveram contato com infectados.
Surto pode se tornar o maior da história
Embora já seja o mais letal da história da RDC, o atual surto ainda não é o maior em número de mortes entre todas as epidemias de Ebola registradas no mundo.
O recorde mundial continua pertencendo à epidemia que atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa entre 2014 e 2016, responsável por mais de 11 mil mortes.
O temor das autoridades é que a velocidade atual de transmissão faça o surto do Congo se aproximar desse recorde.
OMS reforça alerta internacional
A Organização Mundial da Saúde considera o cenário na RDC de risco muito alto, devido à transmissão contínua e à expansão para novas áreas de saúde.
A entidade trabalha com autoridades locais e parceiros internacionais para ampliar a vigilância, o diagnóstico e o atendimento aos pacientes.
Por enquanto, o surto permanece concentrado principalmente na República Democrática do Congo. Uganda também registrou casos da mesma variante, mas conseguiu controlar rapidamente a transmissão.
A situação, portanto, continua sendo acompanhada de perto pelas autoridades internacionais, principalmente devido à rápida evolução do número de casos e mortes e à ausência de uma vacina ou tratamento específico aprovado para a variante Bundibugyo.

