A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a emitir um alerta sobre o avanço do Ebola na República Democrática do Congo (RDC). O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a epidemia está “longe de estar sob controle” e que o risco de uma disseminação maior, inclusive para outros países, permanece elevado.
O alerta ocorre após um novo balanço das autoridades congolesas apontar que o atual surto já se tornou o mais letal registrado no território do país, com mais de 2.300 mortes e cerca de 5 mil casos confirmados.
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OMS considera risco muito alto na República Democrática do Congo
Segundo Tedros, a situação continua preocupante porque a doença avançou rapidamente desde que o surto foi declarado.
A OMS atualmente classifica o risco para a saúde pública como muito alto na República Democrática do Congo. Em Uganda e em outros países vizinhos, o nível é considerado alto. Já no restante da África e em outras regiões do mundo, a avaliação permanece baixa.
Apesar disso, a organização mantém a preocupação com a possibilidade de novos casos atravessarem as fronteiras.
Surto já supera 2.300 mortes
O número de mortes é um dos principais motivos para a preocupação internacional.
O balanço divulgado pelas autoridades da República Democrática do Congo aponta mais de 2.300 mortes e aproximadamente 5.000 casos confirmados. O resultado fez com que o atual surto ultrapassasse outros episódios registrados anteriormente no país em número de vítimas.
A velocidade de crescimento também chama atenção das autoridades sanitárias.
Onde o Ebola está avançando
A epidemia ocorre principalmente na República Democrática do Congo, especialmente em regiões do norte e do leste do país.
A situação é agravada pela fragilidade da presença do Estado em algumas dessas áreas e pela infraestrutura de saúde limitada, fatores que dificultam a identificação dos casos, o isolamento de pacientes e o rastreamento das pessoas que tiveram contato com infectados.
O país declarou oficialmente o surto em 15 de maio, depois de várias semanas de atraso na identificação da dimensão da epidemia.
Uganda e países vizinhos aumentam a vigilância
Com a proximidade geográfica das áreas afetadas, Uganda e outros países vizinhos elevaram o nível de vigilância.
A preocupação é evitar que pessoas infectadas atravessem as fronteiras sem serem identificadas e iniciem novas cadeias de transmissão.
Até o momento, a OMS considera o risco global baixo, mas destaca que o cenário pode mudar caso o vírus continue avançando para outras regiões.
Como o Ebola é transmitido
O Ebola é uma doença viral grave que pode provocar febre hemorrágica.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue e outras secreções. O risco de transmissão aumenta quando há contato próximo com pacientes doentes ou com pessoas que morreram em decorrência da infecção.
Segundo a OMS, o vírus já provocou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos.
OMS mantém emergência internacional
O atual surto levou a OMS a declarar uma emergência de saúde pública de importância internacional três meses antes do novo alerta.
Agora, diante do aumento de casos e mortes, Tedros reforçou que a situação ainda exige uma resposta internacional forte.
A avaliação da organização é de que o risco de disseminação nacional e internacional continua alto, motivo pelo qual o acompanhamento dos casos e a resposta das autoridades permanecem no centro das ações de controle.
Situação ainda exige atenção
Apesar de o risco global ser considerado baixo neste momento, a OMS não trata a epidemia como controlada.
O principal foco de preocupação continua sendo a República Democrática do Congo, onde o número de casos e mortes já tornou o surto o mais letal da história recente do país.
Para a organização, a prioridade agora é ampliar a vigilância, identificar rapidamente novos casos e impedir que a doença avance para outras regiões

