Uma menina de 8 anos morreu na Louisiana, nos Estados Unidos, após contrair uma rara infecção provocada pela Naegleria fowleri, organismo popularmente conhecido como “ameba comedora de cérebro”.
A família de Lillian Smart confirmou a morte da criança em uma publicação nas redes sociais. Segundo os pais, Daniel e Rebecca Smart, os danos provocados pela infecção no cérebro eram graves demais para que a menina conseguisse se recuperar.
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A criança estava internada desde 15 de agosto. Segundo autoridades de saúde da Louisiana, a infecção provavelmente foi contraída enquanto Lillian nadava no Lago Claiborne, no norte do estado.
O que aconteceu com a menina?
A família confirmou que Lillian foi vítima da infecção causada pela Naegleria fowleri. O Departamento de Saúde da Louisiana havia informado anteriormente que o estado registrara uma infecção confirmada pelo organismo, sem divulgar inicialmente a identidade da paciente.
De acordo com informações divulgadas por autoridades de saúde dos Estados Unidos, a ameba pode estar presente em água doce e morna. Ela entra normalmente pelo nariz e pode alcançar o cérebro, provocando uma infecção extremamente grave.
A doença é considerada rara. Segundo dados citados pelas autoridades americanas, os Estados Unidos registram, em média, menos de 10 casos por ano.
O que é a “ameba comedora de cérebro”?
A Naegleria fowleri é um organismo microscópico encontrado principalmente em ambientes de água doce, como lagos, rios, canais e lagoas. Sua presença é mais associada a águas mornas, especialmente durante períodos de temperaturas elevadas.
Quando a ameba entra pelo nariz, pode atingir o sistema nervoso central e provocar uma doença chamada meningoencefalite amebiana primária, conhecida pela sigla PAM.
A infecção evolui rapidamente e é considerada uma emergência médica extremamente grave.
Como a Naegleria fowleri chega ao cérebro?
O principal caminho conhecido ocorre quando água contaminada entra pelo nariz. A ameba pode então percorrer estruturas relacionadas ao sentido do olfato e chegar ao cérebro.
Isso é diferente de simplesmente beber água contaminada. O risco está principalmente associado à entrada da água pelas vias nasais durante atividades como nadar, mergulhar ou brincar em determinados ambientes de água doce.
Por esse motivo, autoridades de saúde recomendam cuidados adicionais em águas doces quentes, especialmente quando há possibilidade de a água entrar pelo nariz.
A doença é comum?
Não. A infecção provocada pela Naegleria fowleri é muito rara, apesar da gravidade.
Nos Estados Unidos, são registrados poucos casos anualmente, com ocorrência historicamente concentrada durante os meses mais quentes e principalmente em estados do sul.
Casos também já foram identificados em outras regiões americanas, mostrando que a ocorrência não está limitada exclusivamente aos estados tradicionalmente associados ao problema.
Por que o risco aumenta em águas quentes?
A Naegleria fowleri se desenvolve melhor em determinadas condições ambientais, especialmente em água doce com temperaturas elevadas.
Por isso, lagos, rios e outros ambientes naturais podem apresentar condições mais favoráveis ao organismo durante períodos de calor intenso.
Ainda assim, a presença da ameba em um determinado ambiente não significa que todas as pessoas que entram na água serão infectadas. A infecção continua sendo considerada extremamente rara.
Existe teste para descobrir a ameba na água?
Segundo o Departamento de Saúde da Louisiana, não existe um teste ambiental de rotina capaz de detectar a Naegleria fowleri em todos os corpos d’água.
Isso dificulta estabelecer uma avaliação permanente do risco em lagos, rios e outros ambientes naturais.
Por isso, as orientações de prevenção estão principalmente relacionadas à redução da possibilidade de entrada de água pelo nariz quando uma pessoa utiliza água doce quente.
Como reduzir o risco durante atividades em água doce?
Embora não seja possível eliminar completamente o risco em ambientes naturais, algumas medidas podem reduzir a exposição.
Entre os cuidados estão:
- Evitar mergulhar ou pular em águas doces quentes quando houver condições favoráveis ao organismo;
- Tentar impedir que a água entre pelo nariz;
- Utilizar proteção nasal apropriada durante atividades aquáticas, quando indicada;
- Evitar mexer no sedimento de áreas rasas e quentes;
- Seguir os avisos das autoridades locais sobre lagos, rios e outras áreas de recreação.
É importante lembrar que a infecção é rara e que essas recomendações não significam que toda água doce seja perigosa.
Comunidade se mobilizou para ajudar a família
A morte de Lillian provocou comoção em Ruston, cidade onde a menina vivia. Segundo informações da imprensa local, moradores organizaram uma campanha chamada “Love for Lillian” para apoiar a família.
Lojas e restaurantes da região destinaram parte da arrecadação de um dia à família, enquanto moradores também utilizaram camisetas com o nome da campanha.
O governador da Louisiana, Jeff Landry, também publicou uma mensagem de solidariedade após a morte da criança.
Uma infecção rara que pode evoluir rapidamente
A história de Lillian chama atenção justamente pela combinação entre a raridade da doença e sua gravidade. A Naegleria fowleri não provoca infecções frequentes, mas, quando consegue entrar pelo nariz e atingir o sistema nervoso central, pode causar uma doença devastadora.
O caso também reforça a importância de seguir orientações de autoridades de saúde durante atividades em lagos, rios e outros ambientes de água doce, principalmente em períodos de temperaturas elevadas.

