Adeus tijolos: casal que sonhava viver longe da cidade ergue casa de 100 m² usando 2 contêineres descartados e evita uma grande dívida imobiliária; Será que vale a pena?

Gabriela Calvo e Marco Peralta queriam deixar a rotina urbana de San José, na Costa Rica, e encontrar uma maneira de viver na propriedade onde mantinham seus cavalos. O problema era o custo de uma construção convencional e o receio de assumir uma dívida imobiliária.

A solução encontrada pelo casal foi pouco tradicional: uma casa de contêiner projetada pelo arquiteto Benjamin García Saxe e construída a partir de dois módulos marítimos descartados.

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Batizado de Containers of Hope, o projeto resultou em uma residência de aproximadamente 100 metros quadrados, com quartos, sala, cozinha e espaços de convivência. A documentação do Studio Saxe registra que o imóvel foi concluído em 2011 e teve custo final informado de US$ 40 mil.

O valor, porém, esteve ligado às características específicas daquela obra, incluindo a participação dos próprios moradores na construção, o reaproveitamento de materiais e escolhas de acabamento feitas para a propriedade.

Como dois contêineres viraram uma casa de 100 m²?

Os dois módulos marítimos de 40 pés foram colocados sobre fundações e posicionados paralelamente, deixando um espaço entre eles.

Essa configuração criou uma área central de convivência protegida por uma cobertura elevada. Os contêineres concentraram os ambientes mais privados, enquanto o espaço entre os módulos passou a funcionar como uma extensão da área social.

A disposição também permitiu abrir janelas em diferentes direções e criar uma relação mais próxima entre os ambientes internos e a paisagem.

Apesar de partir de estruturas utilizadas originalmente para transporte de cargas, o projeto exigiu diversas adaptações para transformar os módulos em uma residência.

As paredes receberam grandes aberturas para portas e janelas, além de isolamento térmico, esquadrias, instalações elétricas e hidráulicas, pisos e divisórias internas.

Ou seja, a casa de contêiner não foi simplesmente montada colocando dois módulos sobre o terreno. A transformação envolveu fundação, cortes na estrutura, isolamento e todos os sistemas necessários para uma moradia.

Por que o casal escolheu morar em uma casa de contêiner?

A principal motivação estava no desejo de sair da rotina urbana sem comprometer excessivamente o orçamento familiar.

Gabriela e Marco queriam permanecer próximos dos cavalos que mantinham na propriedade e, ao mesmo tempo, encontrar uma alternativa à construção tradicional.

A proposta permitiu combinar o reaproveitamento de estruturas existentes com um projeto arquitetônico pensado especificamente para o terreno.

A residência ficou localizada a cerca de 20 minutos de San José, permitindo que o casal tivesse acesso relativamente rápido à capital sem abrir mão de uma rotina mais próxima da natureza.

A casa de contêiner também aproveitou materiais retirados dos módulos

Durante a transformação dos contêineres, algumas partes das paredes precisaram ser removidas para criar as grandes aberturas das janelas.

Em vez de simplesmente descartar todo esse material, parte das chapas metálicas retiradas foi reaproveitada na cobertura elevada da área central.

A solução ajudou a reduzir o desperdício e também passou a fazer parte da estratégia de ventilação da residência.

O espaço entre os dois módulos e a diferença de altura da cobertura favoreceram a circulação do ar, ajudando a retirar o ar quente dos ambientes.

A entrada de luz natural também foi ampliada, criando uma conexão visual maior entre o interior da casa e o terreno.

Como funciona a ventilação da residência?

A arquitetura foi pensada para aproveitar as condições naturais do terreno.

As aberturas posicionadas em diferentes pontos permitem a circulação do ar pelos ambientes. O espaço central entre os contêineres também contribui para criar uma área mais aberta e ventilada.

Essa estratégia foi especialmente importante em uma residência construída com estruturas metálicas, já que o controle térmico é uma das questões que precisam ser consideradas em projetos desse tipo.

O isolamento adequado das paredes e da cobertura também faz parte da adaptação necessária para transformar um módulo de transporte em um espaço habitável.

O casal participou da construção da própria casa

Um dos fatores que ajudaram a manter o orçamento informado pelo projeto foi a participação direta dos moradores.

Marco e Gabriela executaram parte dos trabalhos com auxílio de dois profissionais. A experiência do casal com processos industriais também contribuiu para a execução de determinadas etapas.

A participação dos proprietários fez diferença porque uma parcela da mão de obra não foi contratada da mesma maneira que seria em uma construção convencional.

Por isso, os US$ 40 mil registrados no projeto não devem ser interpretados como um preço padrão para qualquer casa de contêiner.

Transporte dos módulos, terreno, fundações, mão de obra, isolamento, instalações e acabamentos podem alterar bastante o custo de uma residência desse tipo.

Móveis e acabamentos também ajudaram a reduzir os gastos

O casal adotou outras estratégias para controlar o orçamento.

Os armários da cozinha foram adquiridos em uma loja local de ferragens, enquanto parte dos móveis utilizados na nova residência já pertencia ao casal e veio da casa anterior.

Essas escolhas permitiram aproveitar itens que já estavam disponíveis, evitando que todo o mobiliário precisasse ser comprado novamente.

O projeto também utilizou soluções simples de acabamento para manter a proposta econômica sem abandonar os elementos necessários para o conforto dos moradores.

A casa de contêiner ficou integrada à paisagem

Um dos principais elementos do projeto é justamente a relação entre a residência e o terreno.

As grandes aberturas permitem visualizar a área externa, enquanto o espaço central funciona como uma espécie de varanda protegida.

Para um casal que decidiu deixar a cidade principalmente para viver mais próximo dos animais e da natureza, essa integração fazia parte do conceito da residência.

Os cavalos e a paisagem passaram a fazer parte da experiência cotidiana da casa, enquanto a configuração dos módulos ajudou a criar diferentes pontos de observação do terreno.

Dois contêineres não significam uma obra simples

Embora a ideia de utilizar módulos marítimos possa parecer uma maneira rápida de construir, o projeto mostra que transformar um contêiner em residência exige muito mais do que transportar a estrutura até o terreno.

É necessário considerar a fundação, cortes estruturais, isolamento térmico, proteção contra umidade, instalações elétricas e hidráulicas, portas, janelas, revestimentos e todos os requisitos aplicáveis à construção.

A estrutura original precisa ser adaptada para cumprir uma função completamente diferente daquela para a qual foi criada.

Por isso, uma casa de contêiner pode reduzir determinadas etapas ou aproveitar uma estrutura já existente, mas não elimina os custos e cuidados de uma obra residencial.

O projeto de US$ 40 mil ainda serve de inspiração?

Sim, mas o orçamento precisa ser analisado dentro do contexto da obra.

O Containers of Hope foi concluído em 2011, em condições específicas, com participação direta dos moradores e aproveitamento de materiais e móveis.

O custo atual de uma construção semelhante pode ser muito diferente dependendo do local e das exigências do projeto.

No Brasil, por exemplo, transporte, preparação do terreno, disponibilidade de contêineres, mão de obra, isolamento e legislação podem alterar significativamente o valor final.

O mais interessante no projeto de Gabriela e Marco, portanto, não é simplesmente o número apresentado no orçamento, mas a combinação de reaproveitamento, autoconstrução e arquitetura para criar uma residência adequada ao estilo de vida do casal.

Uma alternativa aos tijolos, mas não às etapas de uma obra

A residência projetada por Benjamin García Saxe mostra como dois módulos que originalmente seriam utilizados para transportar cargas podem ganhar uma segunda função.

A partir de dois contêineres, o projeto criou aproximadamente 100 metros quadrados de área residencial, com ambientes integrados à paisagem e soluções de ventilação natural.

A participação dos próprios moradores, o reaproveitamento das chapas metálicas e o uso de móveis que já pertenciam ao casal ajudaram a controlar os custos daquela construção.

A história também deixa uma lição importante para quem pensa em construir uma casa de contêiner: trocar os tijolos por módulos metálicos não significa eliminar a complexidade de uma obra.

É preciso adaptar a estrutura, criar isolamento, instalar sistemas residenciais e garantir que o imóvel seja adequado para habitação.

No caso de Gabriela e Marco, a escolha permitiu transformar uma antiga estrutura de transporte em uma casa para viver perto dos cavalos e da natureza, sem seguir o caminho tradicional de uma construção convencional.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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