Existe um cheiro que algumas pessoas associam imediatamente a casas de parentes mais velhos. Não é necessariamente suor, perfume ou falta de higiene. Esse odor pode estar relacionado a mudanças naturais que acontecem na pele com o passar dos anos.
O chamado “cheiro de velho” tem uma explicação química. Um dos principais compostos estudados nesse processo é o 2-nonenal, uma molécula formada quando determinadas gorduras presentes na pele sofrem oxidação.
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O que acontece com a pele ao longo dos anos
A pele possui uma camada de substâncias oleosas chamadas lipídios. Elas ajudam a manter a hidratação e protegem o organismo contra agressões externas.
Com o envelhecimento, algumas dessas gorduras podem sofrer processos de oxidação. A degradação desses compostos pode produzir novas moléculas, entre elas o 2-nonenal.
Um estudo publicado em 2001 no Journal of Investigative Dermatology analisou amostras de odor corporal de pessoas entre 26 e 75 anos. O 2-nonenal foi encontrado nos participantes com 40 anos ou mais.
Os pesquisadores também observaram aumento de determinados ácidos graxos insaturados e peróxidos lipídicos com o envelhecimento. A degradação dessas substâncias por oxidação está relacionada à formação do composto.
Por isso, a pesquisa indica uma relação entre o envelhecimento da pele e a mudança do odor corporal, mas não permite afirmar que o chamado “cheiro de velho” começa exatamente aos 30 anos.
Por que o banho não elimina completamente o cheiro
O odor corporal pode surgir por diferentes motivos. Suor, secreções da pele, microrganismos, roupas, temperatura e ambiente podem influenciar o cheiro percebido.
No caso do 2-nonenal, porém, a origem está relacionada principalmente à degradação oxidativa de gorduras da própria pele.
Isso significa que uma pessoa pode manter bons hábitos de higiene e ainda apresentar mudanças naturais no odor corporal. Banhos, roupas limpas e ambientes ventilados ajudam a reduzir o acúmulo de outras substâncias, mas não interrompem completamente os processos naturais da pele.
A intensidade também não é igual para todo mundo. Alimentação, medicamentos, genética, tabagismo, álcool, microbiota da pele, doenças, atividade física e ventilação do ambiente podem influenciar o odor de cada pessoa.
O cheiro de velho não é necessariamente ruim
A expressão popular costuma transmitir uma ideia negativa. Mas pesquisas mostram que o odor associado às pessoas mais velhas não é necessariamente o mais desagradável.
Em um experimento publicado na revista PLOS ONE, pesquisadores analisaram amostras de odor de pessoas jovens, de meia-idade e idosas.
Os participantes mais jovens conseguiram identificar com maior facilidade as amostras provenientes do grupo mais velho. Porém, o odor das pessoas idosas foi considerado menos intenso e menos desagradável do que os aromas dos grupos jovem e de meia-idade.
A forma como cada pessoa percebe um cheiro também depende de fatores além da composição química. Memórias, experiências e o ambiente podem influenciar a sensação causada por determinado aroma.
Quando uma mudança no cheiro pode ser um sinal de alerta
As alterações naturais associadas ao envelhecimento não significam que exista uma doença. Porém, uma mudança repentina ou muito intensa no odor corporal pode merecer atenção.
Infecções, alterações metabólicas, problemas nos rins ou no fígado, mudanças hormonais e alguns medicamentos podem modificar o cheiro do corpo.
O odor, sozinho, não permite identificar uma doença. Mas quando uma mudança persistente aparece junto com outros sintomas, pode ser importante procurar avaliação de um profissional de saúde.
Mais do que uma questão de aparência ou higiene, o chamado “cheiro de velho” mostra como o organismo muda ao longo da vida. A idade pode alterar a pele, o metabolismo e também a composição química das substâncias presentes na superfície do corpo.

