Um grupo de ex-funcionários das Casas Bahia realizou um protesto em frente a uma loja da rede em Bonsucesso, na zona norte do Rio de Janeiro, na segunda-feira (8). Durante o ato, trabalhadores e representantes do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro queimaram uniformes da empresa e cobraram uma solução para os valores que, segundo a entidade, ainda não foram pagos.
O protesto acontece poucas semanas depois de uma onda de demissões promovida pelo Grupo Casas Bahia e do pedido de recuperação judicial apresentado pela companhia em agosto. A empresa informou à Justiça que enfrenta dívidas de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.
LEIA TAMBÉM:
- Casas Bahia vende geladeiras, fogões, máquinas de lavar, micro-ondas e fornos elétricos a partir de R$ 240
- Morador instala câmera no portão para proteger a casa, mas descobre que equipamento também filma o vizinho e precisa mudar o ângulo, se não Justiça deverá intervir
- Fazendeiro arremata terreno por R$ 110 mil em leilão, mas chega ao local e descobre que antigo dono se recusa a sair
Segundo informações divulgadas pelo sindicato e repercutidas por veículos de imprensa, cerca de 1.900 trabalhadores foram atingidos pelas dispensas coletivas que acabaram suspensas judicialmente.
A situação ganhou um novo capítulo porque a Justiça do Trabalho determinou o restabelecimento provisório dos vínculos desses empregados, e o Tribunal Superior do Trabalho manteve a liminar posteriormente.
Enquanto a disputa judicial continua, parte dos trabalhadores afirma que ainda enfrenta dificuldades para receber verbas relacionadas ao desligamento.
Por que os ex-funcionários das Casas Bahia fizeram o protesto?
O ato foi organizado para cobrar o pagamento de direitos trabalhistas e chamar atenção para a situação dos trabalhadores atingidos pelas demissões.
Segundo o sindicato, muitos dos ex-funcionários dispensados em agosto ainda aguardavam valores relacionados à rescisão contratual. A entidade também afirmou que algumas pessoas precisaram recorrer a “vaquinhas” para conseguir pagar despesas básicas.
O protesto ocorreu em uma loja da rede em Bonsucesso e teve como uma das ações simbólicas a queima de uniformes utilizados pelos trabalhadores.
O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, afirmou que novas mobilizações devem ocorrer em outras unidades das Casas Bahia.
Quantos trabalhadores foram demitidos pelas Casas Bahia?
Existem números diferentes porque o processo de reestruturação da empresa envolveu mais de uma etapa e diferentes grupos de trabalhadores.
De acordo com informações apresentadas no processo trabalhista, cerca de 1.900 empregados foram atingidos pelas dispensas coletivas realizadas entre 13 e 17 de agosto. A decisão judicial trata especificamente desse grupo.
Ao mesmo tempo, reportagens publicadas durante a crise empresarial informaram que o grupo havia anunciado o fechamento de 298 lojas e a dispensa de aproximadamente 3.000 trabalhadores como parte de seu plano de reestruturação.
Por isso, os números precisam ser apresentados dentro do contexto de cada etapa do processo.
Por que a Justiça suspendeu as demissões?
A controvérsia central está relacionada à ausência de intervenção sindical prévia.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) questionou judicialmente as dispensas e sustentou que as demissões coletivas foram realizadas sem a participação prévia das entidades representativas dos trabalhadores.
A 11ª Vara do Trabalho de Brasília concedeu liminar suspendendo os efeitos das dispensas e determinando o restabelecimento provisório dos vínculos jurídicos e econômicos dos trabalhadores atingidos.
A decisão também determinou o restabelecimento dos benefícios assistenciais cancelados em razão das dispensas.
O TST manteve a decisão contra as Casas Bahia?
Sim.
Em 2 de setembro de 2026, o Tribunal Superior do Trabalho manteve a liminar que havia suspendido as demissões coletivas realizadas pelo Grupo Casas Bahia.
O recurso apresentado pela empresa contra a decisão não foi acolhido, e a determinação de restabelecimento provisório dos vínculos continuou válida.
O caso, porém, ainda não representa uma decisão definitiva sobre todas as questões envolvendo as demissões.
A empresa continua recorrendo, e a discussão judicial segue em andamento.
Os trabalhadores foram reintegrados?
A decisão judicial determinou o restabelecimento provisório dos vínculos, salários e benefícios dos trabalhadores abrangidos.
Isso não significa necessariamente que todas as lojas fechadas foram reabertas ou que cada trabalhador voltou fisicamente ao mesmo posto onde trabalhava antes.
A própria decisão destacou que o restabelecimento jurídico dos contratos não implica automaticamente a reabertura das 298 unidades encerradas.
É uma diferença importante: a Justiça suspendeu provisoriamente os efeitos das dispensas, mas a situação operacional de cada loja é uma questão diferente.
O que os trabalhadores dizem sobre os pagamentos atrasados?
As denúncias mais recentes indicam problemas com diferentes valores devidos após os desligamentos.
Levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), divulgado nesta semana, ouviu 38 trabalhadores de oito estados. Entre eles, 26 relataram problemas relacionados às rescisões, 12 apontaram dificuldades com FGTS e multa de 40% e 10 disseram não conseguir acessar o seguro-desemprego.
Outra reportagem informou que ex-funcionários também relataram não ter recebido verbas rescisórias, além de dificuldades para acessar FGTS e seguro-desemprego.
Esses números representam relatos coletados pela entidade e não significam que todos os trabalhadores enfrentem exatamente o mesmo problema.
Por que a recuperação judicial complica os pagamentos?
A situação financeira da Casas Bahia é um dos elementos centrais da crise.
Em 16 de agosto, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.
O processo de recuperação judicial cria regras próprias para a reorganização das dívidas da empresa e para o tratamento dos diferentes credores.
No caso dos trabalhadores dispensados, isso pode afetar a forma e o momento de recebimento de determinados valores, dependendo da natureza do crédito e das decisões tomadas no processo.
Por isso, o atraso relatado pelos ex-funcionários acontece dentro de uma crise financeira muito maior.
A recuperação judicial significa que os trabalhadores perderam seus direitos?
Não.
Entrar em recuperação judicial não significa que a empresa deixa de ter obrigações trabalhistas.
O objetivo do procedimento é reorganizar a situação financeira da companhia e permitir sua recuperação, dentro das regras previstas na legislação.
No caso das Casas Bahia, a própria Justiça trabalhista determinou o restabelecimento provisório dos vínculos dos empregados abrangidos pela liminar, mostrando que a crise financeira da empresa não afasta automaticamente as questões relacionadas aos contratos de trabalho.
A forma de pagamento de eventuais créditos, entretanto, precisa ser analisada dentro do processo de recuperação.
Trabalhadores com estabilidade também foram demitidos?
O sindicato afirma que entre os trabalhadores afetados existem pessoas que possuíam algum tipo de estabilidade, incluindo gestantes e jovens aprendizes.
A entidade também relatou casos de pessoas desligadas durante as férias.
Essas afirmações fazem parte das denúncias apresentadas pelos representantes dos trabalhadores e podem ser objeto de análise individual.
Uma eventual estabilidade decorrente de gestação, acidente de trabalho ou outra hipótese legal possui requisitos próprios, portanto não basta pertencer a uma dessas categorias para concluir automaticamente que uma dispensa foi ilegal.
Funcionários antigos também foram atingidos?
Segundo o sindicato, sim.
A entidade afirma que havia trabalhadores com 15, 20 e até 30 anos de empresa entre os desligados.
Para essas pessoas, além da perda imediata da renda, a interrupção do vínculo pode envolver outras questões relacionadas a verbas rescisórias, benefícios e tempo de serviço.
A dimensão das demissões também ajuda a explicar por que o caso acabou gerando mobilizações sindicais e ações na Justiça do Trabalho.
A empresa demitiu funcionários pelo WhatsApp?
O sindicato também afirma ter recebido relatos de trabalhadores comunicados sobre a dispensa por meio do WhatsApp.
Esse tipo de relato precisa ser analisado individualmente porque a forma de comunicação da dispensa não é, sozinha, suficiente para determinar a validade de todo o desligamento.
No processo coletivo envolvendo as Casas Bahia, o principal questionamento judicial foi outro: a ausência de intervenção sindical prévia nas dispensas coletivas.
O que significa uma demissão coletiva?
Uma demissão coletiva envolve o desligamento simultâneo de um número significativo de trabalhadores como parte de uma decisão empresarial mais ampla.
No Brasil, o Supremo Tribunal Federal já estabeleceu, no Tema 638, que a intervenção sindical prévia é requisito procedimental para dispensas em massa.
Foi justamente esse entendimento que serviu de base para a discussão envolvendo o Grupo Casas Bahia.
A Justiça trabalhista entendeu, em caráter provisório, que as dispensas questionadas deveriam ter passado pela intervenção sindical antes de serem efetivadas.
A Casas Bahia tentou derrubar a decisão?
Sim.
A companhia apresentou recursos para tentar suspender ou reverter a determinação que restabeleceu provisoriamente os vínculos dos trabalhadores.
Em 24 de agosto, uma decisão do TRT da 10ª Região extinguiu o mandado de segurança apresentado pela empresa, mantendo em vigor a liminar anterior.
Posteriormente, o TST também manteve a decisão provisória.
Isso significa que, até o momento, a disputa judicial não foi encerrada.
O que a empresa diz sobre a situação?
Nas manifestações divulgadas durante a crise, a Casas Bahia afirmou respeitar as decisões judiciais e adotar as medidas processuais cabíveis.
A empresa também relacionou o processo de reestruturação à necessidade de preservar a continuidade e a sustentabilidade do negócio.
Em relação à recuperação judicial, a companhia apresentou o pedido como uma medida destinada a reorganizar sua situação financeira diante do elevado volume de dívidas.
Por que a empresa entrou em recuperação judicial?
O Grupo Casas Bahia protocolou o pedido em agosto para reorganizar uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões.
A companhia apontou dificuldades econômico-financeiras, incluindo juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro.
O pedido ocorreu poucos dias depois do anúncio do fechamento de centenas de lojas e das dispensas de milhares de trabalhadores.
Assim, a crise trabalhista e a recuperação judicial estão relacionadas ao mesmo processo de reestruturação da empresa, embora cada uma tenha suas próprias consequências jurídicas.
O que acontece com os salários e benefícios dos trabalhadores abrangidos pela liminar?
A decisão judicial determinou o restabelecimento provisório dos vínculos jurídicos e econômicos dos empregados afetados.
Isso inclui o restabelecimento dos salários e dos benefícios contratuais ou assistenciais que haviam sido cancelados em razão da dispensa.
O objetivo da medida é devolver provisoriamente aos trabalhadores a situação existente antes dos desligamentos questionados.
A decisão, contudo, continua sendo provisória e está sujeita à evolução do processo judicial.
O protesto pode continuar?
Segundo o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, sim.
O presidente da entidade afirmou que novas mobilizações deverão ocorrer em outras unidades da Casas Bahia.
A estratégia sindical é pressionar a empresa para que os trabalhadores recebam os valores considerados devidos e para que as questões envolvendo as demissões sejam discutidas.
Enquanto a Justiça analisa os recursos, manifestações desse tipo tendem a manter o caso em evidência.
O que está acontecendo com os ex-funcionários que ainda não receberam?
Os relatos mais recentes mostram que alguns trabalhadores enfrentam dificuldades financeiras enquanto aguardam a solução da situação.
A CNTC informou que há pessoas com problemas para receber rescisões, acessar o FGTS e obter o seguro-desemprego.
Segundo entidades representativas, algumas famílias chegaram a recorrer a campanhas de arrecadação para custear despesas básicas.
Esses relatos ajudam a dimensionar o impacto concreto da crise para quem perdeu a renda justamente no momento em que a empresa passou por uma reestruturação de grande porte.
Por que a Justiça determinou a negociação com os sindicatos?
O entendimento utilizado no processo está relacionado à necessidade de intervenção sindical prévia em demissões coletivas.
A lógica é que uma dispensa em massa não deve ser tratada exatamente da mesma maneira que uma demissão individual, já que um número expressivo de trabalhadores é afetado por uma mesma decisão empresarial.
No caso das Casas Bahia, a Justiça considerou, em caráter provisório, que a ausência desse diálogo prévio justificava a suspensão dos desligamentos realizados entre 13 e 17 de agosto.
A decisão significa que todos os trabalhadores voltarão às lojas?
Não necessariamente.
O que foi determinado é o restabelecimento provisório dos vínculos jurídicos e econômicos dos trabalhadores abrangidos pela decisão.
Isso não equivale à reabertura automática de todas as unidades encerradas durante a reestruturação.
Como parte das lojas foi efetivamente fechada, a situação operacional dos empregados pode exigir outras medidas enquanto a disputa judicial continua.
O protesto das Casas Bahia é uma disputa apenas sobre salários?
Não.
Existem pelo menos duas questões diferentes.
A primeira é o pagamento das verbas relacionadas aos trabalhadores que foram desligados e que, segundo entidades sindicais, ainda aguardam valores.
A segunda é a própria validade das demissões coletivas, que foi questionada judicialmente pela falta de intervenção sindical prévia.
As duas situações acontecem ao mesmo tempo e se cruzam com o processo de recuperação judicial da companhia.
O que pode acontecer agora com as Casas Bahia?
A empresa segue tentando reverter as decisões trabalhistas enquanto conduz o processo de recuperação judicial.
Do lado dos trabalhadores, os sindicatos e entidades de representação continuam pressionando por negociação e pagamento dos valores considerados devidos.
A Justiça terá de continuar analisando os recursos relacionados às demissões coletivas, enquanto o processo de recuperação judicial seguirá seu próprio cronograma.
Por isso, a situação ainda pode sofrer mudanças nas próximas semanas.
Por que os uniformes foram queimados durante o protesto?
A queima dos uniformes teve caráter simbólico.
Os trabalhadores utilizaram peças associadas à empresa para demonstrar insatisfação com a forma como as dispensas e os pagamentos foram conduzidos, segundo a organização do protesto.
O ato ocorreu justamente em frente a uma unidade da rede no Rio de Janeiro e buscou chamar a atenção para os ex-funcionários que afirmam continuar sem receber valores relacionados ao desligamento.
Casas Bahia vive crise que mistura demissões, recuperação judicial e protestos
A situação envolvendo as Casas Bahia ultrapassou o ambiente das lojas e chegou às ruas, aos tribunais e ao processo de recuperação judicial.
De um lado, a empresa tenta reorganizar uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões e executar um plano de reestruturação que envolveu o fechamento de 298 unidades e milhares de desligamentos.
De outro, sindicatos questionam a forma como as demissões coletivas foram realizadas e cobram o pagamento dos direitos dos trabalhadores.
A Justiça do Trabalho já determinou o restabelecimento provisório dos vínculos de cerca de 1.900 empregados, e o TST manteve essa liminar em setembro.
Ao mesmo tempo, ex-funcionários continuam relatando dificuldades para receber rescisões, FGTS e seguro-desemprego.
Foi nesse cenário que trabalhadores chegaram a queimar uniformes em um protesto no Rio de Janeiro.
A manifestação, portanto, é apenas mais um capítulo de uma crise que envolve demissões coletivas, direitos trabalhistas, recuperação judicial e uma batalha judicial que ainda está longe de terminar.

