Tradicional fábrica de sorvetes do Sul entra em recuperação judicial após 56 anos

Sorvelândia, tradicional fábrica de sorvetes do Sul, pede recuperação judicial após 56 anos. Empresa aponta dívidas e mais.

Uma tradicional fábrica de sorvetes do Rio Grande do Sul entrou com pedido de recuperação judicial depois de mais de cinco décadas de atividade. A Sorvelândia, nome comercial da Produtos Alimentícios Macorteza Ltda., protocolou o pedido na Vara Regional Empresarial de Caxias do Sul com o objetivo de reorganizar as dívidas e preservar a operação.

Fundada em 1970, a empresa mantém suas atividades e continua fabricando, distribuindo e comercializando sorvetes, picolés, doces gelados e outros produtos congelados.

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A recuperação judicial, portanto, não significa que a fábrica tenha fechado. A proposta é justamente buscar uma reorganização financeira para evitar que cobranças individuais comprometam a continuidade do negócio.

Empresa acumula R$ 80 milhões em obrigações

Segundo a documentação apresentada à Justiça, a Sorvelândia possui R$ 13,4 milhões em créditos sujeitos à recuperação judicial.

O passivo está dividido entre diferentes categorias de credores. A maior parcela corresponde aos créditos quirografários, que somam aproximadamente R$ 10,99 milhões.

Também aparecem cerca de R$ 770,2 mil em créditos trabalhistas e R$ 1,16 milhão relacionados a microempresas e empresas de pequeno porte. Já o passivo declarado nas projeções contábeis da companhia, considerando obrigações de diferentes naturezas, chega a aproximadamente R$ 80 milhões.

O que levou a fábrica à crise?

A empresa atribui a situação financeira a uma combinação de fatores acumulados ao longo dos últimos anos.

Entre eles estão o aumento da concorrência no mercado de sorvetes, a redução das margens comerciais, a sazonalidade do consumo, os efeitos econômicos da pandemia e o encarecimento do crédito.

A companhia também cita os juros elevados e o aumento dos custos de matérias-primas, embalagens, energia elétrica e logística refrigerada.

Outro fator apontado pela Sorvelândia foram as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. De acordo com a petição apresentada à Justiça, alguns insumos e embalagens plásticas chegaram a registrar aumentos próximos de 70% em determinados períodos.

Sorvelândia afirma que continua com operação ativa

Apesar da crise financeira, a empresa sustenta que o problema não está na falta de mercado ou de capacidade produtiva.

Segundo a documentação apresentada no processo, a Sorvelândia continua contando com estrutura industrial, marca consolidada, clientes, fornecedores, trabalhadores e capacidade de geração de receita.

A recuperação judicial busca justamente adequar o volume das obrigações financeiras ao fluxo de caixa disponível para que a atividade possa continuar.

Empresa começou com apenas dois carrinhos de picolé

A história da Sorvelândia começou em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, a partir de uma pequena produção artesanal da família Zadra.

Segundo a petição, os primeiros produtos eram vendidos por meio de apenas dois carrinhos de picolé.

Ao longo das décadas, a empresa ampliou a estrutura industrial, incorporou tecnologia e diversificou o portfólio. A operação passou a atender diferentes regiões do Rio Grande do Sul e também Santa Catarina.

Entre os produtos estão sorvetes sem lactose, gelatos, itens à base de açaí e opções sem adição de açúcar.

O que acontece agora?

Antes do pedido principal de recuperação judicial, a Sorvelândia havia conseguido uma tutela cautelar que antecipou os efeitos do chamado stay period, suspendendo por 30 dias execuções e atos de constrição contra a companhia.

Com o andamento do processo, o próximo passo será a apresentação do Plano de Recuperação Judicial.

Pelas regras aplicáveis, o plano deverá detalhar como a empresa pretende reorganizar suas obrigações. Depois, os credores poderão analisar as condições propostas e participar da votação prevista no processo de recuperação judicial.

Marca tradicional tenta preservar a operação

A entrada da Sorvelândia em recuperação judicial marca uma nova fase para uma empresa que começou pequena e construiu uma trajetória de 56 anos no mercado de sorvetes.

Apesar do tamanho das dívidas, a companhia afirma que mantém sua operação, estrutura produtiva e capacidade de gerar receitas.

Agora, o processo judicial deverá definir as condições para que a empresa reorganize suas obrigações financeiras e tente preservar a atividade construída desde 1970.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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