O Brasil pode passar por uma sequência de ondas de calor até o fim de 2026. Uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), baseada no comportamento das temperaturas em anos de El Niño, aponta para uma média de até seis episódios entre agosto e dezembro.
O cenário chama atenção porque o país está sob influência de um El Niño que pode alcançar intensidade muito forte. O Painel El Niño 2026-2027, que reúne informações de órgãos como Cemaden, INMET e INPE, indica probabilidade superior a 90% de ocorrência de um evento muito forte entre setembro e novembro.
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A intensidade do fenômeno pode contribuir para temperaturas acima da média em diferentes áreas do país. O Cemaden também aponta que anos de El Niño tendem a apresentar maior frequência de ondas de calor.
Análise considera décadas de registros

Para avaliar o comportamento das ondas de calor, o Cemaden analisou registros de temperatura acumulados ao longo de décadas. O estudo mostra que esses eventos extremos vêm aumentando no Brasil e se tornaram mais frequentes desde o início dos anos 2000.
Segundo o órgão, o país apresenta historicamente uma média de 8 a 14 ondas de calor por ano, com destaque para as regiões Sul e Sudeste. A definição utilizada considera como onda de calor um período de pelo menos três dias consecutivos com temperaturas máximas entre os 10% mais elevados registrados para a região.
O levantamento também aponta que os anos de 2023, 2024 e 2025 tiveram números elevados de ondas de calor no território brasileiro.
El Niño pode aumentar o risco de calor e incêndios
O cenário previsto para os próximos meses não envolve apenas temperaturas elevadas. Em algumas regiões, a combinação de calor acima da média e menor volume de chuva pode aumentar a vulnerabilidade à seca e aos incêndios florestais.
O boletim mais recente do Painel El Niño indica temperaturas acima da média em grande parte do Brasil durante o trimestre setembro-outubro-novembro. Para áreas do Norte, Nordeste e Brasil Central, também há previsão de chuvas abaixo da média.
Na Amazônia Legal e no Pantanal, por exemplo, a combinação de temperaturas elevadas e chuva abaixo da média pode prolongar a estação seca, reduzir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais.
O Cemaden ressalta, porém, que os eventos extremos não são determinados exclusivamente pelo El Niño. Outros fatores climáticos também podem influenciar as condições observadas em cada região.

