Nestlé demite 16 mil funcionários, toma ‘atitude drástica’ após fechar duas fábricas e revela o que será feito no Brasil

Nestlé anuncia 16 mil cortes, fecha fábricas e surpreende ao revelar o que fará no Brasil; veja detalhes completos a seguir.

Uma das maiores empresas de alimentos e bebidas do mundo decidiu acelerar uma ampla reorganização que envolve 16 mil postos de trabalho e o encerramento de fábricas em diferentes países.

A Nestlé, dona de marcas conhecidas como Nescau, KitKat, Nescafé, Maggi e Purina, pretende concluir a maior parte das mudanças até o fim de 2027.

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Ao mesmo tempo em que reduz sua estrutura em determinados mercados, porém, a multinacional segue ampliando investimentos em outros países.

No Brasil, o movimento é justamente o oposto: a companhia anunciou R$ 7 bilhões em investimentos até 2028, inaugurou uma fábrica de R$ 2,5 bilhões e amplia unidades já existentes.

Nestlé vai cortar 16 mil postos de trabalho

O plano de redução foi anunciado em outubro de 2025 pelo CEO Philipp Navratil.

Ao todo, aproximadamente 16 mil posições deverão ser eliminadas ao longo de dois anos. Desse total, 12 mil correspondem a cargos administrativos e profissionais em diferentes países.

Outros 4 mil postos estão relacionados a programas de produtividade, principalmente nas áreas de fabricação e cadeia de suprimentos.

A companhia pretende simplificar processos, ampliar o uso de serviços compartilhados, aumentar a automação e reduzir estruturas consideradas duplicadas.

Com a reorganização, a Nestlé também elevou para 3 bilhões de francos suíços a meta de economia de seu programa Fuel for Growth até o fim de 2027.

A empresa justificou as mudanças como parte de uma estratégia para melhorar eficiência, margens e crescimento.

Fábrica da Nestlé fecha após mais de 100 anos na Alemanha

Uma das decisões mais simbólicas aconteceu na Alemanha.

A Nestlé encerrou a operação da fábrica de Neuss, próxima de Düsseldorf. A unidade empregava aproximadamente 145 pessoas e produzia itens como óleo, maionese e mostarda da marca Thomy.

A companhia citou fatores como aumento dos custos, maior sensibilidade dos consumidores aos preços, queda nos volumes produzidos e capacidade industrial ociosa para justificar o fechamento.

A produção terminou definitivamente em 9 de junho de 2026.

Depois disso, começou a desmontagem dos equipamentos industriais.

Parte da fabricação foi transferida para outras unidades. A maior parcela da produção de tubos de maionese e mostarda passou para a fábrica de Lüdinghausen, também na Alemanha.

A Nestlé anunciou cerca de € 13 milhões em investimentos nessa unidade e criou 30 postos de trabalho para oferecer oportunidades aos funcionários afetados pelo encerramento de Neuss.

Nestlé também fecha fábrica de chocolates

Outra unidade entrou no processo de encerramento em 2026.

Em julho, a Nestlé confirmou que vai interromper a produção da fábrica de Diósgyőr, na Hungria, em dezembro deste ano.

A unidade possui aproximadamente 220 funcionários e é especializada em figuras ocas de chocolate, incluindo produtos associados a períodos como Páscoa e Natal.

Entre as marcas fabricadas no local estão KitKat, Smarties e Milkybar.

Os produtos são destinados ao mercado húngaro e também exportados para mais de 20 países.

A fábrica possui cerca de 64 anos de história e teve participação importante na indústria de chocolates da Hungria.

Agora, a Nestlé decidiu interromper sua produção.

Queda na procura por chocolates pesou na decisão

No caso da fábrica húngara, a empresa apresentou uma justificativa específica para o encerramento.

Segundo a Nestlé, houve redução na demanda por chocolates sazonais, especialmente aqueles associados a datas comemorativas.

Com a queda na procura, a produção da unidade diminuiu significativamente.

Atualmente, Diósgyőr representa menos de 3% da receita da Nestlé na Hungria e 0,4% do volume industrial do país.

A companhia decidiu transferir a fabricação para um produtor externo, que deverá seguir os padrões estabelecidos pela Nestlé.

Portanto, o fechamento da fábrica não significa necessariamente que os produtos deixarão de ser vendidos.

Nestlé tenta encontrar comprador para fábrica

Existe ainda a possibilidade de o complexo industrial continuar funcionando sob outra empresa.

A Nestlé iniciou negociações para encontrar um investidor interessado em comprar a fábrica de Diósgyőr e manter uma operação de produção de alimentos ou chocolates no local.

As conversas estavam em andamento quando o encerramento da produção foi anunciado.

Caso um comprador seja encontrado, parte dos empregos poderá ser preservada, dependendo dos termos do acordo.

Outra fábrica da Nestlé foi vendida

Uma situação semelhante aconteceu em outra unidade alemã.

Em março de 2025, a Nestlé anunciou que deixaria de operar a fábrica de Conow, responsável por produtos das marcas Maggi e Garden Gourmet.

Inicialmente, aproximadamente 80 funcionários estavam envolvidos na unidade e a produção seria transferida para outras fábricas europeias.

A companhia, porém, encontrou um comprador.

Em novembro, a Nestlé confirmou a venda da fábrica para o grupo alemão Sprehe, que assumiu a unidade em 1º de janeiro de 2026.

Cerca de 70 funcionários também passaram para o novo proprietário.

Por isso, Conow não entra na conta das duas fábricas que tiveram a produção encerrada. A Nestlé deixou de operar a unidade, mas o complexo continuou funcionando sob outro controlador.

Cortes não significam que a Nestlé esteja falindo

Apesar dos milhares de postos que serão eliminados e dos fechamentos industriais, a situação não significa que a Nestlé esteja em recuperação judicial ou prestes a falir.

A companhia continua lucrativa.

No primeiro semestre de 2026, o grupo registrou 43,1 bilhões de francos suíços em vendas e lucro líquido de aproximadamente 3,47 bilhões de francos suíços.

O resultado representou queda de 31,4% em relação ao mesmo período de 2025, mas permaneceu positivo.

As vendas orgânicas também avançaram 3,6% no primeiro semestre.

Dessa forma, os cortes fazem parte principalmente de uma estratégia de redução de custos, aumento de eficiência e concentração de investimentos em marcas e mercados considerados mais promissores pela empresa.

Enquanto fecha fábricas no exterior, Nestlé investe bilhões no Brasil

O cenário brasileiro é diferente.

A Nestlé anunciou um novo ciclo de R$ 7 bilhões em investimentos no país entre 2025 e 2028.

Os recursos são destinados à modernização industrial, ampliação da capacidade produtiva, inovação e sustentabilidade.

A companhia considera o Brasil um de seus três principais mercados no mundo.

Diversas fábricas brasileiras estão incluídas no plano.

No Espírito Santo, a Nestlé amplia a unidade de Vila Velha, com novas linhas de chocolates, bombons e produtos que combinam biscoitos e chocolate.

Em Minas Gerais, a empresa expande a produção de Nescafé Dolce Gusto em Montes Claros e realiza novos investimentos na fábrica de Ituiutaba, ligada a produtos de nutrição.

Já em Araras, São Paulo, a companhia instala uma nova linha para extração de café solúvel.

Nova fábrica da Purina recebe R$ 2,5 bilhões

O maior exemplo da expansão brasileira apareceu em março de 2026.

A Nestlé Purina inaugurou uma nova fábrica em Vargeão, Santa Catarina, após um investimento de R$ 2,5 bilhões.

A unidade produz alimentos úmidos para cães e gatos e, quando estiver operando plenamente, deverá quase dobrar a capacidade brasileira da Purina nesse segmento.

A fábrica também possui foco nas exportações.

A unidade já iniciou embarques para o Chile e pretende ampliar as vendas para outros países da América Latina.

O empreendimento criou 140 empregos permanentes, além de 44 posições indiretas e aproximadamente 200 postos terceirizados.

Durante a construção, cerca de 7,2 mil trabalhadores chegaram a participar das obras.

Nestlé mantém 18 fábricas no Brasil

A presença industrial da companhia no país continua expressiva.

Quando anunciou o ciclo de investimentos, a Nestlé informou possuir 18 unidades industriais em operação no Brasil, além de 12 centros de distribuição.

A empresa também empregava mais de 30 mil pessoas diretamente no país.

Até o momento, a Nestlé não detalhou quantos dos 16 mil postos eliminados globalmente corresponderão a cada país.

Por isso, não há base para afirmar que milhares dessas posições serão cortadas no Brasil.

Na prática, a multinacional vive dois movimentos diferentes ao mesmo tempo.

Em mercados e operações considerados menos eficientes, a companhia reduz estruturas, transfere produção e encerra fábricas. Em regiões onde identifica potencial de crescimento, como o Brasil, direciona bilhões para ampliar sua capacidade.

Até o fim de 2027, a Nestlé pretende eliminar aproximadamente 16 mil posições globalmente. Enquanto isso, uma fábrica alemã já encerrou a produção e a unidade de chocolates da Hungria se prepara para fazer o mesmo em dezembro de 2026.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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