A dona de marcas como Oreo, Lacta e Bis encerrou uma fábrica histórica depois de quase 90 anos de atividade. A Mondelēz International desligou definitivamente as linhas de produção da unidade localizada em Château-Thierry, na França.
O último biscoito saiu da fábrica em 14 de novembro de 2025, colocando fim a uma trajetória industrial iniciada em 1931.
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O encerramento também afetou dezenas de trabalhadores que ainda atuavam no local. Em seu período de maior atividade, a fábrica chegou a empregar aproximadamente 1.200 pessoas.
Apesar do fechamento, a decisão não significa o fim da produção de Oreo, Lacta, Bis ou das demais marcas da Mondelēz. A empresa transferiu parte da fabricação para outras unidades.
Fábrica da Mondelēz encerrou produção após quase 90 anos
A história da unidade começou em 1931, quando a fábrica passou a integrar a indústria de biscoitos da região.
Ao longo das décadas, o local passou por diferentes mudanças de controle e marcas e ficou conhecido como Belin-LU.
Mais recentemente, a unidade fazia parte da estrutura industrial da Mondelēz. No entanto, a companhia decidiu encerrar as atividades após avaliar os custos e a competitividade da operação.
As máquinas pararam definitivamente em novembro de 2025.
Último biscoito marcou o fim da fábrica histórica
O encerramento teve um forte significado para os moradores de Château-Thierry.
De acordo com registros feitos durante a despedida dos funcionários, o último biscoito deixou a linha de produção às 9h35 de 14 de novembro de 2025.
Depois disso, a fábrica não voltou a produzir biscoitos.
A unidade fazia parte da economia local havia gerações e empregou trabalhadores que construíram boa parte de suas carreiras dentro da própria fábrica.
Quais biscoitos eram produzidos na fábrica?
Apesar de a Mondelēz ser responsável por marcas como Oreo, Lacta e Bis, esses produtos não eram fabricados naquela unidade francesa.
A fábrica Belin-LU produzia principalmente biscoitos recheados e cobertos com chocolate.
Entre os produtos fabricados estavam versões de Pépito, Kango, Guet Apens e Oro Cereal, além de produtos regionais da linha LU.
No caso do Pépito, a unidade também produzia itens como Pockitos e Pockitos Maxi Croustillant.
O fechamento, portanto, encerrou a fabricação dessas linhas especificamente naquele endereço.
Isso não significa que as marcas tenham deixado de existir.
Produção foi transferida para outras fábricas
A Mondelēz reorganizou sua estrutura industrial após decidir pelo fechamento.
Parte da capacidade que estava concentrada em Château-Thierry foi direcionada para outras unidades.
Documentos do governo francês registraram planos para transferir parte da produção para a fábrica de La Haye-Fouassière, também na França.
Discussões posteriores no Parlamento francês também apontaram a transferência de parte da produção para a República Tcheca.
Assim, a empresa não encerrou sua operação de biscoitos. A estratégia foi concentrar a fabricação em outras plantas.
Fechamento atingiu dezenas de trabalhadores
Quando o encerramento foi anunciado, a unidade ainda tinha pouco mais de 60 funcionários permanentes.
Documentos oficiais apontavam 61 trabalhadores com contratos permanentes diretamente envolvidos no processo.
A Prefeitura de Château-Thierry informou posteriormente que cerca de 60 empregados permanentes seriam afetados, com desligamentos acontecendo em diferentes momentos.
O impacto também alcançou trabalhadores temporários e funcionários de empresas terceirizadas.
Havia aproximadamente 20 trabalhadores temporários e cerca de 20 profissionais de empresas terceirizadas relacionados à operação.
Fábrica já chegou a ter 1.200 funcionários
O tamanho da equipe na época do fechamento era muito diferente do registrado no passado.
Durante uma discussão no Parlamento francês, o então ministro da Economia Bruno Le Maire afirmou que a fábrica chegou a empregar aproximadamente 1.200 pessoas.
Na época do encerramento, eram cerca de 60 trabalhadores permanentes.
A diferença mostra o quanto a estrutura da unidade havia sido reduzida ao longo das décadas.
Mesmo com a diminuição da equipe, o fechamento provocou forte reação por representar o fim de quase um século de atividade industrial na cidade.
Por que a Mondelēz fechou a fábrica?
A empresa apontou diferentes fatores para justificar a decisão.
Um dos principais problemas era a necessidade de investimentos elevados para modernizar as máquinas, a infraestrutura e as instalações.
Segundo a companhia, as características do prédio dificultavam a instalação de novas linhas de produção.
A Mondelēz também citou perda de competitividade, redução dos volumes produzidos e perda de determinados negócios.
O cenário fez com que a operação apresentasse uma rentabilidade considerada muito baixa pela companhia.
Custos de produção também pesaram
Documentos oficiais franceses registraram ainda outros fatores apresentados pela empresa.
Entre eles estavam o aumento dos preços de matérias-primas, como açúcar e farinha, além da alta nos custos de energia.
A concorrência com marcas próprias dos supermercados também foi apontada como um problema.
Diante desse cenário, a Mondelēz optou por concentrar a produção em outras unidades consideradas mais competitivas.
Houve tentativa de encontrar um comprador
Antes do encerramento, autoridades francesas pressionaram a empresa a procurar um possível comprador para a fábrica.
A legislação francesa previa a busca por interessados capazes de assumir a instalação e manter a atividade industrial.
O governo também acompanhou as negociações envolvendo os trabalhadores.
As tentativas, porém, não evitaram o fechamento.
Em novembro de 2025, as linhas foram desligadas definitivamente.
Oreo, Lacta e Bis vão acabar?
Não.
O fechamento da unidade francesa não significa o fim de Oreo, Lacta ou Bis.
A fábrica de Château-Thierry não era responsável pela fabricação dessas marcas, e a Mondelēz continua produzindo e comercializando seus principais produtos.
A companhia possui mais de 130 unidades industriais espalhadas pelo mundo e mantém operações em diferentes países.
O que terminou foi a produção de biscoitos naquela fábrica específica.
E como fica a produção no Brasil?
No Brasil, a Mondelēz mantém uma estrutura diferente.
A empresa informa ter mais de 8 mil trabalhadores no país e duas grandes fábricas. Juntas, as unidades brasileiras empregam mais de 5 mil pessoas.
Uma delas está localizada em Curitiba, no Paraná.
A outra fica em Vitória de Santo Antão, em Pernambuco.
Essa segunda unidade possui um papel importante na fabricação das marcas consumidas pelos brasileiros.
Oreo e Bis continuam sendo produzidos no Brasil
A fábrica de Vitória de Santo Antão produz Bis, Sonho de Valsa, Oreo e Club Social, segundo a Mondelēz.
A companhia considera a unidade uma das mais importantes de sua cadeia global de produção.
Por isso, o encerramento da fábrica francesa não representa uma interrupção na fabricação de Oreo ou Bis no Brasil.
Os produtos continuam sendo produzidos normalmente no país.
Lacta continua entre as principais marcas da empresa
A Lacta também permanece como uma das marcas estratégicas da Mondelēz no mercado brasileiro.
O portfólio inclui produtos conhecidos como Bis, Sonho de Valsa, Laka e Diamante Negro.
A companhia destaca a importância histórica da marca no Brasil e continua mantendo sua produção no país.
Fim da fábrica encerra capítulo iniciado em 1931
O fechamento da antiga Belin-LU colocou um ponto final em uma história iniciada há quase um século.
Depois de aproximadamente 90 anos de atividade, a Mondelēz desligou definitivamente as linhas e encerrou a fabricação de biscoitos naquele endereço.
Cerca de 60 funcionários permanentes foram diretamente afetados, além de trabalhadores temporários e terceirizados.
Parte da produção, porém, foi direcionada para outras unidades.
Assim, a dona de Oreo, Lacta e Bis fechou uma de suas fábricas históricas, mas continua com uma grande estrutura industrial mundial e mantém a fabricação de suas principais marcas, inclusive no Brasil.

