Primavera “abastecida” com El Niño começou e vem aí uma mistura de calorão, chuva forte e tempo seco no Brasil

A primavera começou nesta terça-feira e previsão indica calor, temporais e períodos de seca em diferentes regiões do Brasil. Veja o que esperar.

A espera acabou: a primavera começou oficialmente nesta terça-feira (22), trazendo de volta os dias mais longos e a elevação gradual das temperaturas no Hemisfério Sul. Mas, além das flores e do clima mais quente, a nova estação também deve ser marcada por contrastes no Brasil.

O início oficial acontece às 21h05, pelo horário de Brasília, quando ocorre o equinócio de setembro. A primavera segue até 21 de dezembro, quando começa o verão.

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Nos próximos meses, algumas áreas do país poderão enfrentar períodos de chuva mais frequente e episódios de temporais, enquanto outras devem conviver com calor e precipitações abaixo da média.

Um dos fatores que chama atenção para a estação é o El Niño, que vem se fortalecendo no Oceano Pacífico. Segundo a NOAA, existe mais de 90% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026-27.

Como será a primavera de 2026 no Brasil?

A primavera normalmente funciona como uma estação de transição. O frio do inverno perde força, as temperaturas começam a subir e a umidade aumenta gradualmente em várias áreas do país.

Segundo o INMET, durante a estação ocorre o fortalecimento do transporte de umidade da Amazônia, favorecendo o período chuvoso principalmente no Centro-Oeste e Sudeste, além de áreas do centro-sul da Região Norte.

O comportamento, entretanto, não será igual em todo o território brasileiro.

A atuação do El Niño pode contribuir para diferenças importantes entre as regiões. Por isso, enquanto alguns locais podem registrar chuva acima da média, outros poderão passar por períodos mais secos e quentes.

Onde pode chover mais durante a primavera?

A Região Sul aparece entre as áreas que podem registrar episódios de chuva volumosa e temporais ao longo da estação.

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem ter períodos de instabilidade associados à passagem de frentes frias e à combinação entre calor e umidade.

Esse cenário pode favorecer a ocorrência de chuvas intensas, rajadas de vento, granizo e descargas elétricas em determinados episódios.

O Sudeste e o Centro-Oeste também entram no radar durante a primavera. O aumento da umidade favorece a formação de áreas de instabilidade e, mais adiante, dos primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema que pode provocar períodos prolongados de chuva.

O próprio INMET destaca que os primeiros episódios de ZCAS podem ocorrer durante a primavera, levando chuva ao Sudeste, Centro-Oeste, Acre e Rondônia.

Primavera também pode trazer períodos de seca

Se algumas regiões terão mais chuva, outras podem enfrentar justamente o problema contrário.

O INMET aponta que áreas do Norte e Nordeste, especialmente o norte do Piauí e o noroeste do Ceará, apresentam climatologicamente menores volumes de precipitação durante a primavera.

A distribuição irregular das chuvas pode prolongar períodos de tempo seco em algumas áreas, especialmente quando as precipitações demoram a se estabelecer.

O problema pode ser ainda maior quando a falta de chuva vem acompanhada de temperaturas elevadas. A combinação favorece a redução da umidade do solo e aumenta a preocupação com queimadas em áreas onde a vegetação permanece ressecada.

El Niño pode deixar a primavera diferente?

O fenômeno climático é um dos principais pontos de atenção para os próximos meses.

A NOAA informou em setembro que o El Niño está se fortalecendo e que há mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte durante o outono e inverno do Hemisfério Norte. A agência também aponta uma possibilidade de 75% de que o episódio alcance uma intensidade considerada histórica, superando eventos observados desde 1950.

Isso, porém, não significa que o Brasil inteiro terá automaticamente temperaturas recordes ou chuvas extremas.

Fenômenos como El Niño alteram padrões atmosféricos, mas o comportamento do tempo em cada cidade também depende de outros fatores, incluindo frentes frias, circulação dos ventos, temperatura dos oceanos e disponibilidade de umidade.

Por isso, uma previsão climática para toda a estação não consegue determinar como será cada dia.

Por que a primavera começou em 22 de setembro?

O início da primavera está relacionado ao equinócio de setembro, momento em que a Terra alcança uma posição específica em sua órbita ao redor do Sol.

Nessa época, a iluminação dos dois hemisférios fica mais equilibrada. No Hemisfério Sul, o equinócio marca a transição do inverno para a primavera.

A partir desse momento, os dias começam gradualmente a ficar mais longos até a chegada do solstício de dezembro.

Em 2026, segundo o INMET, a primavera começou às 21h05 desta terça-feira (22) e terminará em 21 de dezembro, às 18h50.

Calor e temporais podem aparecer na mesma estação

A chegada da primavera não significa simplesmente que o Brasil ficará mais quente e ensolarado.

A combinação entre temperaturas mais altas e aumento da umidade cria condições para o desenvolvimento de tempestades, principalmente em situações envolvendo frentes frias e áreas de instabilidade.

É justamente por isso que a estação pode apresentar cenários muito diferentes ao mesmo tempo.

Enquanto uma região pode enfrentar calor e tempo seco, outra pode registrar chuva forte, granizo e rajadas de vento.

E essa diferença tende a ser especialmente importante durante a primavera de 2026, em um período de fortalecimento do El Niño.

O que esperar dos próximos meses?

A primavera começou, mas ainda não é possível afirmar que todo o Brasil terá um único padrão de temperatura ou chuva.

O cenário apontado pelos órgãos meteorológicos é de uma estação com maior possibilidade de calor, períodos de chuva intensa e episódios de tempo seco, variando conforme a região.

Para quem quer saber se haverá chuva ou calor em uma cidade específica, as previsões de curto prazo continuam sendo mais importantes do que o prognóstico para toda a estação.

A tendência climática serve para mostrar o panorama dos próximos meses. Já os boletins meteorológicos atualizados ajudam a identificar quando e onde uma tempestade, onda de calor ou período de chuva poderá realmente acontecer.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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