Uma famosa marca de óculos conhecida pelos modelos coloridos e pelas lojas espalhadas pelo país está enfrentando uma nova etapa de sua crise financeira. A empresa negocia cerca de R$ 500 milhões em obrigações financeiras e tenta conseguir dinheiro novo para reforçar o capital de giro.
A estratégia em discussão chama atenção porque os possíveis novos financiadores já estão entre os credores da empresa. Segundo apuração do Pipeline, as gestoras Akron e Vega compraram debêntures da Chilli Beans no mercado secundário e agora avaliam fornecer novos recursos à companhia.
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A negociação prevê o alongamento dos prazos e a redução dos juros, sem desconto sobre o valor principal da dívida. Ao mesmo tempo, investidores já vêm concedendo flexibilizações para pagamentos das debêntures e chegaram a liberar algumas garantias.
Famosa marca de óculos busca dinheiro novo enquanto renegocia dívida; qual o próximo passo da Chilli Beans?
A operação em discussão tem como objetivo dar mais fôlego ao caixa da Chilli Beans enquanto a Chilli Beans reorganiza suas obrigações financeiras.
Akron e Vega atuam em situações especiais e passaram a fazer parte da negociação depois de adquirirem debêntures da companhia no mercado secundário. Agora, os mesmos investidores que possuem títulos da empresa podem também fornecer novo capital para o funcionamento da operação.
A lógica é tentar aliviar a pressão dos vencimentos e do custo financeiro sem reduzir o principal que a companhia deve.
Uma recuperação extrajudicial também não está descartada, mas, conforme as informações disponíveis, a negociação atual ainda está concentrada no acordo com os credores e na possibilidade de novo financiamento.
Como a dívida da Chilli Beans chegou a R$ 500 milhões?
A origem do problema financeiro remonta à pandemia de Covid-19, quando as restrições afetaram diretamente a operação das lojas físicas da marca.
Em maio deste ano, o fundador e CEO da Chilli Beans, Caito Maia, afirmou ao UOL que a companhia havia contraído dívida para atravessar aquele período. Segundo ele, o custo desse passivo aumentou significativamente com o passar do tempo.
Maia relatou que a dívida originalmente contratada tinha juros entre 2% e 3%, mas que esse custo posteriormente teria chegado a aproximadamente 20%.
Os dados financeiros disponíveis também mostram uma evolução do endividamento. A dívida bruta da empresa passou de R$ 216 milhões no fim de 2023 para R$ 290 milhões em 2024, um aumento de aproximadamente 34%. O balanço de 2024 ainda não havia sido auditado.
Empresa fez nova emissão de R$ 100 milhões
A situação continuou evoluindo depois da pandemia.
Em fevereiro de 2025, a Mustang 25 Participações, holding que concentra as operações do grupo, realizou uma nova captação de R$ 100 milhões em debêntures.
Em abril de 2026, porém, a Vert Companhia Securitizadora convocou os debenturistas para discutir um eventual vencimento antecipado dos títulos, depois que a Mustang não apresentou as demonstrações financeiras auditadas referentes a 2025.
Posteriormente, a holding também foi notificada por falta de pagamento de uma parcela.
É justamente nesse mercado de debêntures que entram Akron e Vega, que passaram a deter parte dos títulos e agora participam das conversas sobre a reorganização financeira.
Chilli Beans tenta ganhar tempo para aliviar o caixa
O movimento coloca a companhia diante de uma situação que envolve duas frentes ao mesmo tempo.
De um lado, a Chilli Beans precisa renegociar uma dívida existente, buscando prazos maiores e juros menores. Do outro, tenta obter novo dinheiro para capital de giro, evitando que todos os recursos disponíveis sejam direcionados para o pagamento das obrigações financeiras.
Na prática, o objetivo é ganhar fôlego para continuar financiando a operação enquanto a estrutura da dívida é reorganizada.
O novo dinheiro, porém, ainda não está garantido. A operação depende das negociações entre a empresa e os investidores envolvidos.
Dívida não significa que a rede parou de funcionar
Apesar do tamanho do endividamento, a situação financeira não significa que a Chilli Beans tenha interrompido suas atividades.
A marca continua operando suas lojas e pontos de venda, enquanto busca reorganizar as obrigações financeiras. A companhia também mantém projeções de crescimento para 2026.
A negociação com os credores, portanto, ocorre em paralelo à operação comercial da empresa.
O desafio agora é conseguir equilibrar as duas pontas: alongar e baratear a dívida de aproximadamente R$ 500 milhões e, ao mesmo tempo, obter recursos para manter o capital de giro.
Se Akron, Vega e os demais credores aceitarem a estrutura em discussão, a Chilli Beans poderá ganhar prazo para reorganizar os pagamentos e reforçar o caixa sem necessariamente reduzir o principal da dívida.
Até que um acordo seja concluído, porém, o novo financiamento permanece em negociação e a situação financeira da empresa ainda pode sofrer novos desdobramentos.

