Gigante em grave crise financeira vai fechar 7 fábricas e demitir quase 20 mil funcionários

Fábricas serão retiradas da estrutura global da Nissan enquanto a gigante japonesa corta milhares de postos de trabalho para reduzir custos e recuperar a lucratividade.

Fábricas serão fechadas ou retiradas da estrutura produtiva da Nissan em uma das maiores reestruturações já promovidas pela montadora japonesa. A empresa está reduzindo sua presença industrial mundial de 17 para 10 plantas e prevê eliminar 20 mil postos de trabalho globalmente até o ano fiscal de 2027.

Por trás da medida está uma sequência de resultados financeiros ruins que obrigou a companhia a promover cortes profundos.

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No ano fiscal encerrado em março de 2026, apesar de registrar lucro operacional de 58 bilhões de ienes, a Nissan terminou com prejuízo líquido de 533,1 bilhões de ienes e fluxo de caixa livre negativo de 480,8 bilhões de ienes na divisão automotiva.

Agora, a empresa tenta diminuir custos, enxugar sua estrutura e recuperar a rentabilidade.

Fábricas serão reduzidas de 17 para apenas 10

A redução da estrutura industrial é um dos pontos centrais do plano chamado Re:Nissan.

A companhia estabeleceu a meta de passar de 17 para 10 fábricas de produção de veículos. Isso representa sete unidades a menos na estrutura mundial considerada pela montadora.

Mas há uma diferença importante: nem todos os casos significam simplesmente fechar uma fábrica e abandonar a unidade.

O processo também envolve transferências de produção e consolidação das operações. Em seu balanço mais recente, a própria Nissan informou que a execução envolvendo as sete plantas estava em andamento.

A companhia também está reorganizando fábricas de motores, turnos de trabalho e investimentos industriais.

Nissan vai cortar 20 mil postos de trabalho

O impacto também chegará aos funcionários.

A Nissan estabeleceu a meta de eliminar 20 mil postos de trabalho entre os anos fiscais de 2024 e 2027. O número inclui os 9 mil cortes que já haviam sido anunciados anteriormente.

A redução é mundial e não acontece de uma só vez.

Os cortes alcançam trabalhadores diretos, indiretos e terceirizados e atingem diferentes partes da companhia, incluindo produção e áreas administrativas.

Além das demissões e reduções de postos, a Nissan procura diminuir despesas em áreas como engenharia e marketing e tornar sua estrutura administrativa menor.

Por que a Nissan entrou em uma crise tão forte?

A reestruturação ganhou força depois de uma forte deterioração dos resultados financeiros da companhia.

No exercício fiscal de 2025, encerrado em março de 2026, a Nissan registrou receita de 12 trilhões de ienes e vendeu aproximadamente 3,15 milhões de veículos no mundo.

Mesmo com melhora operacional ao longo do período, o prejuízo líquido chegou a 533,1 bilhões de ienes.

A companhia também enfrenta um ambiente que considera desafiador, marcado por inflação, tarifas, concorrência cada vez maior e desempenho desigual nos mercados internacionais.

Para tentar mudar esse cenário, a Nissan pretende economizar 500 bilhões de ienes em custos fixos e variáveis na comparação com o ano fiscal de 2024.

Plano já começou a mostrar resultado

Apesar da dimensão dos cortes, os números mais recentes mostram alguns sinais de recuperação.

A Nissan terminou o ano fiscal de 2025 com lucro operacional de 58 bilhões de ienes, margem de 0,5%. No segundo semestre, o fluxo de caixa livre da divisão automotiva ficou positivo em 112 bilhões de ienes.

A montadora afirma que o plano de redução de custos está avançando dentro do previsto e mantém como objetivo conseguir lucro operacional e fluxo de caixa livre positivo na divisão automotiva até o fim do ano fiscal de 2026.

Isso significa que, embora a empresa ainda tenha apresentado um prejuízo líquido bilionário no último exercício fechado, já existem indicadores de recuperação.

E a fábrica da Nissan no Brasil?

A reestruturação global não significa o fechamento da fábrica brasileira.

A unidade de Resende, no Rio de Janeiro, segue funcionando. A Nissan realizou um ciclo de R$ 2,8 bilhões em investimentos no Brasil entre 2023 e 2025, incluindo modernização da fábrica. Em agosto de 2026, a empresa confirmou novos modelos eletrificados para o mercado brasileiro.

A Nissan também confirmou recentemente que as medidas globais de fechamento e redução de pessoal não correspondem a um plano de fechar sete fábricas ou demitir 20 mil pessoas no Brasil.

Portanto, os números que chamam atenção — sete plantas a menos e 20 mil postos de trabalho — fazem parte de uma reestruturação mundial.

A aposta da Nissan é que uma companhia menor, com menos custos e uma estrutura industrial mais enxuta, consiga superar a sequência de prejuízos e voltar a operar de maneira sustentável.

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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