Famosa fábrica de pneus fecha no Brasil após mais de 70 anos e demite cerca de 350 trabalhadores

Michelin fecha fábrica em Guarulhos após mais de 70 anos e encerra produção de pneus e câmaras de ar. Trabalhadores foram afetados.

A Michelin fechou uma fábrica no Brasil após mais de 70 anos de atividade e encerrou definitivamente a produção na unidade de Guarulhos, na Grande São Paulo. A decisão afetou cerca de 350 trabalhadores que atuavam diretamente no complexo.

A fábrica produzia principalmente produtos para motocicletas, bicicletas e aplicações industriais. Entre os itens estavam câmaras de ar, pneus industriais e materiais utilizados em outras etapas da produção da multinacional.

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O encerramento ocorreu dentro de um processo de reorganização das operações da empresa em diferentes países.

Michelin fecha fábrica após décadas de produção

A unidade de Guarulhos tinha uma longa trajetória industrial e fazia parte originalmente da estrutura da Levorin, fabricante brasileira de pneus e câmaras de ar.

A Michelin adquiriu a empresa em 2016 e incorporou a fábrica às suas operações no país.

Desde então, o complexo continuou produzindo itens destinados principalmente aos segmentos de motocicletas, bicicletas e indústria.

Com a decisão tomada pela multinacional, porém, as linhas de produção foram retiradas de maneira gradual até o encerramento definitivo das atividades.

Cerca de 350 trabalhadores foram afetados

Antes do fechamento, aproximadamente 350 funcionários trabalhavam diretamente na fábrica.

Durante o processo de desativação, a empresa negociou condições relacionadas aos trabalhadores afetados, incluindo questões envolvendo indenizações, direitos trabalhistas e medidas de apoio para recolocação profissional.

Depois da conclusão dessa etapa, a produção foi encerrada.

O fechamento, portanto, não representa apenas a paralisação de máquinas e linhas industriais. A medida também colocou fim aos postos de trabalho diretamente ligados à antiga unidade.

O que a fábrica produzia?

A unidade de Guarulhos tinha uma produção diferente daquela encontrada em outras fábricas brasileiras da Michelin.

Entre os principais produtos estavam câmaras de ar para pneus de motocicletas e bicicletas, além de pneus destinados a aplicações industriais.

A fábrica também produzia materiais semiacabados que eram posteriormente utilizados em outras operações da companhia.

Com o encerramento, essas linhas deixaram de funcionar no complexo paulista.

Produtos asiáticos aumentaram a concorrência

A Michelin apontou mudanças no mercado brasileiro como um dos fatores que contribuíram para a decisão.

Segundo a empresa, o aumento da entrada de produtos fabricados na Ásia elevou a concorrência em determinados segmentos.

Parte desses itens passou a chegar ao mercado brasileiro com preços inferiores aos custos enfrentados pela produção nacional.

A pressão atingiu principalmente o segmento de câmaras de ar para motocicletas e bicicletas, que tinha participação importante na operação de Guarulhos.

Antes de encerrar a unidade, a companhia afirmou ter analisado alternativas para manter a fábrica funcionando.

A conclusão foi de que as condições de mercado não ofereciam perspectivas suficientes para garantir a competitividade da operação no longo prazo.

Michelin também reduziu operações em outros países

O fechamento no Brasil ocorreu em meio a uma reorganização mais ampla da fabricante.

No México, a Michelin também decidiu encerrar uma fábrica em Querétaro, que empregava aproximadamente 480 trabalhadores.

Na França, a companhia anunciou o fechamento das unidades de Cholet e Vannes, ligadas a mais de 1,2 mil trabalhadores.

Na Alemanha, a empresa também promoveu mudanças em unidades produtivas, com impactos sobre aproximadamente 1,5 mil funcionários.

Os processos ocorreram por razões e formatos diferentes, mas fazem parte de uma revisão da estrutura industrial da companhia em diferentes mercados.

Fechamento não significa saída da Michelin do Brasil

Apesar do encerramento da fábrica de Guarulhos, a Michelin continua produzindo no Brasil.

A empresa mantém outras unidades industriais no país, incluindo operações em Campo Grande e Itatiaia, no Rio de Janeiro, além de Manaus, no Amazonas. As fábricas possuem diferentes especializações, como pneus para caminhões, ônibus, carros, caminhonetes, motocicletas e bicicletas.

A companhia também mantém estruturas administrativas, tecnológicas e outras atividades relacionadas ao setor.

Por isso, a decisão representa o fim de uma unidade específica, e não a retirada da Michelin do mercado brasileiro.

Fábrica tinha mais de 70 anos de história

O encerramento também marca o fim de uma trajetória industrial que começou décadas antes da aquisição da Levorin pela Michelin.

A unidade de Guarulhos carregava mais de sete décadas de produção e passou por diferentes momentos da indústria brasileira de pneus.

A aquisição pela Michelin, em 2016, incorporou essa história à estrutura da multinacional francesa.

Agora, depois de anos de funcionamento, as máquinas foram desligadas e as linhas produtivas deixaram de operar.

Michelin passa por reorganização internacional

A decisão brasileira ocorre em um momento de mudanças na estrutura industrial da multinacional.

A companhia vem avaliando fábricas e linhas de produção em diferentes mercados diante da transformação da indústria de pneus, da concorrência internacional e da necessidade de adequar a capacidade produtiva à demanda.

No Brasil, a estratégia resultou no encerramento da unidade de Guarulhos, enquanto outras fábricas continuam funcionando.

Assim, o fechamento representa uma mudança importante na presença industrial da Michelin no país, mas não o fim das atividades da multinacional no mercado brasileiro.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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