El Niño repete sinais de 1997 e acende alerta para temporais e muita chuva no Sul

El Niño parecido com 1997 acende alerta para chuva intensa e temporais no Sul do Brasil. Veja o que os meteorologistas esperam para outubro.

O El Niño parecido com 1997 está chamando a atenção dos meteorologistas por apresentar características semelhantes às observadas durante um dos episódios mais intensos do fenômeno. A comparação não significa que o cenário de 1997 será repetido, mas indica um padrão que pode favorecer períodos de chuva intensa e temporais no Sul do Brasil.

A atenção está concentrada principalmente em outubro. Modelos meteorológicos apontam possibilidade de chuva acima da média e maior frequência de episódios de tempo severo na Região Sul.

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O cenário também aparece nos dados oficiais mais recentes. O Painel El Niño, formado por órgãos como INMET, INPE, CEMADEN e ANA, aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

Por que 1997 voltou a ser usado como comparação

O episódio de El Niño registrado entre 1997 e 1998 ficou marcado pela intensidade e pelos impactos provocados em diferentes partes do mundo.

No Sul do Brasil, outubro de 1997 teve uma sequência de episódios de chuva intensa e tempestades. No Rio Grande do Sul, a região do rio Uruguai enfrentou uma grande enchente após elevados volumes de precipitação.

Em Uruguaiana, por exemplo, foram registrados quase 180 milímetros de chuva em apenas 24 horas no dia 13 de outubro daquele ano. A elevação do rio afetou municípios da Fronteira Oeste e provocou milhares de desalojados.

Santa Catarina e Paraná também registraram inundações durante aquele período.

O que pode acontecer nas próximas semanas

A principal preocupação para outubro é a combinação de chuva frequente e condições favoráveis à formação de temporais.

Segundo a análise da MetSul, parte dos padrões observados em 1997 pode apresentar semelhanças com o cenário atual, especialmente pela maior frequência de chuva e tempestades no Sul.

Os modelos analisados indicam possibilidade de chuva acima da média em diferentes áreas da Região Sul, com atenção especial para Paraná e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul também pode registrar períodos de chuva e temporais, embora a distribuição não seja uniforme durante todo o mês.

Temporais podem ganhar força

O risco não está apenas no volume de chuva.

A presença de calor e umidade pode favorecer a formação de tempestades com granizo, rajadas fortes de vento e intensa atividade elétrica.

A Climatempo também aponta risco de temporais em todos os estados do Sul durante outubro, incluindo possibilidade de tempestades severas com ventos superiores a 90 km/h, granizo e eventual ocorrência de tornados.

Isso não significa que todos esses fenômenos ocorrerão simultaneamente ou em todas as cidades. A ocorrência depende da evolução dos sistemas meteorológicos ao longo dos próximos dias.

Rio Grande do Sul pode ter períodos diferentes

Apesar da tendência de chuva acima da média na Região Sul, o comportamento pode variar bastante dentro do próprio Rio Grande do Sul.

A previsão da Climatempo indica que o estado pode ter menos chuva na primeira semana de outubro, até o dia 7, enquanto Paraná e Santa Catarina apresentam maior sinal de precipitação frequente.

Por isso, a comparação com 1997 não deve ser interpretada como uma previsão de que o mesmo tipo de enchente ou desastre ocorrerá novamente.

O que os modelos indicam é um ambiente climático que pode favorecer períodos de instabilidade e chuva intensa.

El Niño de 2026 deve ficar muito forte

O fenômeno atual já apresenta intensidade elevada.

De acordo com o Painel El Niño, as anomalias da temperatura da superfície do mar nas áreas de referência do Pacífico Central e Leste ultrapassaram 2°C no boletim de 28 de setembro.

Os modelos indicam que o fenômeno deve continuar pelo menos até o início de 2027. Para o trimestre entre outubro e dezembro, a probabilidade de um El Niño muito forte é superior a 95%.

Existe ainda a possibilidade de que o episódio de 2026 seja o mais intenso desde 1950, segundo o monitoramento oficial.

O fenômeno também muda o clima em outras regiões

Os efeitos do El Niño não ficam restritos ao Sul.

Para outubro, novembro e dezembro, a previsão climática oficial indica maior probabilidade de chuva acima da média no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste.

Ao mesmo tempo, grande parte do Norte e áreas do Nordeste e do Centro-Oeste podem ter chuva abaixo da média.

As temperaturas também tendem a ficar acima do normal em grande parte do país.

1997 é um alerta, não uma repetição garantida

A semelhança entre o El Niño parecido com 1997 e o episódio atual serve como uma referência para os meteorologistas, mas não permite afirmar que os mesmos eventos serão repetidos.

Cada episódio do fenômeno ocorre em condições diferentes e sofre influência de outros fatores atmosféricos e oceânicos.

Para o Sul do Brasil, porém, os sinais atuais justificam atenção para outubro, principalmente diante da previsão de chuva acima da média e maior possibilidade de temporais.

O cenário deve ser atualizado conforme novos dados dos modelos meteorológicos forem incorporados às previsões.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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