Casal passa três dias fora e volta com árvore da divisa quase sem galhos após vizinho cortar para liberar sol aos painéis

Um casal passa três dias fora de casa e volta encontrando uma mudança inesperada no quintal: a árvore localizada próxima à divisa com o imóvel vizinho continua de pé, mas está quase sem galhos.

O corte foi feito pelo vizinho, que pretendia liberar a incidência de sol sobre os painéis solares instalados no telhado.

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A situação levanta uma dúvida que pode aparecer em muitos imóveis com árvores próximas à divisa: até onde um vizinho pode cortar os galhos que avançam para dentro do próprio terreno?

O Código Civil estabelece uma regra específica para esse tipo de situação.

Vizinho pode cortar galhos que avançam sobre o terreno?

O artigo 1.283 do Código Civil permite ao proprietário ou possuidor de um imóvel cortar raízes e ramos de árvores que ultrapassem a estrema do prédio, mas o corte deve respeitar o plano vertical divisório entre os terrenos.

Isso significa que a localização dos galhos é fundamental.

Se determinados ramos avançam sobre o terreno vizinho, existe previsão legal para que sejam cortados até o limite estabelecido pela divisa.

Isso é diferente, porém, de considerar que o vizinho pode remodelar livremente toda a copa da árvore apenas porque parte dela projeta-se sobre sua propriedade.

No exemplo, o fato de os painéis solares precisarem de mais exposição ao sol não altera, por si só, o limite estabelecido pelo Código Civil.

E se o tronco estiver exatamente na divisa?

A situação muda quando o tronco da árvore está na própria linha que separa os dois imóveis.

O artigo 1.282 do Código Civil estabelece que a árvore cujo tronco estiver na linha divisória presume-se pertencente em comum aos proprietários dos prédios confinantes.

Por isso, é importante diferenciar duas situações.

Uma árvore pode estar inteiramente dentro de um dos terrenos e apenas lançar seus galhos para o imóvel vizinho. Outra situação ocorre quando o próprio tronco está localizado sobre a linha divisória.

A posição exata do tronco pode ser decisiva para determinar os direitos de cada proprietário sobre a árvore.

Painéis solares permitem cortar a árvore para eliminar a sombra?

Não há, no Código Civil, uma autorização geral para eliminar ou podar uma árvore de propriedade alheia simplesmente porque ela causa sombra sobre painéis solares.

O interesse em melhorar a incidência de luz pode explicar a motivação para uma poda, mas não cria automaticamente um direito de ultrapassar os limites estabelecidos pela legislação.

Assim, é preciso separar três questões:

  • posição do tronco: determina se a árvore está em um dos terrenos ou na própria divisa;
  • extensão dos galhos: indica quais ramos ultrapassaram o limite do imóvel;
  • regras locais: podem estabelecer exigências adicionais para poda ou supressão de árvores.

Uma poda muito grande pode causar problema?

Pode.

O direito previsto no artigo 1.283 é específico para raízes e ramos que ultrapassem a divisa. Isso não significa que qualquer intervenção na árvore esteja automaticamente autorizada.

Se o corte ultrapassar os limites previstos, causar dano relevante à árvore ou desrespeitar alguma regra municipal aplicável, a situação pode gerar uma discussão sobre responsabilidade.

Por isso, uma poda feita para liberar espaço ou aumentar a incidência de sol nos painéis não deve ser confundida com uma autorização para cortar toda a parte da árvore que incomoda o proprietário vizinho.

E se a árvore estiver em uma área com regras municipais?

Além do Código Civil, podem existir normas municipais sobre arborização urbana.

Dependendo do município e das características da árvore, uma poda mais significativa ou a supressão do exemplar pode exigir autorização ou seguir regras específicas.

Por isso, antes de realizar uma intervenção mais ampla, é importante verificar a legislação local.

Essa questão é especialmente relevante em áreas urbanas, nas quais municípios podem estabelecer procedimentos próprios para manejo de árvores em calçadas, terrenos particulares e áreas públicas.

Como provar quanto da árvore foi cortado?

Quando a poda já aconteceu, fotografias anteriores podem ser importantes para mostrar como era a árvore antes da intervenção.

Também podem ajudar:

  • imagens de câmeras de segurança;
  • fotografias antigas do imóvel;
  • registros feitos por vizinhos;
  • fotografias dos galhos cortados;
  • imagens da posição do tronco;
  • registros que permitam identificar a linha divisória.

Quanto mais precisa for a documentação, mais fácil pode ser demonstrar onde estavam os galhos e qual foi a extensão da intervenção.

Se houver preocupação com a estabilidade ou a saúde da árvore, uma avaliação técnica por profissional habilitado também pode ajudar a verificar as condições do exemplar após o corte.

O que fazer antes de uma nova poda perto da divisa?

O caminho mais seguro é confirmar primeiro onde está exatamente a divisa entre os imóveis, identificar a posição do tronco e verificar quais regras municipais se aplicam à árvore.

Também pode ser útil conversar com o vizinho antes de qualquer nova intervenção.

Quando houver necessidade de acesso ao terreno ou de uma poda mais ampla, deixar registrado o que foi combinado pode evitar uma nova discussão sobre os limites da autorização.

No caso de uma árvore próxima à divisa, portanto, existem situações diferentes que não devem ser confundidas.

O vizinho pode ter autorização legal para cortar determinados ramos que ultrapassem a divisa, mas isso não significa que possa remodelar toda a copa da árvore. Se o tronco estiver sobre a própria linha divisória, existem ainda regras específicas sobre a propriedade comum do exemplar.

E, mesmo quando existe uma questão legítima envolvendo sombra sobre painéis solares, a necessidade de mais luz não elimina os limites previstos para a poda.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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