Pichações com símbolos nazistas são encontradas em conhecida universidade do Rio Grande do Sul e caso é investigado pela PF

Pichações com símbolos associados ao nazismo e acompanhadas de uma mensagem considerada intimidatória foram encontradas na última terça-feira (6) em banheiros de dois prédios do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) de uma conhecida universidade do Rio Grande do Sul.

O caso ocorreu no campus sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, e chegou ao conhecimento da instituição após relatos do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e de outros alunos.

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A Polícia Federal confirmou que a Delegacia de Polícia Federal em Santa Maria recebeu a ocorrência, abriu procedimento e iniciou a apuração do caso.

A universidade isolou os locais onde as inscrições foram encontradas e também registrou boletim de ocorrência e denúncia pela plataforma Fala.BR. Além da investigação criminal, a instituição abriu um processo administrativo interno para tentar identificar e responsabilizar eventuais autores.

Pichações com símbolos nazistas são investigadas pela Polícia Federal

De acordo com a universidade, a direção do CCNE isolou os locais imediatamente após ser comunicada sobre as pichações.

A instituição também informou que o caso será acompanhado pela Assessoria de Promoção de Igualdade Racial, vinculada ao Gabinete da Reitoria.

A apuração criminal ficará sob responsabilidade da Polícia Federal, enquanto a universidade conduz o procedimento administrativo interno.

Até o momento, a investigação deverá esclarecer quem fez as inscrições e quais foram as circunstâncias em que elas apareceram nos prédios da instituição.

Universidade afirma que não há espaço para manifestações de ódio

Em posicionamento divulgado sobre o caso, a universidade repudiou as pichações e afirmou que os símbolos utilizados remetem a uma ideologia responsável pela perseguição e pelo extermínio de milhões de pessoas.

A instituição também destacou que a apologia ao nazismo e a incitação à discriminação e ao preconceito são crimes previstos na legislação brasileira.

A universidade afirmou ainda que é uma instituição pública, plural e democrática e que não há espaço para manifestações de ódio, racismo, discriminação ou intimidação em seus campi.

Para estudantes e outros integrantes da comunidade acadêmica que tenham sido afetados pela situação, a Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED) disponibilizará acolhimento, escuta e apoio psicológico.

O que diz a lei brasileira sobre símbolos nazistas

A legislação brasileira estabelece punição específica para determinadas condutas relacionadas à divulgação do nazismo.

O artigo 20 da Lei nº 7.716/1989 prevê como crime praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, com pena de reclusão de um a três anos e multa.

O parágrafo 1º do mesmo artigo trata especificamente de símbolos nazistas. A lei estabelece pena de reclusão de dois a cinco anos e multa para quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada para fins de divulgação do nazismo.

A legislação também prevê penas específicas para crimes praticados por meios de comunicação, redes sociais, internet ou publicações de qualquer natureza.

Por isso, a existência de uma inscrição com determinado símbolo, por si só, não permite antecipar qual enquadramento criminal será aplicado. A investigação é que deverá apurar as circunstâncias, a intenção e a eventual autoria das condutas.

Caso também terá acompanhamento dentro da universidade

Além da investigação conduzida pela Polícia Federal, a universidade instaurou um processo administrativo para apurar os fatos e responsabilizar eventuais autores no âmbito da instituição.

A Assessoria de Promoção de Igualdade Racial, ligada ao Gabinete da Reitoria, também acompanhará o caso.

A universidade informou que pessoas que tenham se sentido afetadas pelo episódio poderão procurar a Coordenadoria de Ações Educacionais para receber acolhimento, escuta e apoio psicológico.

Nota da UFSM

Abaixo, a íntegra da nota divulgada pela Universidade Federal de Santa Maria em 6 de outubro de 2026:

“A Universidade Federal de Santa Maria repudia veementemente as pichações com símbolos apropriados pelo nazismo e utilizados por grupos neonazistas, acompanhado de mensagem de caráter intimidatório. As pichações foram encontradas nesta terça-feira (6) em portas e paredes de banheiros de dois prédios do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), no campus sede.

A UFSM tomou conhecimento do fato por comunicação do Diretório Central dos Estudantes (DCE), e outros estudantes da UFSM. A direção do CCNE isolou os locais imediatamente após o contato. A Universidade registrou boletim de ocorrência e denúncia pela plataforma Fala.BR. A responsabilidade pela apuração criminal em casos assim é da Polícia Federal. A Universidade também instaurou processo administrativo interno para apurar os fatos e responsabilizar eventuais autores. O caso também será acompanhado pela Assessoria de Promoção de Igualdade Racial, ligada ao Gabinete da Reitoria.

O uso de símbolos nazistas não é opinião nem brincadeira. Eles remetem a uma ideologia responsável pela perseguição e pelo extermínio de milhões de pessoas. A apologia ao nazismo e a incitação à discriminação e ao preconceito são crimes previstos na Lei nº 7.716/1989.

A UFSM é uma universidade pública, plural e democrática, e acredita que não há espaço em seus campi e na sociedade para o ódio, o racismo, ou qualquer forma de discriminação ou intimidação. A Universidade e o Centro de Ciências Naturais e Exatas se solidarizam com todas as pessoas que se sentem ameaçadas por esse tipo de manifestação e reafirmam seu compromisso com a segurança e o respeito a toda a comunidade acadêmica. Para quem se sentiu afetado por esse episódio, a UFSM informa que a Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED) oferecerá acolhimento, escuta e apoio psicológico. O contato é caed.acolhimento@ufsm.br.

Informações que possam contribuir para a apuração, assim como qualquer situação de discriminação ou ameaça, devem ser comunicadas à Ouvidoria da UFSM (www.ufsm.br/ouvidoria) ou pela plataforma Fala.BR.

Gabinete da Reitoria e Direção do CCNE

06/10/2026″

A nota oficial foi publicada pela UFSM em 6 de outubro de 2026.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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