“Fiquei em silêncio por um tempo”: criador do Orkut faz anúncio e lança petição para o retorno da rede social; saiba como participar

Quem sente saudade das comunidades, scraps e amizades do antigo Orkut ganhou um novo motivo para ficar de olho na internet.

Orkut Büyükkökten, criador da antiga rede social, publicou uma carta aberta no site oficial e lançou uma petição para medir o interesse do público em uma nova plataforma.

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Mas existe uma diferença importante: a antiga rede social não foi reativada. A proposta é criar um novo serviço inspirado na ideia de aproximar pessoas e comunidades, sem colocar os algoritmos de retenção no centro da experiência.

O Orkut antigo voltou?

Ainda não.

O site oficial voltou a apresentar uma campanha de Büyükkökten, mas a iniciativa atual não oferece acesso à antiga rede social, login ou recuperação dos perfis que existiam antes do encerramento do serviço.

O que existe neste momento é uma página para registrar apoio à criação de uma nova plataforma.

O próprio formulário informa que a assinatura não garante nome de usuário, abertura antecipada de conta ou vaga em uma eventual fila de espera.

Ou seja: quem entrar no site não vai encontrar as antigas comunidades nem poderá simplesmente recuperar o perfil que usava anos atrás.

ACESSE AQUI A PETIÇÃO PARA A VOLTA DO ORKUT

O que o criador do Orkut quer fazer agora?

Na carta aberta publicada no site oficial, Büyükkökten defende uma internet com mais espaço para relações humanas e comunidades.

A proposta retoma uma característica marcante da antiga rede: a possibilidade de encontrar pessoas que compartilham interesses e participar de grupos temáticos.

O criador também critica o modelo atual das redes sociais, especialmente a busca constante por engajamento e retenção de usuários.

Outro ponto destacado por ele é o avanço da inteligência artificial e a presença crescente de bots e conteúdos produzidos por máquinas.

Para Büyükkökten, uma das características que tornavam as redes sociais especiais era justamente a possibilidade de saber que havia uma pessoa real do outro lado da tela.

As comunidades do antigo Orkut podem voltar?

A ideia está presente na proposta.

Na carta, Büyükkökten defende novamente o conceito de comunidades, em vez de uma experiência baseada apenas em um feed no qual o usuário fica consumindo conteúdo.

A proposta apresentada pelo projeto resume o objetivo em três pontos:

  • conhecer novos amigos;
  • reencontrar antigos;
  • ser amigos melhores.

É uma tentativa de recuperar justamente uma das características que ficaram marcadas na memória de quem usou o Orkut: entrar em uma comunidade não apenas para acompanhar publicações, mas para fazer parte de um grupo com interesses em comum.

Como funciona a nova petição do Orkut?

A página disponibilizada pelo criador permite que as pessoas registrem interesse no projeto.

O formulário está disponível em português e outros idiomas e pede algumas informações básicas.

Para participar, é necessário:

  • escolher uma faixa etária;
  • informar nome;
  • selecionar o país;
  • fornecer um endereço de e-mail;
  • informar o telefone, que aparece como opcional;
  • escolher as autorizações relacionadas ao recebimento de mensagens;
  • concluir a assinatura.

Depois do registro, o participante recebe um código exclusivo e um cartão digital para compartilhar.

Isso, porém, não significa que a pessoa já tenha uma conta na futura rede social.

Também não há, neste momento, confirmação de uma data de lançamento da nova plataforma.

Por que o Orkut ficou tão famoso no Brasil?

Criado por Orkut Büyükkökten enquanto ele trabalhava no Google, o Orkut.com cresceu rapidamente e chegou a reunir mais de 300 milhões de usuários no mundo, segundo o próprio criador.

No Brasil, a rede se tornou especialmente popular e ficou marcada por recursos como comunidades, depoimentos, scraps e avaliações de perfis.

A rede social acabou sendo encerrada em 2014, deixando uma legião de usuários com lembranças de uma época em que as redes sociais funcionavam de maneira bem diferente das plataformas atuais.

Então o Orkut vai voltar?

Por enquanto, o que existe é um projeto em preparação, e não a volta da antiga rede social.

Büyükkökten abriu a petição para descobrir quem ainda tem interesse em uma plataforma baseada em pessoas, amizades e comunidades.

A ideia também tenta responder a uma mudança importante no jeito como as redes sociais funcionam atualmente: em vez de colocar o usuário diante de um feed pensado para mantê-lo conectado pelo maior tempo possível, o novo projeto promete priorizar relações e comunidades.

Ainda não há uma nova rede social disponível para acessar, nem confirmação de quando ela será lançada.

Por enquanto, quem sente saudade do Orkut pode apenas deixar seu apoio registrado e esperar para descobrir o que o criador pretende colocar no lugar da rede que marcou uma geração de brasileiros.

Leia A Carta do Orkut na íntegra

Oi de novo.

Sou eu, o Orkut.

Fiquei em silêncio por um tempo, mas preciso falar com você. O trabalho de toda minha vida tornou-se algo urgente como nunca imaginei. Há mais de duas décadas, criei algumas das primeiras redes sociais. E vi, junto com você, as redes sociais tomarem o rumo errado.

Você lembra de quando a internet era humana? De quando receber uma mensagem de alguém em outro continente parecia mágica? Outra pessoa tinha atravessado o mundo para compartilhar um pedacinho de si. Talvez a conexão durasse só um instante, mas era emocionante porque era real.

O que aconteceu? Vinte anos otimizando tudo para capturar a sua atenção. Feeds construídos em torno do engajamento, não da conexão. Uma geração de crianças entregue a algoritmos que as viciaram, dividiram e as venderam para anunciantes. Não é de surpreender que tenham crescido solitárias e ansiosas.

Eu ainda amo esta indústria, mas é desesperador ver o que ela se tornou. “Aja rápido e quebre coisas”, dizia o lema. Pois bem: as coisas estão quebradas. E agora as máquinas chegaram. A inteligência artificial é uma tecnologia extraordinária, mas está dissolvendo a única premissa que tornou as redes sociais especiais e dignas de serem construídas: a de que havia uma pessoa do outro lado.

Quando as pessoas me contam do que mais sentem falta no orkut.com, elas sempre falam das comunidades. Pessoas que consertavam a mesma moto. Pessoas que pegavam a mesma linha de ônibus. Pessoas que odiavam segunda-feira. Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro. Esse era o ponto.

Você já viu o que a IA está fazendo com as redes sociais: bots, lixo de IA, deepfakes, agentes autônomos descontrolados, conteúdo sintético. Sabe o que a IA não consegue criar?

Alegria. Esperança. Gratidão. Encanto. Diversão. Inspiração. Amor. É isso que faz uma vida valer a pena. Cheguei a este mundo sozinho e sem nada, e de alguma forma acabei com tanto. Cada pedacinho disso veio do amor. Então, encontre-o. Dê de presente. Segure firme. Faça crescer. A vida passa rápido, e as máquinas não vão dar mais dela a você.

Vejo um futuro diferente para a internet, construído em torno de pessoas reais, com um ser humano do outro lado de cada mensagem. Um futuro que não gira em torno de algoritmos, olhos capturados e otimização de tempo na tela. A próxima geração merece um mundo melhor, onde suas comunidades recompensem a gentileza, a curiosidade, a amizade, a confiança e a conexão.

Eu quero viver nesse mundo. Sei que você também quer.

Eu sei como chegar lá: vamos reconstruir a internet pela qual nos apaixonamos. Aquela com pessoas autênticas, conexão real e pertencimento genuíno. Mas não consigo construí-la sem você.

Peço que você se junte ao movimento. Entre em orkut.com e adicione seu nome. Depois, pense em uma pessoa que você gostaria de ter lá com você e envie seu cartão de apoiador para ela. Diga por que pensou nela. Lembre a ela por que você se importa.

Um algoritmo não consegue fazer a vida valer a pena. Mas um amigo consegue. Uma comunidade consegue. Então, vamos parar de otimizar para capturar a atenção e começar a otimizar uns para os outros. E vamos fazer isso do jeito que tudo de bom na minha vida aconteceu: com amor, e juntos.

Vamos tornar a internet humana de novo, juntos!

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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