Super El Niño ganha força e pode provocar calor histórico no Brasil; veja o que esperar

Super El Niño deve atingir força excepcional em dezembro de 2026 e pode favorecer temperaturas históricas no Brasil e no mundo em 2027.

Um Super El Niño está ganhando força no Oceano Pacífico e deve atingir seu pico de intensidade no fim de 2026. As novas projeções meteorológicas indicam que o fenômeno poderá estar entre os mais fortes já registrados e continuar influenciando o clima durante os primeiros meses de 2027.

O cenário aumenta a preocupação com temperaturas elevadas, ondas de calor e mudanças no regime de chuvas em diferentes partes do planeta. No Brasil, os efeitos devem variar de acordo com a região, com possibilidade de chuva acima da média no Sul e condições mais secas em áreas do Norte e Nordeste.

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Além disso, existe uma possibilidade que chama atenção: 2027 poderá se tornar o ano mais quente já registrado no mundo, caso as projeções atuais se confirmem.

El Niño terá intensidade excepcional em 2026

O fenômeno já apresenta sinais de forte intensificação.

O boletim mais recente do monitoramento climático brasileiro aponta 95% de probabilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.

A previsão é acompanhada por órgãos como INPE e INMET, que monitoram os efeitos do fenômeno sobre o território brasileiro.

A NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, também indicou uma probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte no período e apontou uma possibilidade significativa de que o episódio alcance intensidade histórica.

Com isso, o atual fenômeno poderá entrar para a lista dos eventos mais intensos observados desde 1950.

Pico do Super El Niño deve acontecer em dezembro

A Organização Meteorológica Mundial atualizou suas projeções em 8 de outubro e reforçou o cenário de rápida intensificação do fenômeno.

De acordo com a previsão, o El Niño deverá atingir seu pico em dezembro de 2026.

A temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas pelos cientistas para medir a intensidade do fenômeno, poderá apresentar uma anomalia média de aproximadamente 3,7°C acima do normal entre outubro e dezembro.

Esse valor seria muito superior ao recorde anterior da série considerada pela organização, que chegou a aproximadamente 2,6°C entre novembro de 2015 e janeiro de 2016.

A previsão coloca o atual episódio em um patamar excepcional.

El Niño pode continuar até 2027

O fenômeno não deve desaparecer imediatamente depois de atingir seu pico.

A Organização Meteorológica Mundial estima uma probabilidade próxima de 100% de que o El Niño continue presente até fevereiro de 2027.

Isso significa que o início do próximo ano ainda poderá ocorrer sob forte influência do aquecimento anormal do Pacífico.

A permanência do fenômeno é importante porque seus efeitos não ficam restritos ao oceano. O El Niño altera padrões de circulação atmosférica e pode modificar temperaturas e distribuição das chuvas em diferentes regiões do planeta.

2027 pode ser o ano mais quente da história

Uma das principais preocupações relacionadas ao atual Super El Niño está justamente no impacto que ele poderá provocar sobre a temperatura média global.

Projeções do serviço meteorológico do Reino Unido indicam que 2027 tem grande possibilidade de superar 2024 e se tornar o ano mais quente já registrado no planeta.

Isso ocorre porque episódios fortes de El Niño costumam contribuir para o aumento da temperatura média global, especialmente no período posterior ao pico do fenômeno.

O fenômeno natural se soma ao aquecimento provocado pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

Dessa forma, o calor adicional liberado pelo oceano pode elevar ainda mais uma temperatura global que já se encontra em níveis excepcionalmente altos.

Brasil pode ter calor intenso em 2027

No Brasil, os efeitos do Super El Niño também devem ser sentidos.

As projeções dos órgãos meteorológicos nacionais indicam temperaturas acima da média em grande parte do território brasileiro durante os próximos meses.

A permanência do fenômeno até o início de 2027 aumenta a possibilidade de períodos de calor intenso em diferentes regiões.

No entanto, existe uma diferença importante: a projeção de 2027 como possível ano mais quente refere-se à temperatura média global.

Até o momento, não existe uma previsão oficial que confirme que 2027 será o ano mais quente já registrado especificamente no Brasil.

Isso não elimina o risco de temperaturas extremas no país, mas evita transformar uma projeção mundial em uma certeza sobre o recorde nacional.

Sul do Brasil pode ter mais chuva

O comportamento do El Niño tende a ser diferente entre as regiões brasileiras.

No Sul, o fenômeno costuma favorecer o aumento da umidade e de episódios de chuva.

As projeções para o último trimestre de 2026 indicam precipitações acima da média na Região Sul, o que mantém o alerta para períodos de chuva intensa e possíveis temporais.

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estão entre os estados que podem registrar períodos de chuva mais volumosa.

O excesso de precipitação também pode aumentar o risco de enchentes e alagamentos em determinadas áreas, principalmente quando outros sistemas meteorológicos atuarem simultaneamente.

Norte e Nordeste podem enfrentar seca

Enquanto o Sul tende a receber mais chuva, o cenário projetado para parte do Norte e do Nordeste é diferente.

As previsões indicam possibilidade de precipitações abaixo da média em áreas dessas regiões.

A combinação entre menos chuva e temperaturas elevadas pode favorecer o aumento do déficit hídrico e ampliar o risco de períodos de estiagem.

Esse cenário também pode contribuir para condições mais favoráveis à ocorrência de queimadas em áreas onde o solo e a vegetação estiverem mais secos.

El Niño não explica sozinho todos os eventos extremos

Apesar da forte influência do fenômeno, o El Niño não determina sozinho o clima de cada região.

Outros fatores atmosféricos e oceânicos também podem modificar a distribuição das chuvas e das temperaturas.

Por isso, a ocorrência de uma onda de calor, uma enchente ou uma seca específica não pode ser atribuída automaticamente ao El Niño.

O fenômeno funciona como um dos principais elementos capazes de alterar o padrão climático, mas seus efeitos dependem da interação com outras condições meteorológicas.

O que esperar dos próximos meses?

O período entre o fim de 2026 e o início de 2027 será decisivo para determinar a intensidade e os impactos do atual Super El Niño.

A previsão aponta para um pico em dezembro, com temperaturas excepcionalmente elevadas no Pacífico.

Ao mesmo tempo, o fenômeno deverá continuar influenciando o clima nos primeiros meses de 2027.

Para o Brasil, isso significa atenção redobrada para calor intenso, chuva volumosa no Sul e períodos mais secos em áreas do Norte e Nordeste.

A possibilidade de 2027 se tornar o ano mais quente da história mundial também coloca o próximo ano no centro das atenções dos órgãos responsáveis pelo monitoramento climático.

Ainda assim, os recordes dependem das temperaturas que efetivamente serão registradas ao longo dos próximos meses.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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