O Brasil se despede de uma das vozes mais conhecidas do axé music. Netinho, nome artístico de Ernesto de Souza Andrade Júnior, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos. Natural de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, o cantor conquistou o público com sucessos que atravessaram gerações, especialmente a música “Milla”, um dos grandes símbolos de sua carreira.
A morte foi comunicada pela equipe do artista nas redes sociais. Segundo a nota, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
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“É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje”, informou a assessoria.
O comunicado também destacou a trajetória musical do cantor, lembrando seu talento, carisma e a maneira particular de se conectar com o público. Segundo a equipe, Netinho partiu tranquilo e costumava dizer, durante o tratamento, que se sentia realizado com tudo o que havia vivido e com o carinho recebido dos fãs.
Por desejo expresso do próprio artista, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos. A família pediu respeito à privacidade neste momento de despedida.
Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin
Netinho tornou público o diagnóstico de linfoma não Hodgkin em 2025. O câncer afeta o sistema linfático e, na época, o cantor precisou ser internado em Salvador após apresentar dores e dificuldades para caminhar.
Durante o tratamento, ele compartilhou atualizações com os fãs e demonstrou otimismo em publicações nas redes sociais. Depois de receber alta, deu continuidade aos cuidados médicos e retomou gradualmente suas atividades profissionais.
Em 2026, porém, o artista revelou que a doença havia retornado e que precisaria passar por novas sessões de quimioterapia.
No fim de setembro, sua equipe informou que ele estava novamente internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, para tratar a recidiva do linfoma. O cantor também havia reduzido sua presença nas redes sociais para se dedicar ao tratamento.
Da Banda Beijo ao sucesso nacional de “Milla”
A carreira de Netinho começou em bares de Salvador, onde interpretava músicas da MPB e da bossa nova. O caminho do artista mudou em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo.
Com o grupo, ganhou projeção nacional e ajudou a popularizar o axé music com canções como “Beijo na Boca” e “O Arrastão”.
A partir de 1993, Netinho seguiu carreira solo e alcançou um novo patamar de popularidade. O álbum Um Beijo pra Você vendeu mais de um milhão de cópias, segundo o texto original, e levou ao público “Milla”, música que se tornou um dos maiores sucessos de sua trajetória.
A canção ultrapassou fronteiras e permaneceu presente em carnavais, festas e encontros de diferentes gerações. O repertório do cantor também incluiu sucessos como “Menina”, “Prefixo de Verão” e “Pra Te Ter Aqui”.
Netinho também ficou marcado por iniciativas que ajudaram a levar o axé para além do Brasil. Em 1990, participou de uma apresentação com trio elétrico na Itália durante a Copa do Mundo. Dois anos depois, levou a estrutura para a Avenida Atlântica, em Copacabana, em uma iniciativa apontada como inédita na época.
Problemas de saúde marcaram parte da trajetória
Em 2013, o cantor enfrentou uma grave crise de saúde, com internações e cirurgias que o afastaram temporariamente dos palcos. Mais tarde, ele descreveu aquele período como uma fase de reconstrução pessoal e profissional.
Nos últimos anos, suas manifestações nas redes sociais também provocaram debates entre fãs, especialmente por declarações polêmicas e posicionamentos políticos que dividiram opiniões.
Apesar das controvérsias, sua contribuição para a música brasileira ficou ligada à expansão do axé e a um repertório que marcou os anos 1990 e continuou presente na memória do público.
Com a morte de Netinho, aos 60 anos, o cenário musical brasileiro perde um artista associado à energia do Carnaval e a canções que embalaram diferentes gerações. “Milla”, seu maior sucesso, permanece como uma das marcas mais reconhecidas de sua história na música.

