Anvisa proíbe venda de picolé de famosa marca brasileira em todo o país; veja motivo

Anvisa determina proibição de um picolé da Bentô Gelatos por conter melatonina e inositol, ingredientes não autorizados para esse tipo de alimento.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a venda de um picolé de uma marca brasileira após identificar ingredientes que não possuem autorização para utilização nesse tipo de alimento. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (26) e também determina a suspensão da fabricação, distribuição, divulgação e consumo do produto em todo o território nacional.

O produto atingido é o Picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0, fabricado pela empresa ABB Gelateria Ltda.

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A determinação surpreende pelo tipo de produto envolvido. Afinal, o picolé é um alimento bastante comum no Brasil, mas, neste caso, sua composição inclui substâncias que possuem regras específicas de utilização.

Segundo a agência reguladora, o problema está relacionado à presença de melatonina e inositol, ingredientes que não passaram pela avaliação de segurança necessária para serem utilizados em alimentos convencionais, como picolés.

A proibição não atinge todos os produtos da Bentô Gelatos, mas especificamente o item identificado na decisão.

Por que a Anvisa proibiu a venda do picolé?

A decisão foi tomada porque a composição do produto apresenta duas substâncias que não estão autorizadas para utilização nesse tipo de alimento.

A primeira é a melatonina, substância conhecida por sua relação com a regulação do ciclo de sono e vigília.

No Brasil, seu uso em produtos alimentícios está sujeito a regras específicas. A autorização existente para suplementos alimentares não significa que a substância possa ser adicionada livremente a sorvetes, picolés ou outros alimentos convencionais.

O segundo ingrediente é o inositol, substância utilizada em determinadas formulações de suplementos.

De acordo com a Anvisa, o inositol possui autorização para uso em suplementos alimentares e em composto líquido pronto para consumo, mas não foi submetido à avaliação de segurança exigida para utilização em picolés.

Por esse motivo, a agência determinou o recolhimento e a suspensão das atividades relacionadas ao produto.

Qual é a marca de picolé que teve a venda proibida?

A marca citada na decisão é a Bentô Gelatos, responsável pelo produto Magnésio + Inositol Relief 3.0.

A fabricação é atribuída à ABB Gelateria Ltda.

A medida foi formalizada por meio da Resolução-RE nº 4.189, de 22 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 26 de outubro.

A resolução determina o recolhimento do produto e suspende sua comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso.

Isso significa que o item não pode ser vendido ou oferecido ao consumidor enquanto a determinação estiver em vigor.

É importante destacar que a medida se refere ao produto identificado pela Anvisa, e não a todos os picolés comercializados pela fabricante.

Picolé com melatonina pode oferecer riscos à saúde?

A principal preocupação da Anvisa é a ausência de avaliação de segurança das substâncias para utilização nesse tipo de alimento.

Embora a melatonina e o inositol sejam permitidos em determinadas categorias de produtos, isso não significa que estejam automaticamente liberados para qualquer preparação alimentícia.

As avaliações sanitárias consideram fatores como quantidade utilizada, características do produto e condições de consumo.

Um ingrediente autorizado para suplementos alimentares, por exemplo, pode exigir uma nova análise antes de ser utilizado em um alimento convencional.

No caso do picolé da Bentô Gelatos, a agência não afirmou que consumidores sofreram intoxicações ou outros danos comprovados.

A proibição está relacionada à falta de avaliação de segurança dos ingredientes para essa finalidade.

O que disse a fabricante do picolé proibido pela Anvisa?

Após a divulgação da decisão, a Bentô Gelatos se manifestou sobre o caso.

Em posicionamento encaminhado à CNN Brasil, a empresa informou que tomou conhecimento da resolução e está cumprindo a determinação da agência.

Segundo a fabricante, o produto foi retirado de seus canais de venda e divulgação no mesmo dia.

A empresa também afirmou que o picolé não estava sendo comercializado e não integrava seu cardápio, razão pela qual, segundo sua versão, não houve recolhimento físico de unidades.

A Bentô Gelatos acrescentou que o assunto está sendo acompanhado por seu advogado.

Anvisa também proíbe suplemento alimentar de outra marca

A decisão envolvendo o picolé não foi a única medida anunciada pela agência nesta segunda-feira.

A Anvisa também determinou o recolhimento do suplemento alimentar Body Strong Protein, sabor cacau, da marca Equaliv, fabricado pela Althaia S.A. Indústria Farmacêutica.

Nesse caso, o problema envolve a presença de PeptiStrong, uma proteína de fava hidrolisada que não passou pela avaliação de segurança necessária para uso em alimentos.

A agência também identificou ausência de regularização sanitária do produto.

Com isso, foram suspensas sua fabricação, comercialização, distribuição, propaganda e utilização.

A fiscalização apontou ainda irregularidades relacionadas à publicidade do suplemento, incluindo alegações terapêuticas sobre prevenção de sarcopenia e preservação de massa magra em pessoas que utilizam medicamentos para emagrecimento.

Essas alegações não estavam devidamente autorizadas para o produto.

O que fazer se encontrar o picolé proibido à venda?

Consumidores que encontrarem o Picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0 sendo oferecido em estabelecimentos comerciais devem evitar a compra e o consumo.

A determinação da Anvisa impede a comercialização e a utilização do produto.

Quem já adquiriu o item pode entrar em contato com a fabricante ou com o estabelecimento responsável pela venda para solicitar orientações.

Também é possível comunicar a situação aos órgãos de vigilância sanitária.

A decisão reforça que produtos alimentícios com ingredientes associados a suplementos ou a efeitos fisiológicos precisam cumprir exigências específicas antes de chegar ao consumidor.

Mesmo quando uma substância é autorizada para determinado uso, isso não significa que possa ser adicionada a qualquer alimento.

Por isso, a Anvisa mantém regras de avaliação e fiscalização para verificar se os ingredientes são adequados às categorias de produtos em que são utilizados.

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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