O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria cruzado a pé a fronteira entre o Brasil e a Argentina na noite de segunda-feira (26), entre 21h e 22h, e mudado os planos de uma possível viagem aos Estados Unidos após a divulgação de uma reportagem sobre o caso. A informação foi publicada nesta terça-feira (27) pela emissora argentina Todo Noticias (TN), que cita fontes policiais.
Segundo a emissora, Flávio teria entrado no país vizinho utilizando documentos de identificação. Até o momento, porém, não há confirmação independente de que ele tenha atravessado a fronteira nem de que tenha embarcado para os Estados Unidos. O paradeiro do senador também não foi confirmado.
LEIA TAMBÉM:
- Escala 6×1 chega ao fim, mas vai beneficiar apenas trabalhadores que estiverem nessa lista de profissões
- “Cansados de ajudar quem não quer ser ajudado”: Após vitória de Lula, empresa diz que não fará mais doações de cestas básicas e agasalhos
- Idoso de 62 anos tenta viajar de ônibus sem pagar, mas atendente diz que gratuidade só vale a partir dos 65 anos e ele descobre o que diz a lei sobre trajetos interestaduais
A versão da TV argentina contrasta com uma nota oficial do governo de Javier Milei. Segundo informações divulgadas pelo UOL, a Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou não ter registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país. As autoridades também disseram que não havia plano de voo registrado para a família Bolsonaro.
O que a TV argentina informou sobre Flávio Bolsonaro?
De acordo com a Todo Noticias, o senador teria cruzado a fronteira a pé e planejado seguir até o aeroporto de Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, para embarcar em um jato particular com destino aos Estados Unidos.
A emissora afirma que a divulgação da informação pelo portal argentino Infobae, durante a madrugada desta terça-feira, teria provocado uma mudança nos planos. Não há, contudo, confirmação de que Flávio tenha chegado ao aeroporto ou embarcado na aeronave mencionada nas reportagens.
O Infobae havia noticiado que o senador teria entrado na Argentina utilizando seu documento nacional de identidade e que viajaria aos Estados Unidos em um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, atribuído à empresa Baires Fly S.A.
A informação sobre a suposta entrada clandestina na Argentina não foi confirmada pelas autoridades migratórias do país.
O que se sabe sobre o avião que poderia levar o senador aos EUA?
O avião citado nas reportagens é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. Segundo informações de rastreamento de voos divulgadas pela imprensa, a aeronave saiu de Buenos Aires na noite de segunda-feira (26) e chegou a Puerto Iguazú por volta das 23h45.
O jornal argentino La Nación informou que havia previsão de partida durante a madrugada, mas o voo teria sido cancelado porque um dos passageiros não chegou a tempo, segundo fontes da Polícia de Segurança Aeroportuária citadas pelo veículo.
A polícia da província de Misiones informou, conforme relatos da imprensa, que a aeronave permanecia em Puerto Iguazú. Os registros de rastreamento consultados por veículos de comunicação não mostravam uma decolagem posterior com destino aos Estados Unidos.
Essas informações, porém, não comprovam que Flávio Bolsonaro estivesse entre os passageiros previstos nem esclarecem onde ele se encontra.
Governo argentino nega entrada de Flávio Bolsonaro
Em meio às notícias sobre a possível viagem, o governo argentino afirmou oficialmente que não encontrou registro de entrada do senador no país.
Segundo a nota divulgada pela Direção Nacional de Migrações, as autoridades também realizaram verificações relacionadas à aeronave que chegou ao aeroporto de Puerto Iguazú. O órgão informou que a documentação da empresa estava regular e que não havia plano de voo incluindo a família Bolsonaro.
No Brasil, a Polícia Federal acionou autoridades argentinas e verificava os registros dos postos regulares de fronteira para apurar se o senador havia deixado o território brasileiro.
Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial de que Flávio tivesse entrado na Argentina ou seguido para os Estados Unidos.
Aliado de Flávio Bolsonaro nega saída do Brasil
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio, negou que o parlamentar tivesse deixado o Brasil.
Em declaração ao portal Metrópoles reproduzida pelo UOL, Marinho afirmou: “Não saiu”.
A negativa ocorre em meio à falta de informações confirmadas sobre o paradeiro do senador. A assessoria de Flávio não havia esclarecido publicamente a situação nas reportagens consultadas.
Por que a Polícia Federal procura informações sobre o senador?
A possível viagem foi noticiada após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada a uma investigação que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
Segundo a CNN Brasil, Moraes determinou o cancelamento do passaporte brasileiro do senador e a entrega, em até 24 horas, de documentos de viagem de outras nacionalidades que eventualmente estivessem em seu nome. A decisão também proibiu o contato entre Flávio e Willer Tomaz.
A Polícia Federal intimou o senador para cumprir a determinação. Como os documentos não foram entregues dentro do prazo, a corporação informou que cancelou os passaportes comum e diplomático no sistema de controle.
Flávio e Willer são investigados em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As suspeitas ainda são objeto de investigação, e a existência de um inquérito não significa que os envolvidos tenham sido condenados.
O senador nega irregularidades.
Afinal, Flávio Bolsonaro está na Argentina?
Até o momento, não há confirmação independente de que Flávio Bolsonaro tenha entrado na Argentina ou embarcado para os Estados Unidos.
A Todo Noticias divulgou a versão de que ele teria cruzado a fronteira a pé, enquanto o governo argentino afirmou não ter registro de entrada do senador. Um aliado também negou que ele tenha deixado o Brasil.
A Polícia Federal apura as informações junto às autoridades argentinas. Até que surjam novas confirmações, a suposta entrada na Argentina e a possível viagem aos Estados Unidos devem ser tratadas como informações não confirmadas.

