Empresa esconde 17 toneladas de barbatanas de tubarão em carga de sardinhas, e Ibama aplica multa de R$ 50 milhões

Uma carga apreendida em Santa Catarina revelou uma tentativa de exportação ilegal e levou a uma multa milionária. Entenda o caso.

Uma carga que deveria conter sardinhas-lage acabou revelando uma tentativa de exportação ilegal de produtos de tubarão. Após a apreensão de 17 toneladas de barbatanas no Porto de Itapoá, no litoral de Santa Catarina, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autuou a empresa responsável em R$ 50 milhões.

A ação ocorreu na terça-feira (27), depois que agentes da Receita Federal identificaram a carga suspeita. Parte das barbatanas pertencia a uma espécie ameaçada de extinção, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

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As nadadeiras estavam acondicionadas em sacos que deveriam conter sardinhas-lage. A forma de armazenamento levantou suspeitas de uma tentativa de enganar a fiscalização e permitir a saída irregular da mercadoria do país.

De acordo com a investigação, a carga seria enviada à Malásia para consumo humano. O caso também chamou atenção pela dimensão do material apreendido e pelo impacto sobre as populações de tubarões.

Carga de 17 toneladas poderia ter rendido milhões no exterior

O volume apreendido chegou a 17 toneladas de barbatanas. Em mercados asiáticos, o produto pode alcançar valores elevados: segundo as informações divulgadas sobre a operação, o quilo da iguaria chega a custar US$ 3 mil.

Esse valor, porém, não significa que toda a carga seria comercializada pelo preço máximo informado. O montante efetivo de uma operação depende de fatores como qualidade, espécie, condições de comercialização e preço negociado.

As barbatanas seriam destinadas à Malásia, país que receberia a mercadoria para consumo humano, conforme a investigação.

A exportação irregular de produtos de espécies protegidas ou submetidas a regras específicas pode configurar infração ambiental e resultar em sanções administrativas, além de outras medidas previstas na legislação.

Cerca de 5.700 tubarões podem ter sido abatidos

A dimensão da apreensão também chamou atenção pelo possível impacto sobre a vida marinha.

Agentes ambientais estimam que cerca de 5.700 tubarões tenham sido abatidos para a obtenção das barbatanas encontradas na carga.

Boa parte do material pertencia ao tubarão-azul (Prionace glauca), espécie migratória que é comercializada internacionalmente. Uma parcela menor foi identificada como pertencente ao tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus), que consta na lista brasileira de espécies ameaçadas.

A estimativa de animais abatidos ajuda a dimensionar o impacto potencial da atividade, mas não representa necessariamente uma contagem individual dos tubarões relacionados à carga apreendida.

Governo endureceu regras para exportação de tubarão-azul

Em março de 2026, o governo federal tornou mais rígidas as regras para exportação, importação e reexportação do tubarão-azul.

A espécie é migratória e integra uma cadeia comercial internacional expressiva. Por isso, o controle da circulação de seus produtos é importante para verificar a origem da mercadoria e o cumprimento das exigências ambientais.

As restrições aplicáveis dependem das normas em vigor e das características de cada operação. No caso da carga apreendida em Itapoá, a investigação apontou uma tentativa de exportação ilegal, com as barbatanas armazenadas em embalagens identificadas como se contivessem outro pescado.

A autuação de R$ 50 milhões foi aplicada pelo Ibama à empresa envolvida, conforme as informações divulgadas sobre a ocorrência.

Ibama já havia apreendido 28,7 toneladas de barbatanas em 2023

O caso de Santa Catarina também remete a uma grande apreensão realizada pelo Ibama em 2023.

Na ocasião, o instituto apreendeu 28,7 toneladas de barbatanas de tubarão que também teriam como destino o mercado asiático. Mais de 40 pessoas ligadas à atividade foram autuadas, segundo os dados divulgados sobre a operação.

A carga foi considerada, na época, a maior apreensão de barbatanas de tubarão já realizada no Brasil. A estimativa era de que aproximadamente 10 mil animais das espécies tubarão-azul e tubarão-anequim tivessem sido abatidos para a obtenção do material.

A nova ocorrência reforça a dimensão do desafio de fiscalizar o comércio internacional de produtos de tubarão e identificar possíveis tentativas de burlar os controles aduaneiros e ambientais.

O que acontece após a multa de R$ 50 milhões?

A autuação administrativa permite que o órgão ambiental adote os procedimentos previstos na legislação para responsabilizar a empresa pela infração identificada.

O andamento do caso dependerá dos procedimentos administrativos e de eventuais medidas adicionais das autoridades responsáveis. A aplicação da multa, por si só, não permite concluir que todas as etapas de responsabilização estejam encerradas.

A apreensão no Porto de Itapoá ocorreu após a atuação da Receita Federal, enquanto o Ibama aplicou a sanção ambiental informada de R$ 50 milhões.

O caso reúne três elementos centrais: o volume de barbatanas apreendido, a suspeita de ocultação da mercadoria em uma carga declarada como sardinhas-lage e a presença de produtos provenientes de espécies sujeitas a regras de proteção ambiental.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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