FOTO: Polícia Civil/Divulgação

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Da redação | A Justiça negou o pedido de liberdade da dona da clínica de vacinação presa na última quarta-feira (14) em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Ela é suspeita de aplicar falsas doses de vacina, principalmente em bebês.

Conforme o advogado Luiz Gustavo Puperi, a liminar foi negada, mas “o habeas corpus ainda será julgado por três desembargadores”, afirmou o defensor. De acordo com ele, existe ainda um pedido de revogação da prisão que está sendo analisado pela 2ª Vara Criminal de Novo Hamburgo.

A proprietária da clínica particular foi presa preventivamente por crimes contra as relações de consumo e saúde pública, segundo a Polícia Civil. A clínica foi interditada.

Motivos da prisão

De acordo com o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais, delegado Rodrigo Bozzetto, a mulher, de 37 anos, aplicava falsas doses de vacina. Ela usava as seringas vazias. “Isso é muito grave, é crime hediondo, em razão dessa exposição à população”, afirmou.

A investigação foi iniciada a partir de uma denúncia anônima. Além de vacinas contra meningite, eram oferecidas doses para febre amarela, que proprietária da clínica, que é farmacêutica, sequer tinha em estoque.

De acordo com a denúncia, a mesma agulha era usada em diferentes pessoas, entre elas crianças e adolescentes.

O Secretário Estadual de Saúde, João Gabbardo, informou que o local tinha autorização para aplicar as vacinas e alvará de funcionamento. No entanto, algumas exigências não estariam sendo cumpridas, como informar as autoridades públicas sobre as pessoas que foram imunizadas.

Gabbardo afirmou ainda que é praxe nas clínicas apresentar ao usuário o frasco fechado, e abrir a seringa para mostrar que é descartável.

A Polícia Civil orienta que as pessoa que foram vacinadas na clínica nos últimos meses procurem a Vigilância em Saúde de Novo Hamburgo e a Delegacia de Proteção ao Consumidor.

Denúncia falsa

Após ser presa, a proprietária foi levada à Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre. O advogado alegou que a prisão foi feita a partir de uma falsa denúncia e que não há informações de vítimas.

Segundo Puperi, a prisão preventiva foi solicitada a fim de garantir a ordem pública. Porém, como sua cliente está afastada da clínica, o entendimento da defesa é que ela não teria como exercer a profissão e, portanto, não haveria motivo para a prisão.