O Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX) divulgou uma atualização sobre o avanço do fenômeno do El Niño, que já está em curso. A análise, baseada em dados de centros internacionais como o Climate Prediction Center, eleva o nível de atenção para o Sul do Brasil, especialmente no estado. Confira a nota técnica no final da reportagem.
Segundo o documento, a probabilidade de o El Niño estar ativo no RS entre agosto e outubro de 2026 chega a cerca de 90%, podendo atingir até 93% no último trimestre do ano. O cenário é impulsionado pelo aquecimento acelerado das águas superficiais do Oceano Pacífico, sobretudo nas regiões próximas à costa da América do Sul.

Nova metodologia traz mais precisão
Um dos principais avanços apresentados na nota técnica é a adoção de um índice de monitoramento climático. Tradicionalmente, a intensidade dos fenômenos era medida pelo Índice Oceânico Niño (ONI), mas esse método passou a apresentar distorções devido ao aquecimento global acumulado.
Agora, os cientistas utilizam o Índice Relativo Oceânico Niño (RONI), que desconta a elevação média da temperatura global e permite uma leitura mais precisa das anomalias térmicas. Com essa nova abordagem, foi possível confirmar que os últimos anos ainda apresentavam características de La Niña, algo que o índice antigo não captava com clareza.
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Possibilidade de evento forte preocupa
As projeções indicam mais de 50% de chance de o El Niño atingir intensidade forte no último trimestre de 2026. Além disso, existe uma probabilidade de 25% de ocorrência de um evento muito forte, caracterizado por anomalias térmicas extremas no Pacífico.
Esse cenário é sustentado por fatores como o aquecimento das águas em subsuperfície e alterações nos ventos na faixa equatorial, que favorecem o acúmulo de calor. Caso essas condições persistam durante o inverno no Hemisfério Sul, o fenômeno tende a se intensificar.
Impactos do El Niño esperados no RS
Para o Rio Grande do Sul, os efeitos típicos do El Niño incluem aumento significativo das chuvas, elevação do risco de enchentes e maior frequência de eventos extremos. A combinação entre maior umidade, sistemas frontais persistentes e correntes atmosféricas intensificadas cria um ambiente propício para precipitações volumosas e contínuas.
Além disso, há previsão de noites mais quentes e impacto direto em setores como agricultura, energia e saúde pública.
Planejamento antecipado é essencial
Diante do cenário, especialistas reforçam a necessidade de ações preventivas. Embora previsões climáticas de longo prazo tenham limitações, o atual nível de probabilidade já é considerado suficiente para orientar medidas de mitigação.
Órgãos públicos, Defesa Civil e setores produtivos são aconselhados a revisar seus planos de contingência e investir na preparação da infraestrutura. A recomendação é de que não necessário esperar por eventos extremos para agir.
Outro ponto destacado é que o El Niño não atua isoladamente. Fatores como o aquecimento do Atlântico Sul e padrões atmosféricos globais também influenciam os impactos regionais, exigindo monitoramento contínuo.

