O governo federal lançou oficialmente nesta segunda-feira (4) o Desenrola 2.0 em cerimônia no Palácio do Planalto, retomando a proposta de renegociação de dívidas iniciada em 2023. A nova versão amplia o alcance e inclui medidas que vão além dos descontos tradicionais.
Entre os principais pontos, estão juros mais baixos, possibilidade de abatimento de até 90% das dívidas e novas regras para evitar que o endividamento volte a crescer logo após a renegociação
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Quais dívidas entram no Desenrola 2.0
O programa permite renegociar diferentes tipos de débitos, incluindo:
- Cartão de crédito
- Cheque especial
- Crédito pessoal
- Dívidas do Fies
As taxas de juros podem chegar a até 1,99% ao mês, dependendo do perfil do participante e do tipo de dívida negociada.
Uso do FGTS chama atenção entre as novidades
Um dos pontos mais comentados do Desenrola 2.0 é a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas.
Na prática, o dinheiro não passa pelas mãos do beneficiário. A Caixa Econômica Federal faz a transferência diretamente para o banco credor, garantindo que o valor seja usado exclusivamente para o pagamento da dívida.
Segundo o governo, a medida busca acelerar a saída das famílias do endividamento.
Bloqueio em bets vira destaque no programa
Outra mudança que gerou repercussão é o bloqueio em plataformas de apostas online.
Quem aderir ao Desenrola 2.0 ficará impedido de acessar sites de apostas por um período de um ano. A medida foi anunciada como uma forma de evitar que pessoas renegociem dívidas e voltem a perder dinheiro com jogos.
A decisão também reflete a preocupação do governo com o impacto das apostas no orçamento das famílias.
Endividamento recorde pressiona criação do programa
O lançamento do Desenrola 2.0 acontece em um momento de alto endividamento no país.
Dados do Banco Central mostram que o comprometimento da renda das famílias atingiu níveis recordes, com quase metade da renda anual já comprometida com dívidas.
Esse cenário reforça a tentativa do governo de estimular renegociações e aliviar a pressão financeira sobre milhões de brasileiros.
Críticas ao uso do FGTS entram no debate
Apesar dos benefícios, o uso do FGTS no programa tem gerado críticas.
Especialistas e representantes do setor imobiliário apontam que a medida pode afetar recursos destinados à habitação, além de reduzir uma espécie de “reserva” financeira do trabalhador.
O governo, por outro lado, afirma que o impacto será limitado e não comprometerá programas habitacionais.
O que esperar do Desenrola 2.0 daqui para frente
A expectativa é que o Desenrola 2.0 tenha novas etapas nos próximos meses, com foco também em trabalhadores informais e pequenas empresas.
Nesta primeira fase, o programa atende principalmente pessoas físicas, com o objetivo de reduzir o nível de endividamento e reorganizar o acesso ao crédito no país.

