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01 de junho de 2026

Primeira CNH muda no Brasil: veja o que ficou mais fácil, o que continua obrigatório e por que alguns candidatos estão pagando mais

A primeira CNH mudou e muita gente acredita que ficou mais barata. Mas novas regras, cobranças extras e mudanças nas provas estão gerando dúvidas entre candidatos. Entenda.

Quem pretende tirar a primeira CNH encontrou um cenário bastante diferente em 2026. As mudanças autorizadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) abriram espaço para instrutores autônomos, flexibilizaram parte do processo de aprendizagem e alteraram regras importantes do exame prático.

As novidades fizeram muita gente acreditar que o custo para obter a habilitação diminuiria de forma significativa. Na prática, porém, especialistas apontam que a realidade pode ser diferente dependendo do perfil do candidato.

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Além disso, apesar das mudanças, algumas etapas continuam obrigatórias e ainda exigem a participação dos Centros de Formação de Condutores (CFCs), conhecidos popularmente como autoescolas.

O que mudou para quem vai tirar a primeira CNH

A principal novidade é que o candidato já não precisa fazer todas as aulas práticas obrigatoriamente em um CFC.

Agora existe a possibilidade de contratar um instrutor autônomo credenciado pelo Detran para realizar o treinamento de direção.

Outra mudança importante foi a criação do curso teórico gratuito disponibilizado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), através do aplicativo CNH do Brasil e do Portal Gov.br.

Com isso, parte do processo pode ser realizada sem custos de matrícula em autoescolas.

Segundo o DetranRS, a flexibilização ajudou a aumentar o índice de aprovação na categoria B (automóveis), que passou de 56,9% para 76,5% em apenas um ano.

O que continua obrigatório

Apesar das novidades, quem deseja obter a primeira CNH ainda precisará passar por um CFC em algum momento do processo.

A coleta biométrica, a abertura do Registro Nacional de Carteiras de Habilitação (Renach), o agendamento de exames e a realização da prova teórica continuam vinculados aos centros de formação.

Também seguem obrigatórios:

  • Exame de aptidão física e mental;
  • Avaliação psicológica;
  • Aprovação na prova teórica;
  • Aprovação no exame prático de direção.

Ou seja, mesmo quem optar por estudar online e aprender com um instrutor autônomo não consegue concluir todo o processo sem passar por uma autoescola.

Por que alguns candidatos estão pagando mais

Uma das maiores polêmicas envolve justamente os alunos que escolhem instrutores autônomos.

Em muitos casos, ao retornarem ao CFC para utilizar um veículo durante a prova prática, encontram a exigência de contratar aulas adicionais.

Segundo representantes dos centros de formação, a cobrança serve para avaliar o nível de preparação do candidato antes de disponibilizar veículos que podem custar mais de R$ 100 mil.

Já os instrutores autônomos afirmam que algumas empresas utilizam essa prática para evitar perder alunos para a nova concorrência.

O resultado é que muitos candidatos acabam pagando valores extras que não estavam previstos inicialmente.

Quanto custa tirar a primeira CNH atualmente

As taxas oficiais do DetranRS permanecem obrigatórias.

Até janeiro de 2027, os valores são:

  • R$ 413,58 para categoria A ou B;
  • R$ 510,86 para categorias A e B juntas.

Essas taxas incluem:

  • Exame médico;
  • Avaliação psicológica;
  • Prova teórica;
  • Prova prática;
  • Emissão da Permissão para Dirigir.

As aulas práticas, por outro lado, passaram a ter preços livres, sem tabela oficial.

Isso significa que cada CFC ou instrutor autônomo pode definir seus próprios valores.

Mudanças também chegaram ao exame prático

Outra alteração que chamou atenção foi a flexibilização da prova prática.

A tradicional baliza deixou de ser um fator eliminatório automático.

Além disso, infrações que antes resultavam em reprovação imediata agora geram pontuação negativa.

Atualmente, o candidato só é reprovado caso ultrapasse o limite de 10 pontos durante o exame.

Segundo o DetranRS, a mudança contribuiu diretamente para o aumento dos índices de aprovação registrados nos últimos meses.

Exame toxicológico ainda gera dúvidas

Uma novidade aprovada na legislação é a futura exigência do exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação.

No entanto, a regra ainda não entrou em vigor porque a Senatran não concluiu a integração dos sistemas necessários para operacionalizar o procedimento.

Por enquanto, o exame não está sendo cobrado dos candidatos.

Como funciona hoje o processo para tirar a primeira CNH

Atualmente, o caminho para obter a habilitação segue as seguintes etapas:

  1. Fazer o pré-cadastro no aplicativo CNH do Brasil;
  2. Concluir o curso teórico gratuito ou optar pelo curso em um CFC;
  3. Comparecer ao CFC para biometria e abertura do Renach;
  4. Realizar exame médico e avaliação psicológica;
  5. Fazer a prova teórica;
  6. Escolher entre aulas em CFC ou com instrutor autônomo;
  7. Realizar o exame prático;
  8. Receber a Permissão para Dirigir.

Após um ano sem infrações graves ou gravíssimas, a permissão é convertida automaticamente na CNH definitiva.

O que esperar daqui para frente

Mesmo após seis meses das mudanças, o mercado ainda passa por um período de adaptação.

A adesão aos instrutores autônomos permanece baixa no Rio Grande do Sul, representando menos de 1% dos processos de primeira habilitação.

Ao mesmo tempo, o DetranRS trabalha para ampliar os locais de prova e definir detalhes pendentes, como a futura implementação do exame toxicológico.

Enquanto isso, especialistas reforçam que o foco principal não deve ser apenas o custo para obter a habilitação, mas a formação adequada dos novos motoristas, já que a segurança no trânsito continua sendo o objetivo mais importante de todo o processo.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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