Uma situação incomum chamou a atenção de moradores de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, durante o último fim de semana. Mesmo sem registro de chuva intensa na região, uma inundação provocou o avanço das águas da Lagoa dos Patos sobre ruas do bairro Cidade Nova.
O episódio gerou dúvidas entre moradores, principalmente porque muitas pessoas associam alagamentos apenas a temporais ou enchentes provocadas por grandes volumes de chuva. Desta vez, porém, a explicação foi diferente.
LEIA TAMBÉM:
- STF derruba mais um ponto de Bolsonaro sobre a Reforma da Previdência e muda aposentadoria
- Segredo revelado: descubra como é escolhido o dia exato em que o dinheiro do Bolsa Família cai na sua conta
- Quer trocar sua geladeira velha? Brastemp e Consul prometem recolher aparelho antigo e dar desconto em novo com este novo projeto; veja como deverá funcionar e quando
Segundo a Defesa Civil, a elevação do nível da lagoa ocorreu por causa da ação dos ventos e da dinâmica natural de escoamento das águas na região da Barra do Rio Grande.
Como uma inundação pode acontecer sem chuva?

Embora pareça estranho, uma inundação nem sempre depende da chuva que cai diretamente sobre a cidade.
Especialistas explicam que ventos persistentes podem empurrar grandes volumes de água dentro da Lagoa dos Patos, dificultando seu escoamento para o oceano. Esse fenômeno cria um represamento temporário que eleva rapidamente o nível da lagoa.
Foi exatamente isso que aconteceu em Rio Grande.
Durante o domingo (14), o nível da água chegou a 85 centímetros, ultrapassando a cota de inundação estabelecida em 80 centímetros.
Quais áreas foram afetadas?
Com a elevação do nível da lagoa, a água avançou sobre trechos das ruas Lagoa Azul e Marechal Deodoro, localizadas no bairro Cidade Nova.
Apesar dos alagamentos pontuais, não houve necessidade de retirada de moradores nem registro de danos significativos.
Ainda durante a noite, o nível começou a baixar gradualmente.
Às 22h, a medição já indicava 71,8 centímetros, voltando para abaixo da cota considerada crítica.
O fenômeno tem relação com El Niño?
Não.
De acordo com a Defesa Civil, a inundação registrada em Rio Grande não possui relação direta com o fenômeno El Niño nem com chuvas extremas.
O comportamento observado está ligado principalmente às condições dos ventos e ao funcionamento natural do sistema lagunar da região.
Por isso, oscilações rápidas podem ocorrer mesmo em períodos de tempo estável.
Situação atual é preocupante?
Segundo a Defesa Civil de Rio Grande, o risco atual é considerado baixo.
Na manhã de segunda-feira (15), a Lagoa dos Patos apresentava cerca de 62 centímetros, bem abaixo da cota de inundação.
Mesmo assim, o monitoramento permanece constante em áreas historicamente vulneráveis, como:
- Cidade Nova;
- Navegantes;
- Mangueira;
- Região das ruas Henrique Pancada e Alberto Tôrres.
Cenário está longe da enchente histórica de 2024
Apesar do susto, os especialistas reforçam que o episódio não se compara à enchente histórica registrada em maio de 2024.
Naquela ocasião, a Lagoa dos Patos atingiu impressionantes 218 centímetros em Rio Grande, provocando uma das maiores crises climáticas já enfrentadas pelo Estado.
Atualmente, não existem indicativos de que a recente inundação possa evoluir para um cenário semelhante.
A situação segue sob observação, mas a tendência é de manutenção dos níveis dentro da normalidade nos próximos dias.

