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16 de junho de 2026

Primeiros efeitos do El Niño? Lagoa dos Patos transborda e invade ruas de cidade no RS; entenda o que aconteceu

Sem chuva intensa e sem El Niño, inundação chama atenção no RS. Especialistas explicam por que a Lagoa dos Patos avançou em cidade gaúcha.

Uma situação incomum chamou a atenção de moradores de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, durante o último fim de semana. Mesmo sem registro de chuva intensa na região, uma inundação provocou o avanço das águas da Lagoa dos Patos sobre ruas do bairro Cidade Nova.

O episódio gerou dúvidas entre moradores, principalmente porque muitas pessoas associam alagamentos apenas a temporais ou enchentes provocadas por grandes volumes de chuva. Desta vez, porém, a explicação foi diferente.

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Segundo a Defesa Civil, a elevação do nível da lagoa ocorreu por causa da ação dos ventos e da dinâmica natural de escoamento das águas na região da Barra do Rio Grande.

Como uma inundação pode acontecer sem chuva?

(Foto: Defesa Civil/Divulgação)

Embora pareça estranho, uma inundação nem sempre depende da chuva que cai diretamente sobre a cidade.

Especialistas explicam que ventos persistentes podem empurrar grandes volumes de água dentro da Lagoa dos Patos, dificultando seu escoamento para o oceano. Esse fenômeno cria um represamento temporário que eleva rapidamente o nível da lagoa.

Foi exatamente isso que aconteceu em Rio Grande.

Durante o domingo (14), o nível da água chegou a 85 centímetros, ultrapassando a cota de inundação estabelecida em 80 centímetros.

Quais áreas foram afetadas?

Com a elevação do nível da lagoa, a água avançou sobre trechos das ruas Lagoa Azul e Marechal Deodoro, localizadas no bairro Cidade Nova.

Apesar dos alagamentos pontuais, não houve necessidade de retirada de moradores nem registro de danos significativos.

Ainda durante a noite, o nível começou a baixar gradualmente.

Às 22h, a medição já indicava 71,8 centímetros, voltando para abaixo da cota considerada crítica.

O fenômeno tem relação com El Niño?

Não.

De acordo com a Defesa Civil, a inundação registrada em Rio Grande não possui relação direta com o fenômeno El Niño nem com chuvas extremas.

O comportamento observado está ligado principalmente às condições dos ventos e ao funcionamento natural do sistema lagunar da região.

Por isso, oscilações rápidas podem ocorrer mesmo em períodos de tempo estável.

Situação atual é preocupante?

Segundo a Defesa Civil de Rio Grande, o risco atual é considerado baixo.

Na manhã de segunda-feira (15), a Lagoa dos Patos apresentava cerca de 62 centímetros, bem abaixo da cota de inundação.

Mesmo assim, o monitoramento permanece constante em áreas historicamente vulneráveis, como:

  • Cidade Nova;
  • Navegantes;
  • Mangueira;
  • Região das ruas Henrique Pancada e Alberto Tôrres.

Cenário está longe da enchente histórica de 2024

Apesar do susto, os especialistas reforçam que o episódio não se compara à enchente histórica registrada em maio de 2024.

Naquela ocasião, a Lagoa dos Patos atingiu impressionantes 218 centímetros em Rio Grande, provocando uma das maiores crises climáticas já enfrentadas pelo Estado.

Atualmente, não existem indicativos de que a recente inundação possa evoluir para um cenário semelhante.

A situação segue sob observação, mas a tendência é de manutenção dos níveis dentro da normalidade nos próximos dias.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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