A previsão de cheias no Rio Grande do Sul pode ganhar um importante reforço nos próximos anos. Um novo modelo desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) promete ampliar o tempo de antecedência dos alertas de enchentes, permitindo que moradores e autoridades recebam avisos com até 12 horas de antecedência.
Atualmente, o sistema utilizado na bacia Taquari-Antas consegue prever a chegada das cheias com cerca de quatro a seis horas de antecedência. Com a nova tecnologia, esse prazo poderá praticamente dobrar, oferecendo mais tempo para ações preventivas e evacuações em áreas de risco.
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Como funciona a nova previsão de cheias
A principal novidade está na inclusão de informações que vão além do monitoramento dos rios. O modelo também considera dados de chuva observada e prevista, características do solo, vegetação, áreas agrícolas e regiões urbanizadas.
Dessa forma, os pesquisadores conseguem estimar quanto da água da chuva chegará aos rios antes mesmo que os equipamentos registrem a elevação dos níveis. O objetivo é tornar os alertas mais rápidos e eficientes.
Mais tempo para municípios se prepararem
Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o aumento da antecedência pode ajudar diretamente o trabalho das Defesas Civis, dos bombeiros e das prefeituras.
Com mais horas disponíveis para agir, os municípios poderão organizar evacuações, bloquear áreas de risco e orientar a população antes que os rios atinjam níveis críticos.
Sistema também vai analisar diferentes previsões do tempo
Outra novidade é que a ferramenta irá comparar previsões produzidas por diferentes centros meteorológicos internacionais.
De acordo com os técnicos envolvidos no projeto, modelos como o europeu ECMWF vêm apresentando resultados bastante próximos da realidade na região, o que pode aumentar a confiabilidade das projeções utilizadas pelo sistema.
Municípios sem estação também poderão receber estimativas
O novo modelo também permitirá calcular o comportamento dos rios em cidades localizadas entre as estações de monitoramento existentes.
Hoje, diversos trechos da bacia não possuem equipamentos automáticos para medição em tempo real. Com a nova tecnologia, será possível fazer estimativas do nível da água nesses locais, oferecendo informações adicionais para municípios que atualmente possuem menos dados disponíveis.
Projeto ainda passa por testes
Apesar do potencial da ferramenta, o sistema ainda está em fase de desenvolvimento, calibração e testes técnicos.
A expectativa é que, após a validação dos resultados, a previsão de cheias passe a oferecer um horizonte maior para tomada de decisões, especialmente em regiões que convivem com o risco frequente de enchentes, como o Vale do Taquari.

