Gerente é demitido por justa causa após usar inteligência artificial em pedidos de iFood

Gerente teve a justa causa mantida pela Justiça após utilizar inteligência artificial em pedidos de delivery.

Um caso envolvendo inteligência artificial e atendimento ao consumidor terminou com uma justa causa confirmada pela Justiça do Trabalho. O episódio chamou atenção porque a tecnologia teria sido utilizada para alterar uma imagem apresentada como prova durante uma reclamação feita por um cliente.

Segundo a decisão judicial, o trabalhador ocupava um cargo de confiança e teria manipulado uma fotografia para tentar demonstrar que um pedido havia sido entregue corretamente. A conduta foi considerada grave o suficiente para justificar a demissão.

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Justiça mantém justa causa de gerente

A Justiça do Trabalho manteve a justa causa aplicada a um gerente de uma hamburgueria de Brasília. Conforme o processo, ele teria utilizado inteligência artificial para modificar uma fotografia enviada ao suporte do iFood durante a contestação de uma reclamação feita por um consumidor.

O caso foi analisado pelo juiz do Trabalho substituto Raul Gualberto Fernandes Kasper de Amorim, da 2ª Vara do Trabalho de Brasília.

De acordo com a decisão, a manipulação da imagem caracterizou ato de improbidade e mau procedimento, hipóteses previstas no artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Como aconteceu a fraude

Segundo a empresa, sempre que um cliente informava que algum item não havia sido entregue, o gerente alterava a fotografia do pedido utilizando inteligência artificial.

Em um dos casos citados no processo, o consumidor afirmou ter recebido apenas dois refrigerantes, embora tivesse comprado quatro.

A fotografia apresentada posteriormente ao suporte do iFood mostrava quatro unidades. Conforme os autos, a imagem havia sido modificada digitalmente para aparentar que o pedido estava completo.

A intenção seria evitar o estorno do valor pago pelo cliente.

Testemunha confirmou uso da inteligência artificial

Durante a ação trabalhista, uma testemunha afirmou ter presenciado o gerente utilizando o ChatGPT para alterar a fotografia antes de encaminhá-la ao atendimento do iFood.

Para o magistrado, a situação ultrapassou um simples erro operacional.

Na sentença, ficou registrado que houve tentativa deliberada de produzir uma prova falsa para contestar a reclamação do consumidor, comprometendo a relação de confiança necessária entre empregado e empregador.

Por que a justa causa foi mantida

Na avaliação da Justiça, a gravidade da conduta foi ainda maior porque o trabalhador exercia função de confiança dentro da empresa.

Segundo o juiz, um gerente possui responsabilidades superiores às de outros empregados e deve agir com boa-fé na condução das atividades.

Por esse motivo, a justa causa foi considerada proporcional diante das provas apresentadas no processo.

Ex-gerente tentou reverter a demissão

Após o desligamento, o trabalhador ingressou com ação judicial para tentar anular a justa causa.

Ele alegou que sofria assédio moral, apontou atrasos em depósitos do FGTS e afirmou que houve problemas relacionados a um empréstimo consignado.

Também pediu o reconhecimento da rescisão indireta do contrato de trabalho.

Justiça rejeitou demais pedidos

Ao analisar as conversas apresentadas no processo, o magistrado concluiu que as mensagens trocadas entre o gerente e o proprietário da hamburgueria não demonstravam assédio moral.

Em relação ao FGTS, a empresa comprovou que os valores foram posteriormente regularizados.

Já sobre o empréstimo consignado, o juiz entendeu que o trabalhador não apresentou provas de prejuízo concreto decorrente do atraso no repasse.

Por isso, todos os pedidos foram rejeitados.

Inteligência artificial não foi responsabilizada

A decisão destaca que a tecnologia utilizada não foi responsabilizada pelo ocorrido.

Segundo a sentença, a irregularidade consistiu no uso da inteligência artificial para produzir uma imagem falsa com o objetivo de induzir terceiros ao erro.

Assim, a responsabilidade recaiu exclusivamente sobre a conduta do gerente.

O que o trabalhador perde na justa causa?

Quando a justa causa é aplicada, o empregado deixa de receber alguns direitos previstos em uma demissão sem justa causa.

Entre eles estão:

  • aviso-prévio;
  • multa de 40% sobre o FGTS;
  • saque integral do FGTS, nas hipóteses previstas;
  • seguro-desemprego.

Como se trata da penalidade mais severa prevista na CLT, a Justiça exige provas consistentes para sua manutenção.

No caso analisado pela 2ª Vara do Trabalho de Brasília, o entendimento foi de que a adulteração da fotografia com auxílio de inteligência artificial representou quebra de confiança suficiente para justificar a manutenção da justa causa aplicada pela empresa.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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