A Electrolux está passando por uma grande reorganização de suas operações internacionais, com fechamento de fábricas, mudanças nas linhas de produção e redução de milhares de postos de trabalho.
A fabricante de eletrodomésticos estima uma redução líquida de aproximadamente 3 mil funcionários em todo o mundo nos próximos anos. O número faz parte de um plano mais amplo para diminuir custos, melhorar a eficiência das fábricas e adaptar a produção às condições de cada mercado.
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Algumas medidas, porém, já estão em andamento. A companhia encerrou sua atividade industrial própria no Chile, decidiu fechar uma fábrica na Hungria e retirou a produção de refrigeradores de uma importante unidade nos Estados Unidos.
Apesar dos cortes e fechamentos, a Electrolux não está deixando de fabricar geladeiras. A produção continua em outras unidades e com parceiros industriais.
No Brasil, inclusive, o cenário é diferente: a empresa mantém suas fábricas e recentemente realizou um investimento de aproximadamente R$ 700 milhões em uma nova unidade no Paraná.
Electrolux vai demitir 3 mil funcionários?
A Electrolux calcula uma redução líquida de cerca de 3 mil funcionários globalmente como consequência de seu atual programa de transformação.
É importante destacar que esse número não representa necessariamente 3 mil demissões realizadas de uma só vez. A estimativa considera a diferença entre postos eliminados e novas vagas que poderão ser abertas durante a reorganização.
A empresa pretende concentrar a produção em operações mais competitivas, melhorar o aproveitamento da capacidade instalada e reduzir despesas.
Segundo a companhia, as mudanças devem proporcionar ganhos graduais de eficiência, que podem chegar a aproximadamente 1,4 bilhão de coroas suecas no terceiro ano do programa.
Electrolux fechou uma fábrica no Chile
Uma das mudanças que já foi concluída aconteceu no Chile.
A Electrolux encerrou as atividades de sua fábrica em Santiago no fim de abril de 2026. Aproximadamente 400 trabalhadores foram afetados pelo fechamento.
Com o encerramento da unidade, a companhia deixou de fabricar seus próprios produtos no país.
Isso, entretanto, não significa que a Electrolux abandonou o mercado chileno. A empresa continua comercializando seus eletrodomésticos, que passam a ser abastecidos por outras fábricas do grupo ou por parceiros externos.
A decisão foi tomada depois de uma avaliação sobre a competitividade dos custos da operação local.
Fábrica de geladeiras da Electrolux será fechada na Hungria
Outra decisão importante envolve a fábrica da Electrolux em Jászberény, na Hungria.
A companhia decidiu encerrar as atividades da unidade até o fim de 2026. A fábrica produz refrigeradores independentes e modelos embutidos.
O fechamento deverá afetar aproximadamente 600 funcionários.
Segundo a empresa, a unidade enfrenta um cenário de demanda estagnada, pressão sobre os preços e dificuldades para manter sua competitividade de custos.
A Electrolux pretende utilizar outras fábricas existentes e fabricantes parceiros para continuar atendendo à demanda.
Ou seja, a empresa está encerrando a produção de geladeiras nessa unidade específica, e não eliminando os refrigeradores de seu portfólio mundial.
Mais de 1.200 funcionários são afetados nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, uma das maiores mudanças acontece na fábrica da Electrolux em Anderson, na Carolina do Sul.
A unidade tinha uma longa relação com a fabricação de refrigeradores, mas a companhia decidiu retirar a produção de equipamentos de refrigeração do complexo.
Uma notificação trabalhista apresentada às autoridades estaduais apontou 1.255 trabalhadores afetados pelos desligamentos, com efeitos a partir de julho de 2026.
A mudança representa uma das maiores reduções concentradas de funcionários relacionadas ao atual processo de reorganização da empresa.
Electrolux vai parar de fabricar geladeiras nos EUA?
Não exatamente.
A empresa decidiu retirar a fabricação de refrigeradores da fábrica de Anderson, mas não pretende abandonar o complexo industrial.
A unidade será transformada para produzir máquinas de lavar e secadoras de roupas.
Para isso, a Electrolux firmou uma parceria de longo prazo com a chinesa Midea. A nova joint venture terá 55% de participação da Electrolux e 45% da Midea.
A previsão é que a nova produção comece no primeiro semestre de 2027.
A operação também poderá contratar gradualmente até 1.200 funcionários entre 2027 e 2028, o que significa que parte dos postos de trabalho poderá ser recuperada com a mudança da atividade industrial.
A Electrolux vai deixar de fabricar geladeiras?
Não. Essa é uma das principais diferenças do processo atual.
A Electrolux continua fabricando e vendendo geladeiras, mas está reorganizando onde esses produtos são produzidos.
Na Hungria, uma fábrica especializada em refrigeração será encerrada.
Nos Estados Unidos, a produção de refrigeradores deixará a unidade de Anderson para dar lugar a máquinas de lavar e secadoras.
No Chile, a empresa encerrou sua fabricação industrial própria.
Por outro lado, a companhia mantém outras operações e também utiliza parceiros para atender determinados mercados.
A própria parceria com a Midea inclui negócios relacionados à produção e comercialização de produtos de refrigeração na América do Norte.
Portanto, não há anúncio de que as geladeiras Electrolux desaparecerão das lojas.
Por que a Electrolux está fechando fábricas?
A reorganização ocorre em meio a um cenário de pressão sobre custos, concorrência internacional e mudanças na demanda.
A situação é especialmente desafiadora na América do Norte, onde a empresa também enfrenta efeitos de tarifas comerciais e um mercado de eletrodomésticos mais fraco.
Diante desse cenário, a Electrolux busca trabalhar com uma estrutura industrial mais enxuta e aumentar o uso de parceiros em determinadas operações.
A companhia também pretende melhorar a utilização de suas fábricas e diminuir custos fixos.
Ao divulgar os resultados do primeiro trimestre de 2026, a empresa passou a considerar negativa sua perspectiva para o mercado norte-americano.
Para o Brasil, entretanto, a avaliação foi diferente, com uma perspectiva positiva.
Electrolux teve prejuízo de mais de 1,6 bilhão de coroas
A transformação acontece enquanto a companhia enfrenta dificuldades financeiras.
No segundo trimestre de 2026, a Electrolux registrou prejuízo líquido de 1,641 bilhão de coroas suecas. No mesmo período do ano anterior, havia registrado lucro líquido.
O processo de reorganização também envolve despesas com indenizações, encerramento de unidades, transferência de produção e transformação das fábricas.
Para reforçar sua estrutura financeira e financiar projetos considerados estratégicos, a companhia realizou ainda uma emissão de ações de aproximadamente 9 bilhões de coroas suecas.
Apesar dos números negativos, a Electrolux continua sendo uma multinacional de grande porte, presente em aproximadamente 120 mercados e com vendas de 131 bilhões de coroas suecas em 2025.
Electrolux também enfrenta disputa sobre fábrica na Itália
A reestruturação não se limita às unidades que já tiveram mudanças confirmadas.
Na Itália, a companhia apresentou um plano envolvendo aproximadamente 1.700 postos de trabalho e a possibilidade de fechamento da fábrica de Cerreto d’Esi.
A proposta provocou resistência de sindicatos e autoridades italianas.
Em junho, a Electrolux concordou em suspender temporariamente o plano para discutir alternativas.
As negociações continuaram nos meses seguintes. Em julho, representantes dos trabalhadores afirmaram que ainda não havia sido encontrada uma solução capaz de impedir o encerramento da unidade.
Por isso, os 1.700 empregos italianos não devem ser tratados como demissões já concluídas. O futuro da fábrica ainda depende das negociações e de um eventual novo plano industrial.
E as fábricas da Electrolux no Brasil?
Enquanto a empresa reduz sua estrutura em alguns mercados, o Brasil segue em uma situação diferente.
Até o momento, não há anúncio de fechamento das fábricas brasileiras relacionado a esse programa global de reorganização.
Também não existe informação de que a Electrolux tenha decidido encerrar a fabricação de geladeiras no país.
Pelo contrário, a companhia realizou uma importante expansão industrial no território brasileiro.
Em 2025, a empresa inaugurou uma nova fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná, dentro de um projeto que recebeu aproximadamente R$ 700 milhões em investimentos.
A unidade se tornou a quinta fábrica da Electrolux no Brasil.
Nova fábrica recebeu R$ 700 milhões de investimento
A nova unidade começou produzindo ventiladores e liquidificadores, produtos que anteriormente eram importados para abastecer o mercado brasileiro.
A Electrolux prevê ampliar gradualmente o portfólio produzido no local.
Quando atingir a capacidade planejada, a fábrica poderá produzir mais de 5 milhões de itens por ano.
O projeto também tem potencial para gerar cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com as informações divulgadas durante a implantação.
O investimento representa uma das principais expansões industriais recentes da companhia na América Latina.
Brasil não está entre os países com fábricas fechadas
A atual transformação da Electrolux, portanto, produz efeitos diferentes conforme o país.
No Chile, a companhia encerrou sua fabricação própria.
Na Hungria, uma fábrica de refrigeradores será fechada até o fim de 2026.
Nos Estados Unidos, 1.255 trabalhadores foram afetados pela retirada da produção de geladeiras de uma unidade que será transformada para fabricar lavadoras e secadoras.
Ao mesmo tempo, a empresa calcula uma redução líquida de aproximadamente 3 mil funcionários globalmente.
No Brasil, porém, não há anúncio de fechamento das fábricas relacionado a esse processo. A companhia mantém sua produção e conta com uma nova unidade industrial que recebeu R$ 700 milhões.
Assim, embora a Electrolux esteja fechando fábricas e mudando a produção de geladeiras em alguns países, isso não significa o fim da fabricação de refrigeradores da marca nem uma saída do mercado brasileiro.

