Empresa da Petrobrás prepara recuperação extrajudicial após acumular dívida bilionária

A Braskem, uma das maiores empresas petroquímicas do Brasil e controlada pela Petrobras em conjunto com o grupo IG4, entrou em uma nova etapa de sua crise financeira. O conselho de administração autorizou a companhia a avançar com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida que chega a aproximadamente US$ 10,9 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 56 bilhões.

A medida busca criar espaço para que a empresa consiga reorganizar seus compromissos financeiros e negociar novas condições de pagamento com os credores.

LEIA TAMBÉM:

Braskem prepara pedido de recuperação extrajudicial

Diferentemente de uma recuperação judicial tradicional, a recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie previamente com determinados grupos de credores e apresente posteriormente o plano à Justiça para homologação.

No caso da Braskem, o conselho já autorizou o avanço do processo e a companhia trabalha na formalização dos documentos necessários para protocolar o pedido.

A recuperação está concentrada principalmente nas dívidas financeiras da empresa. Segundo informações divulgadas sobre o processo, a medida não deve interromper pagamentos a fornecedores nem comprometer os salários dos funcionários.

Dívida chega a aproximadamente R$ 56 bilhões

O passivo que será reestruturado está estimado em aproximadamente US$ 10,9 bilhões.

A maior parte da dívida está relacionada a compromissos financeiros, incluindo títulos emitidos no mercado internacional e dívidas com instituições financeiras.

O tamanho do passivo coloca a Braskem entre os maiores casos recentes de reestruturação empresarial no país.

A situação também chama atenção porque o valor de mercado da companhia caiu drasticamente nos últimos anos. A empresa, que chegou a valer cerca de R$ 60 bilhões em 2017, atualmente apresenta valor de mercado muito inferior.

Petrobras está entre as controladoras

A Braskem possui uma estrutura acionária que envolve a Petrobras e o grupo IG4.

A mudança no controle da companhia ocorreu em meio ao processo de reestruturação societária. O grupo IG4 passou a deter 50,1% do poder de voto, enquanto a antiga controladora Novonor manteve uma participação minoritária sem direito a voto.

Apesar da participação da Petrobras, a dívida da Braskem não significa automaticamente que a estatal terá de assumir o passivo da companhia.

A Braskem possui estrutura societária própria e está buscando negociar diretamente suas obrigações com os credores.

Crise envolve diferentes problemas financeiros

A situação atual é resultado de uma combinação de fatores que pressionaram as contas da petroquímica.

Entre eles estão a queda das margens do setor petroquímico, o excesso de oferta internacional e a demanda mais fraca, fatores que reduziram a rentabilidade da operação.

A empresa também enfrenta consequências financeiras relacionadas ao desastre geológico provocado pela exploração de sal-gema em Maceió, Alagoas.

O problema levou à evacuação de mais de 60 mil pessoas e gerou custos bilionários para a companhia. As despesas relacionadas ao desastre já alcançaram aproximadamente R$ 15,8 bilhões.

Subsidiária no México também enfrenta recuperação

A crise não está restrita à operação brasileira.

A Braskem Idesa, joint venture da Braskem com o Grupo Idesa no México, entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos pelo mecanismo conhecido como Chapter 11.

A subsidiária busca reorganizar uma dívida que estava em aproximadamente US$ 2,5 bilhões, com um plano que prevê redução do endividamento para cerca de US$ 1,6 bilhão.

A Braskem informou que continuará participando da empresa mexicana e deverá contribuir com recursos para a reestruturação.

Empresa teve lucro, mas continua pressionada

A situação financeira da Braskem ocorre mesmo após a empresa apresentar uma melhora operacional em determinados períodos.

No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou lucro líquido de R$ 3,33 bilhões, revertendo um resultado negativo anterior. Ainda assim, o elevado endividamento continua sendo um dos principais problemas enfrentados pela empresa.

Isso mostra que uma empresa pode apresentar lucro em determinado período e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades para administrar sua estrutura de dívida.

Credores terão papel decisivo

A recuperação extrajudicial dependerá diretamente das negociações com os credores.

Os detentores de títulos internacionais representam aproximadamente 65,3% da dívida, enquanto bancos e agências respondem por cerca de 26,8%. Outros investidores possuem parcelas menores.

Para que o plano seja aprovado, será necessário obter apoio superior a 50% dos credores em cada classe de dívida.

A forma como esses grupos serão organizados pode influenciar diretamente o poder de decisão durante as negociações.

Braskem terá período para negociar

Com o pedido apresentado à Justiça, a empresa passa a contar com um período de proteção para avançar nas negociações.

A companhia terá 90 dias para buscar os acordos necessários com os credores e estruturar a aprovação do plano de reestruturação.

Durante esse período, o objetivo é criar um ambiente mais estável para discutir prazos, juros e outras condições relacionadas às dívidas.

Recuperação não significa fechamento da empresa

É importante destacar que uma recuperação extrajudicial não significa que a Braskem vai encerrar suas atividades ou declarar falência.

O mecanismo é utilizado justamente para permitir que uma empresa com dificuldades financeiras reorganize suas dívidas e continue operando.

No caso da Braskem, a companhia pretende preservar suas atividades enquanto negocia uma solução para o elevado endividamento.

A empresa continua atuando no setor petroquímico, produzindo insumos como eteno e propeno, utilizados posteriormente por diversas outras indústrias. Também possui operações e negócios em países como Estados Unidos, Alemanha e México.

Próximos passos serão definidos com os credores

A recuperação extrajudicial representa agora uma das etapas mais importantes da história recente da Braskem.

A empresa precisa chegar a um acordo com seus principais credores para reorganizar uma dívida bilionária sem comprometer sua operação.

O resultado das negociações será decisivo para determinar a estrutura financeira da companhia nos próximos anos. Apesar da melhora recente em alguns indicadores operacionais, o tamanho do endividamento continua sendo o principal desafio para a petroquímica.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
MATÉRIAS RELACIONADAS

MAIS LIDAS