Nova lei do Governo Federal abre caminho para reduzir impostos sobre combustíveis e pode aliviar pressão sobre gasolina e diesel

Nova lei permite ao governo reduzir impostos sobre combustíveis em períodos de forte alta do petróleo. Entenda o mecanismo e o que pode mudar.

O governo federal sancionou a Lei Complementar 235/2026, que cria um mecanismo para permitir a redução de tributos federais incidentes sobre combustíveis diante de períodos de forte valorização do petróleo no mercado internacional.

A medida foi sancionada integralmente em 27 de agosto e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte. O texto teve origem no PLP 114/2026, apresentado originalmente na Câmara dos Deputados.

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A nova legislação permite que o governo utilize receitas extraordinárias obtidas com a valorização do petróleo para compensar eventuais perdas provocadas por reduções tributárias.

Isso significa que a lei não determina uma queda automática nos preços dos combustíveis. Ela cria as condições para que o Executivo possa reduzir determinados tributos federais quando os critérios previstos forem atendidos.

Como vai funcionar a redução de impostos sobre combustíveis?

A lógica criada pela nova legislação está ligada ao comportamento do mercado internacional de petróleo.

Quando o preço do petróleo sobe de maneira extraordinária, a União pode registrar aumento de receitas relacionadas à atividade petrolífera, incluindo royalties, participações especiais, tributos e outros recursos previstos na legislação.

Parte dessa arrecadação adicional poderá ser utilizada para compensar a perda de receita provocada por uma eventual redução de tributos federais sobre os combustíveis.

Dessa maneira, o governo ganha uma ferramenta para tentar reduzir os efeitos de choques internacionais sobre a economia brasileira sem precisar absorver integralmente a perda de arrecadação causada pelo corte tributário.

Quais combustíveis entram na nova regra?

A legislação contempla diferentes produtos da cadeia de combustíveis.

Entre eles estão:

  • Diesel rodoviário;
  • Biodiesel;
  • Gasolina;
  • Etanol;
  • Querosene de aviação.

A inclusão do querosene de aviação ocorreu durante a tramitação do projeto no Congresso.

A autorização envolve tributos federais incidentes sobre a importação, produção e comercialização dos produtos contemplados, dentro das condições estabelecidas pela lei.

Os impostos sobre gasolina e diesel já caíram?

Não necessariamente.

Essa é uma das principais diferenças entre a criação do mecanismo e uma redução efetiva dos tributos.

A Lei Complementar 235/2026 autoriza o governo a adotar determinadas reduções, mas isso não significa que todas as alíquotas tenham sido automaticamente diminuídas no momento da sanção.

Para o consumidor, portanto, a aprovação da lei não representa, por si só, uma queda imediata no preço encontrado nos postos.

O efeito concreto dependerá das medidas que forem efetivamente adotadas pelo governo e também de fatores como o preço internacional do petróleo, câmbio, custos de distribuição e margens praticadas ao longo da cadeia.

O que acontece com o etanol se a gasolina tiver menos impostos?

A nova legislação criou uma proteção específica para os biocombustíveis.

O objetivo é evitar que uma redução expressiva da tributação sobre a gasolina elimine a vantagem tributária que o etanol possui em relação ao combustível fóssil.

Uma das regras estabelece que, se a tributação federal da gasolina for reduzida em 30% ou mais em relação ao nível existente antes do conflito mencionado na legislação, a tributação federal do etanol será zerada.

Assim, uma eventual redução dos impostos sobre combustíveis fósseis não poderá simplesmente retirar a diferença tributária que favorece o biocombustível.

Governo também prevê ajuda para produtores de etanol

Além das regras tributárias, a lei prevê até R$ 1,2 bilhão em subvenções para produtores e cooperativas de etanol hidratado.

O objetivo é auxiliar o setor diante das mudanças provocadas pela política tributária e preservar a competitividade do biocombustível.

A legislação também permite que determinados créditos de PIS/Pasep e Cofins sejam utilizados pelo setor para compensar tributos federais, respeitando o limite estabelecido para 2026.

Por que o governo criou essa regra agora?

A medida foi elaborada em um cenário de forte preocupação com os efeitos da valorização internacional do petróleo.

A alta da commodity pode aumentar os custos de combustíveis e pressionar diferentes setores da economia, desde o transporte até a indústria e a produção de alimentos.

O mecanismo criado pela lei busca oferecer ao governo uma forma de reagir a esse tipo de choque.

Em vez de estabelecer uma redução permanente dos tributos, a legislação cria uma ferramenta que pode ser utilizada diante de condições específicas relacionadas ao mercado internacional de energia.

O que a alta do petróleo tem a ver com a arrecadação?

Existe uma relação importante entre o preço do petróleo e algumas receitas recebidas pela União.

Quando a atividade petrolífera gera valores extraordinários, determinados recursos arrecadados pelo governo também podem aumentar.

A nova legislação permite considerar essa receita adicional para compensar eventual perda provocada por medidas de redução tributária.

Na prática, o mecanismo tenta aproveitar parte do aumento extraordinário de arrecadação provocado pelo cenário do petróleo para financiar uma resposta tributária ao próprio choque de preços.

A nova lei pode fazer a gasolina ficar mais barata?

Pode contribuir para uma redução, mas não há garantia de queda automática.

O governo agora possui uma autorização legal para reduzir determinados tributos federais dentro das condições estabelecidas.

Mesmo que uma redução seja adotada, o preço final na bomba dependerá de diversos outros componentes.

O valor pago pelo consumidor também é influenciado pelo preço do produto, custos de distribuição e revenda, composição tributária e condições do mercado.

Por isso, a existência de uma nova possibilidade de redução dos impostos sobre combustíveis não significa que o preço cairá imediatamente na mesma proporção.

E o diesel também está incluído?

Sim.

O diesel rodoviário está entre os combustíveis contemplados pela nova legislação.

Isso é relevante porque o diesel possui forte impacto sobre o transporte de cargas e passageiros no país. Alterações em seu preço podem repercutir em diferentes setores da economia.

A possibilidade de reduzir tributos em momentos de forte pressão internacional sobre o petróleo, portanto, não está restrita à gasolina.

Diesel, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação estão entre os produtos abrangidos pela norma.

Mistura de etanol na gasolina também mudou

A nova legislação chega em um momento de aumento da participação do etanol na gasolina brasileira.

Desde 1º de agosto, a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina passou de 30% para 32%.

A alteração aumenta estruturalmente a participação do biocombustível no mercado e se soma às novas regras tributárias criadas pela Lei Complementar 235/2026.

Com isso, o setor de etanol passa a contar com uma combinação de medidas voltadas à ampliação de sua participação e à preservação de sua competitividade diante da gasolina.

Quando a redução dos impostos sobre combustíveis poderá acontecer?

A lei estabelece um mecanismo que poderá ser utilizado diante de condições específicas relacionadas à valorização internacional do petróleo.

Isso significa que não existe uma redução geral e automática válida para todos os combustíveis simplesmente porque a legislação entrou em vigor.

O governo precisará adotar as medidas correspondentes dentro das regras estabelecidas.

Portanto, o consumidor deve diferenciar duas situações: a lei já está em vigor, mas uma eventual redução dos impostos depende da utilização efetiva do mecanismo pelo governo.

O que muda para o consumidor?

A principal mudança é que o governo passou a contar com uma ferramenta legal para tentar reagir a períodos de forte pressão no mercado internacional de petróleo.

Se as condições forem atendidas e o Executivo decidir utilizar o mecanismo, determinados tributos poderão ser reduzidos.

Isso pode ajudar a diminuir a pressão sobre os preços dos combustíveis, mas não permite afirmar que haverá uma queda imediata nas bombas.

O resultado final dependerá das decisões do governo e do comportamento do mercado de petróleo, além dos demais componentes que formam o preço dos combustíveis no Brasil.

Nova regra também inclui outros setores

Apesar de os combustíveis serem o principal ponto da legislação, o texto aprovado pelo Congresso acabou incorporando medidas relacionadas a outras áreas.

Entre elas estão incentivos para a produção nacional de fertilizantes, matérias-primas, bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores.

A legislação também estabelece benefícios relacionados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e a iniciativas ligadas à realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil.

Assim, a Lei Complementar 235/2026 acabou formando um pacote mais amplo de medidas tributárias e econômicas.

O que a nova lei representa para os combustíveis?

A sanção da Lei Complementar 235/2026 não significa que todos os impostos sobre combustíveis foram reduzidos de imediato.

O que mudou foi a criação de um mecanismo que permite ao governo adotar cortes tributários em determinadas circunstâncias, utilizando receitas extraordinárias relacionadas à valorização do petróleo para compensar a perda de arrecadação.

A regra também protege a vantagem tributária dos biocombustíveis e cria medidas de apoio ao setor de etanol.

Para quem abastece o carro, a principal questão agora é saber se e quando o governo utilizará essa ferramenta.

Se houver redução efetiva dos tributos, o impacto sobre a gasolina, o diesel e outros combustíveis dependerá também da forma como a mudança será repassada ao longo da cadeia.

Por enquanto, a novidade é que o governo passou a ter um instrumento legal para tentar aliviar a pressão provocada pela alta internacional do petróleo, sem que isso represente automaticamente uma queda de preços nos postos.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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