Um bolão informal entre colegas de trabalho terminou em uma disputa judicial depois que um caminhoneiro canadense ganhou cerca de R$ 7,5 milhões em uma aposta de loteria. Quatro participantes do grupo afirmaram que tinham direito a uma parcela do prêmio, mas não conseguiram convencer a Justiça de que o bilhete vencedor pertencia ao grupo.
Mandeep Singh Maan havia participado de apostas coletivas com colegas em uma empresa de transporte de cargas e armazenagem na Colúmbia Britânica. Ao mesmo tempo, porém, ele também costumava fazer apostas individuais com o próprio dinheiro.
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A disputa chegou à Suprema Corte da Colúmbia Britânica, que analisou durante nove dias se o bilhete premiado fazia parte do acordo mantido pelos trabalhadores.
Como funcionava o bolão informal entre os colegas?
Maan participava de apostas coletivas com Balvinder Kaur Nagra, Sukhjinder Singh Sidhu, Binipal Singh Sanghera e Jeevan Pedan.
O grupo não tinha um contrato escrito estabelecendo regras detalhadas para as apostas. Os integrantes contribuíam com dinheiro e diferentes participantes podiam ficar responsáveis por comprar os bilhetes.
Ao mesmo tempo, Maan mantinha o hábito de comprar algumas apostas individualmente.
Essa diferença acabou sendo fundamental para o processo. Os colegas sustentavam que o caminhoneiro deveria ter adquirido o bilhete vencedor em nome de todos, enquanto ele afirmava que aquela compra havia sido feita separadamente.
Bilhete vencedor custou apenas C$ 12
A aposta que rendeu o prêmio de C$ 2 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 7,5 milhões na conversão considerada, foi comprada em uma unidade da Chevron, em Langley, para um sorteio da BC/49.
O bilhete custou C$ 12.
Esse valor foi analisado pela Justiça porque os colegas afirmavam que as apostas do grupo normalmente envolviam contribuições individuais de C$ 10.
Segundo informações baseadas na decisão judicial, as compras coletivas costumavam movimentar aproximadamente C$ 40 a C$ 50 e podiam envolver mais de uma modalidade de loteria.
A diferença ajudou a sustentar a versão de Maan de que a aposta premiada havia sido comprada com recursos próprios.
Por que os colegas disseram que tinham direito ao prêmio?
Os quatro colegas alegaram que Maan havia recebido dinheiro destinado às apostas coletivas e que deveria ter utilizado os recursos para comprar bilhetes para todos.
A tese deles era baseada principalmente na rotina de apostas que os trabalhadores mantinham juntos.
Fotografias de bilhetes anteriores demonstraram que o bolão informal realmente existia e que os colegas tinham o hábito de apostar coletivamente.
O problema foi comprovar que aquele bilhete específico também estava submetido ao mesmo acordo.
Não havia documento estabelecendo que toda aposta adquirida por um dos participantes pertencia automaticamente ao grupo.
Falta de regras escritas pesou na decisão
A ausência de um contrato formal dificultou a tentativa dos colegas de reivindicar parte dos milhões.
Não existiam regras determinando quais dias seriam obrigatórios para apostar, quem ficaria responsável pelas compras ou como deveriam ser divididos eventuais prêmios.
Além disso, diferentes integrantes podiam comprar as apostas, e as modalidades escolhidas variavam de uma ocasião para outra.
Por isso, a existência de apostas coletivas anteriores não foi considerada suficiente para demonstrar que Maan tinha obrigação de dividir qualquer prêmio obtido com uma compra individual.
Colegas descobriram o prêmio depois de ver uma fotografia
Os colegas não ficaram sabendo imediatamente que Maan havia conquistado o prêmio milionário.
Eles descobriram a vitória depois de encontrar uma fotografia na qual o caminhoneiro aparecia segurando o grande cheque utilizado na divulgação dos vencedores de loteria.
A princípio, a reação teria sido de congratulação. Depois, porém, começaram os questionamentos sobre a origem do dinheiro usado na aposta.
Os quatro participantes passaram a defender que o bilhete deveria ser considerado parte do bolão informal.
A discussão acabou sendo levada à Justiça.
Justiça analisou depoimentos e registros das apostas
O processo foi registrado como Nagra v. Maan, 2025 BCSC 38 e julgado pela juíza Y. Liliane Bantourakis, da Suprema Corte da Colúmbia Britânica.
Durante o julgamento, que durou nove dias, foram analisados depoimentos dos envolvidos, fotografias de bilhetes e informações sobre o funcionamento das apostas coletivas.
Como não havia um contrato formal, foi necessário reconstruir a rotina do grupo para determinar quais eram as regras efetivamente praticadas.
A Justiça também avaliou a alegação de que Maan teria recebido dinheiro dos colegas para comprar a aposta vencedora. O caminhoneiro negou que os recursos utilizados naquela ocasião fossem provenientes do grupo.
Depoimentos também entraram na análise
A credibilidade dos relatos apresentados pelos envolvidos também foi considerada durante o julgamento.
Segundo informações divulgadas pelo iNFOnews com base na decisão judicial, a juíza identificou inconsistências em parte do depoimento de Binipal Singh Sanghera sobre pontos relevantes da disputa, incluindo a alegação relacionada ao suposto repasse de dinheiro para a compra dos bilhetes.
Sem provas suficientes de que os recursos coletivos haviam financiado a aposta vencedora, a tese de que o prêmio pertencia aos cinco participantes ficou enfraquecida.
Justiça decide que prêmio pertence ao caminhoneiro
A Suprema Corte da Colúmbia Britânica rejeitou a reivindicação dos quatro colegas e reconheceu Maan como proprietário do bilhete vencedor.
Com a decisão, o caminhoneiro pôde manter integralmente os C$ 2 milhões conquistados na loteria, valor equivalente a aproximadamente R$ 7,5 milhões na conversão considerada.
Os colegas não receberam nenhuma parcela do prêmio.
Além disso, os quatro autores da ação ficaram responsáveis pelos custos decorrentes do processo judicial, segundo as informações divulgadas sobre a decisão.
O que o caso mostra sobre um bolão informal?
A história mostra como um bolão informal pode funcionar normalmente enquanto os valores envolvidos são pequenos, mas se transformar em uma disputa quando aparece um prêmio milionário.
Sem regras escritas, podem surgir dúvidas sobre quem participou de determinada aposta, quem pagou pelo bilhete e se uma compra realizada individualmente deveria ou não ser compartilhada.
No caso analisado pela Justiça canadense, os colegas conseguiram demonstrar que existia uma rotina de apostas coletivas. Eles, porém, não conseguiram provar que o bilhete responsável pelo prêmio de C$ 2 milhões fazia parte desse acordo.
A diferença entre participar de um grupo de apostas e ter direito a determinado bilhete acabou sendo decisiva.
Caminhoneiro mantém os milhões após disputa com colegas
O caso terminou com Maan reconhecido como proprietário da aposta vencedora.
A Justiça entendeu que as provas apresentadas não eram suficientes para demonstrar que o bilhete havia sido comprado em nome do grupo. Dessa forma, os C$ 2 milhões permaneceram com o caminhoneiro.
A disputa serve ainda como exemplo de como acordos informais podem gerar problemas quando envolvem valores muito altos.
Um bolão informal pode até funcionar baseado na confiança entre colegas, mas, diante de um prêmio milionário, a ausência de regras claras pode transformar uma comemoração em uma batalha judicial.

