Pior que ciclone tropical? Três furacões se formam ao mesmo tempo no oceano Pacífico em cenário raro causado pelo El Niño

Ciclone tropical ganha força no Pacífico e cenário raro reúne três sistemas ao mesmo tempo. Veja o que aconteceu com Karina, Lowell e Marie.

Um fenômeno raro chamou a atenção dos meteorologistas no Pacífico Oriental no começo de setembro: três sistemas tropicais estavam ativos praticamente ao mesmo tempo, com dois deles classificados como furacões de grande intensidade.

Karina e Lowell chegaram a níveis muito elevados na escala Saffir-Simpson, enquanto Marie se fortalecia rapidamente ao sul da Baixa Califórnia.

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O episódio chamou atenção pela concentração de sistemas em uma mesma região do oceano e pelas condições atmosféricas e oceânicas favoráveis ao desenvolvimento das tempestades. O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) registrava, em 2 de setembro, avisos ativos para Karina, Lowell e Marie.

Por que três furacões apareceram ao mesmo tempo?

A formação de vários sistemas tropicais em uma mesma região não significa que eles tenham surgido exatamente da mesma maneira.

Tempestades tropicais se desenvolvem quando encontram uma combinação favorável de fatores, como águas suficientemente quentes, umidade e condições de vento que permitam que a circulação consiga se organizar.

No caso observado no Pacífico, a situação chamou atenção pela presença simultânea de Karina, Lowell e Marie em diferentes estágios de desenvolvimento.

O cenário foi especialmente impressionante porque Karina e Lowell alcançaram a categoria de grandes furacões enquanto Marie ainda ganhava força.

O que aconteceu com o furacão Lowell?

Lowell foi um dos sistemas mais impressionantes do episódio.

Em 2 de setembro, o NHC registrou que o furacão havia se intensificado rapidamente e alcançado a categoria 5, com ventos sustentados de aproximadamente 160 mph, equivalentes a cerca de 260 km/h.

Algumas horas depois, o sistema havia recuado para a categoria 4, mas continuava classificado como um grande furacão.

Lowell estava sobre o oceano e não havia avisos costeiros ativos naquele momento.

A trajetória do sistema era acompanhada principalmente por causa das condições marítimas que poderiam afetar o Havaí, mesmo sem uma previsão de impacto direto.

E o furacão Karina?

Karina também apresentou uma intensidade extraordinária.

Na manhã de 2 de setembro, o NHC registrava ventos sustentados de 145 mph, equivalentes a cerca de 230 km/h, e classificação como furacão de categoria 4.

Mais tarde, o sistema continuava como categoria 4, com ventos próximos de 130 mph.

Durante aquele período, Karina avançava para oeste-noroeste sobre as águas abertas do Pacífico, bastante distante da costa.

Não havia avisos costeiros em vigor para o sistema.

Marie também entrou no cenário

Marie era o sistema mais novo dos três.

Na atualização do NHC da manhã de 2 de setembro, Marie aparecia ainda como tempestade tropical, localizada ao sudoeste da península da Baixa Califórnia.

O sistema havia se fortalecido pouco antes e apresentava condições para continuar se intensificando.

A formação de Marie fez com que três sistemas tropicais permanecessem ativos na mesma janela de tempo, criando o cenário incomum que chamou atenção dos especialistas.

É possível ter três furacões ao mesmo tempo?

É possível, mas não é algo comum.

A atividade de ciclones tropicais varia bastante entre as regiões e ao longo da temporada. Mesmo quando existem várias tempestades no oceano, é menos frequente que elas atinjam simultaneamente níveis elevados de intensidade em uma mesma bacia.

O próprio acompanhamento oficial do NHC mostra como os três sistemas evoluíram em uma sequência extremamente concentrada. Na atualização de 2 de setembro, Karina e Lowell eram furacões, enquanto Marie estava na categoria de tempestade tropical.

Por isso, o que chamou atenção não foi apenas a quantidade de sistemas, mas também a intensidade alcançada por dois deles.

O que é um ciclone tropical?

Ciclone tropical é o termo utilizado para descrever sistemas de baixa pressão que se desenvolvem sobre águas tropicais ou subtropicais e possuem circulação organizada.

Dependendo da intensidade, esses sistemas recebem classificações diferentes.

Quando atingem determinadas velocidades de vento, podem ser classificados como depressões tropicais, tempestades tropicais ou furacões, dependendo da região do planeta e da classificação utilizada.

Ou seja, furacão não é algo separado de ciclone tropical. O furacão é uma categoria dentro desse conjunto de sistemas.

É justamente por isso que a expressão “ciclone tropical” é mais ampla do que “furacão”.

Por que as águas quentes ajudam essas tempestades?

O oceano funciona como uma fonte importante de energia para os sistemas tropicais.

Quando a superfície do mar apresenta temperaturas elevadas, há maior disponibilidade de calor e umidade para alimentar a convecção associada às tempestades.

Esse processo pode contribuir para que uma tempestade se organize e, diante das condições adequadas, aumente sua intensidade.

Mas água quente sozinha não é suficiente.

Outros fatores atmosféricos precisam colaborar para que um sistema consiga se desenvolver de maneira organizada.

O que o vento tem a ver com o fortalecimento?

O cisalhamento vertical do vento é um dos fatores importantes para determinar como uma tempestade tropical evolui.

Quando a direção e a velocidade dos ventos mudam muito entre diferentes alturas da atmosfera, a circulação do sistema pode ser desorganizada.

Em ambientes com menor cisalhamento, a estrutura da tempestade tende a permanecer mais organizada, o que pode favorecer a intensificação.

Por isso, os meteorologistas analisam simultaneamente temperatura da água, umidade, pressão e comportamento dos ventos antes de estimar a evolução de um ciclone.

El Niño pode influenciar a atividade no Pacífico?

Fenômenos climáticos de grande escala, como o El Niño, podem modificar padrões atmosféricos e oceânicos e alterar as condições favoráveis para sistemas tropicais em diferentes bacias.

Isso não significa que um El Niño provoque automaticamente cada furacão.

O desenvolvimento de um ciclone depende de uma combinação de fatores em escala regional e local.

Assim, é mais correto dizer que fenômenos como El Niño podem alterar o ambiente em que as tempestades se formam e se intensificam, em vez de atribuir a existência de um sistema específico a um único fator.

Os três sistemas atingiram os Estados Unidos?

Não.

O fato de os sistemas estarem sendo monitorados no Pacífico não significa que todos tenham atingido áreas habitadas.

Nas atualizações do NHC em 2 de setembro, Karina e Lowell estavam sobre o oceano e sem avisos costeiros ativos. Karina, por exemplo, estava a mais de 2 mil quilômetros a leste do Havaí.

Por isso, o episódio teve enorme relevância meteorológica, mas não deve ser confundido com três furacões atingindo simultaneamente áreas povoadas.

O Havaí ficou ameaçado pelos furacões?

A proximidade relativa dos sistemas em relação ao arquipélago fez com que o Havaí acompanhasse especialmente a evolução de Lowell.

A preocupação principal naquele momento estava relacionada ao mar muito agitado, ondas e correntes de retorno, mesmo diante da ausência de avisos costeiros para impacto direto.

A trajetória dos sistemas continuava sujeita a mudanças conforme as condições atmosféricas evoluíam.

Isso explica por que os meteorologistas acompanham a posição dos furacões mesmo quando eles estão centenas ou milhares de quilômetros afastados da costa.

Karina e Lowell eram os sistemas mais fortes?

Sim, naquele momento.

A atualização oficial mostra Karina como categoria 4 e Lowell chegando a categoria 5 antes de perder um pouco de força novamente.

Marie, por sua vez, ainda estava em uma fase anterior, classificada como tempestade tropical na atualização do NHC de 2 de setembro.

Isso significa que os três sistemas não apresentavam a mesma intensidade.

O aspecto excepcional estava justamente na presença simultânea de tempestades em diferentes estágios de desenvolvimento.

O que aconteceu depois com os três sistemas?

A situação mudou rapidamente.

O resumo oficial do NHC registra Karina e Lowell entre 27 de agosto e 2 de setembro, enquanto Marie esteve ativa entre 1º e 2 de setembro na série de dados disponível para aquele momento.

Isso mostra como os sistemas podem passar por grandes mudanças de intensidade em um intervalo curto.

Karina ainda permaneceu forte no fim de 2 de setembro, mas já havia recuado para a categoria 3 na atualização noturna.

A evolução posterior confirma que o cenário observado no início de setembro foi uma janela excepcional de atividade, e não uma situação permanente.

Por que esse episódio chamou tanto a atenção?

A combinação de vários sistemas simultâneos com intensidades elevadas é visualmente impressionante e meteorologicamente relevante.

Em um mesmo período, Karina apresentava características de um grande furacão, Lowell chegou à categoria 5 e Marie avançava rapidamente de uma tempestade tropical.

O resumo da temporada do Pacífico Oriental divulgado pelo NHC registrava três furacões e dois grandes furacões até aquele momento na temporada de 2026.

O número de sistemas simultâneos, portanto, não conta toda a história. A intensidade e a localização de cada um também precisam ser consideradas.

Existe diferença entre furacão, tufão e ciclone?

Existe uma diferença principalmente de nomenclatura regional.

Em diferentes partes do mundo, sistemas tropicais de características semelhantes recebem nomes distintos.

No Atlântico e no Pacífico Oriental, por exemplo, o termo mais conhecido é “furacão”. Em outras áreas do planeta, podem ser usados “tufão” ou simplesmente “ciclone tropical”.

O fenômeno físico pertence à mesma família de sistemas tropicais, mas a denominação muda de acordo com a bacia.

O que esse cenário revela sobre os ciclones tropicais?

O episódio mostra como o comportamento de um ciclone tropical pode mudar rapidamente.

Uma tempestade relativamente jovem pode se fortalecer quando encontra condições favoráveis, enquanto um sistema extremamente intenso pode começar a perder força ao entrar em um ambiente menos adequado.

Também mostra por que previsões sobre furacões são atualizadas constantemente.

A trajetória, a intensidade e os possíveis efeitos precisam ser recalculados à medida que novas observações são incorporadas aos modelos meteorológicos.

Um raro espetáculo no Pacífico

O caso envolvendo Karina, Lowell e Marie chamou atenção justamente porque reuniu três sistemas tropicais ativos em uma mesma janela de tempo, com dois deles alcançando intensidade de grandes furacões.

Lowell chegou à categoria 5, enquanto Karina chegou à categoria 4, e Marie avançou rapidamente em seu desenvolvimento.

Embora manchetes como “pior que ciclone tropical” funcionem como uma forma de destacar a intensidade e a estranheza do episódio, tecnicamente os furacões são justamente uma categoria de ciclone tropical.

O que realmente tornou o cenário extraordinário foi a combinação de quantidade, intensidade e simultaneidade dos sistemas sobre o Pacífico.

E, como mostram os registros do NHC, o espetáculo meteorológico mudou rapidamente: em poucas horas, os sistemas passaram de uma configuração excepcional para uma nova fase de enfraquecimento e reorganização.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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