Em meio às dificuldades provocadas pela pandemia de coronavírus, uma atitude de um menino de 11 anos chamou atenção em Antônio Prado, na Serra Gaúcha.
Leonardo Cambruzzi Maziero decidiu recolher latinhas para vender o material reciclável e transformar o dinheiro em uma doação para o Hospital São José, instituição que atendia moradores da cidade.
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Durante cinco dias, ele juntou o material e conseguiu arrecadar R$ 21,45. Em vez de usar o dinheiro para comprar alguma coisa para si, Leonardo decidiu entregar o valor ao hospital.
Dinheiro foi entregue pessoalmente ao hospital
Leonardo guardou o dinheiro em um envelope e foi até o hospital acompanhado da mãe, Zuleide Cambruzzi.
A entrega aconteceu em abril de 2020, durante o período em que a pandemia aumentava a preocupação com a capacidade de atendimento das unidades de saúde.
Segundo relatos da época, o menino explicou que queria contribuir com o atendimento oferecido à população e chegou a mencionar que o dinheiro poderia ajudar na compra de um respirador caso faltasse aquele valor para completar o custo do equipamento.
Hospital precisava reforçar estrutura
Naquele momento, o Hospital São José era o único hospital de Antônio Prado e concentrava parte importante da estrutura de atendimento da cidade durante a emergência sanitária.
Segundo informações divulgadas pelo diretor administrativo Diógenes Weber na época, a instituição contava com quatro respiradores em funcionamento. Outros dois equipamentos já haviam sido adquiridos e aguardavam a entrega do fornecedor.
O hospital também tinha dois ventiladores em manutenção e aparelhos de anestesia que poderiam ser utilizados provisoriamente como respiradores caso fosse necessário ampliar a capacidade de atendimento.
Doação de R$ 21,45 ganhou significado
Embora o valor arrecadado pelo menino fosse pequeno diante dos custos de equipamentos hospitalares, a atitude chamou atenção justamente pelo esforço envolvido.
Leonardo havia passado cinco dias recolhendo latinhas para conseguir aquele dinheiro e decidiu entregar tudo à instituição.
Na época, outras entidades da região também participaram da mobilização para reforçar a estrutura hospitalar. A Câmara de Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária de Antônio Prado e a Associação Industrial, Comercial, Serviços e Agricultura de Ipê haviam destinado R$ 130 mil para a compra de respiradores.
A preocupação de uma criança com o hospital da cidade
Em um relato publicado na época, Leonardo contou que sentiu medo de entrar no hospital levando apenas aquele dinheiro, mas decidiu seguir em frente porque acreditava que a quantia poderia fazer alguma diferença.
A história acabou ganhando repercussão justamente pela iniciativa de uma criança que decidiu transformar um trabalho simples de coleta de material reciclável em uma forma de ajudar outras pessoas.
O gesto aconteceu durante um dos períodos mais delicados da pandemia e mostrou como diferentes iniciativas de solidariedade surgiram em comunidades brasileiras para auxiliar hospitais e profissionais de saúde.

