Fazendeira solta 150 galinhas em grande fazenda de 271 mil hectares, elas passam dois anos adubando o solo e ciscando, ajudam na retenção de água no terreno e conseguem fazer surgir nova espécie de flores

Galinhas foram usadas em sistema de pastejo e após dois anos, produtoras observaram mudanças no solo, na vegetação e até nas flores.

Uma experiência incomum em uma enorme propriedade rural da Austrália colocou 150 galinhas no centro de uma tentativa de melhorar a saúde do solo.

Durante aproximadamente dois anos, as aves foram criadas em sistema de pastejo na Gabyon Station, uma propriedade de cerca de 271 mil hectares, localizada na região de Murchison, em Western Australia.

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A ideia começou depois que as produtoras Gemma Cripps e Helen Williamson participaram de um curso sobre agricultura regenerativa. Elas decidiram testar se o comportamento natural das aves poderia ajudar áreas do pasto.

Dois anos depois, as produtoras passaram a observar mudanças que chamaram atenção: o solo parecia reter mais água, a vegetação apresentava maior vigor e até as flores selvagens passaram a apresentar cores diferentes em determinados pontos.

Segundo Cripps, flores que normalmente apareciam em tons amarelos e brancos surgiram com coloração rosa nas áreas onde as galinhas haviam passado. A produtora relacionou a mudança à possível alteração do pH do solo provocada pelo manejo e pelo esterco das aves.

Por que colocaram galinhas em uma fazenda de gado?

A experiência surgiu de uma ideia da chamada agricultura regenerativa.

Cripps e Williamson queriam observar se o comportamento natural das galinhas poderia produzir algum benefício sobre áreas de pastagem.

As aves não foram colocadas ali apenas para produzir ovos.

Enquanto caminham pelo terreno em busca de alimento, as galinhas ciscam, bicam o solo e movimentam a camada superficial da terra.

As produtoras queriam justamente descobrir se esse comportamento poderia contribuir para melhorar a condição de pequenas áreas do terreno.

A experiência começou como um teste, mas os resultados observados depois de dois anos fizeram com que elas considerassem manter o sistema.

Como as galinhas podem ajudar o solo?

O comportamento das aves é parte fundamental da experiência.

Ao ciscar, as galinhas movimentam a superfície do terreno e podem criar pequenos espaços que favorecem a entrada da água no solo.

Além disso, o esterco deixado pelas aves acrescenta matéria orgânica ao local.

Foi justamente a combinação desses dois efeitos que chamou a atenção das produtoras.

Cripps relatou que, nas áreas onde as aves passaram, elas perceberam maior infiltração da água e mudanças na vegetação durante os períodos seguintes.

Isso não significa que qualquer grupo de galinhas automaticamente recuperará um solo degradado.

O resultado depende das condições ambientais, do manejo, da quantidade de aves e de diversos outros fatores.

O que mudou depois de dois anos?

As produtoras afirmam ter observado mudanças na umidade do solo e na vegetação.

Segundo Cripps, as áreas percorridas pelas aves passaram a apresentar maior capacidade de reter ou infiltrar água, além de plantas crescendo com mais vigor.

A observação foi feita após dois anos de utilização do sistema.

O caso chamou atenção justamente porque a intenção original era testar uma possibilidade de manejo e não necessariamente produzir uma transformação tão perceptível na paisagem.

A ABC Australia relata que Cripps descreveu os benefícios regenerativos observados como surpreendentes.

As flores realmente mudaram de cor?

Essa é uma das partes mais curiosas do experimento.

Segundo Gemma Cripps, algumas flores selvagens que apareciam predominantemente em amarelo e branco passaram a apresentar tonalidade rosa nas áreas onde as galinhas haviam sido utilizadas.

A produtora acredita que a alteração esteja relacionada a mudanças no pH do solo.

Mas existe um cuidado importante: essa relação foi apresentada como uma observação das produtoras, e não como uma conclusão científica comprovada pelo experimento.

A ABC Australia reproduz o relato de Cripps de que elas só conseguiam atribuir a mudança de cor à alteração do pH observada nas áreas manejadas.

Por que o esterco das galinhas pode fazer diferença?

O esterco das aves acrescenta matéria orgânica ao ambiente.

Em um sistema de pastejo, esse material é distribuído nas áreas onde as galinhas circulam e pode contribuir para a ciclagem de nutrientes.

No caso da Gabyon Station, as produtoras observaram o conjunto formado pela movimentação das aves e pela deposição do esterco.

Cripps explicou que o material deixado pelas galinhas funciona como fertilizante e que o comportamento de ciscar ajuda a água a penetrar no solo.

Por que a água passa a infiltrar mais?

A movimentação superficial provocada pelas aves pode alterar a camada mais externa do solo.

Quando as galinhas ciscam, elas revolvem pequenas porções da terra enquanto procuram alimentos.

Segundo a observação feita na fazenda, esse processo ajudou a criar condições para que a água das chuvas penetrasse mais profundamente nas áreas manejadas.

Em regiões onde a disponibilidade de água é limitada, melhorar a infiltração pode ser especialmente relevante.

Ainda assim, os resultados observados nessa propriedade não devem ser tratados como garantia de que o mesmo efeito ocorrerá em qualquer terreno.

Onde fica a fazenda das galinhas?

A experiência acontece na Gabyon Station, na região de Murchison, em Western Australia.

A propriedade fica aproximadamente 500 quilômetros a nordeste de Perth e possui cerca de 271 mil hectares.

Apesar do tamanho impressionante, apenas uma pequena parte da área é ocupada atualmente pelo sistema de galinhas.

Isso significa que existe espaço físico para ampliar o experimento caso os custos e as condições de manejo permitam.

271 mil hectares é uma fazenda muito grande?

Sim.

A Gabyon Station possui aproximadamente 271 mil hectares, dimensão que ajuda a explicar o contraste da história.

Dentro de uma propriedade dessa escala, um grupo de apenas 150 galinhas representa uma parcela minúscula da área total.

As aves são deslocadas para diferentes pontos do terreno e ficam protegidas dentro de áreas delimitadas por cercas portáteis.

O objetivo não é deixar os animais circulando por toda a propriedade de uma vez.

Como as galinhas ficam na propriedade?

As aves passam a noite em um galinheiro móvel, instalado em diferentes áreas do terreno.

Durante o dia, elas circulam dentro de uma área delimitada por uma cerca elétrica portátil.

Esse sistema permite que as produtoras controlem onde as galinhas permanecem e quais trechos do pasto recebem o manejo.

Depois de determinado período, a estrutura pode ser deslocada para outra área.

Esse modelo é justamente o que permite observar o efeito das aves em diferentes pontos do terreno.

Por que o galinheiro é móvel?

A mobilidade permite distribuir o efeito do manejo.

Em vez de manter as 150 galinhas sempre no mesmo lugar, as produtoras conseguem deslocá-las para áreas diferentes.

Assim, o comportamento das aves, o esterco e a movimentação do solo ficam concentrados temporariamente em determinados trechos.

Depois, a vegetação pode se desenvolver novamente.

A estratégia faz parte da tentativa de combinar produção de ovos com uma abordagem de manejo do solo.

As galinhas também produzem ovos?

Sim.

O grupo é formado por galinhas poedeiras, e a produção de ovos continua sendo parte da atividade.

Mas o objetivo da experiência não está restrito à produção.

As produtoras também observam o que acontece no solo depois que o bando deixa determinada área.

A combinação entre ovos e possíveis benefícios do manejo é um dos aspectos que tornam a experiência diferente de uma criação convencional.

O que aconteceu com as gemas dos ovos?

Outra mudança curiosa foi observada depois das chuvas de inverno.

Com o surgimento de uma maior quantidade de forragem verde, Gemma Cripps relatou que as gemas dos ovos ficaram com uma tonalidade laranja mais intensa.

Nesse caso, a mudança foi associada à alimentação disponível para as aves.

A observação é coerente com o fato de que a composição da dieta pode influenciar a pigmentação das gemas.

As galinhas, curiosamente, não estavam comendo as flores selvagens.

Segundo Cripps, elas preferiam ciscar ao redor das plantas.

Por que as galinhas não destruíram as flores?

Esse foi outro detalhe observado pelas produtoras.

Apesar de circularem pela vegetação e procurarem alimento, as aves aparentemente não consumiam as flores selvagens.

Elas preferiam procurar alimento e ciscar no solo ao redor delas.

Isso permitiu que as plantas permanecessem no local e que as produtoras observassem posteriormente as diferenças de coloração que relataram.

O que a agricultura regenerativa tem a ver com tudo isso?

A agricultura regenerativa busca, entre outras coisas, melhorar a saúde e a funcionalidade do solo por meio de práticas de manejo.

Foi durante um workshop de agricultura regenerativa que Cripps e Williamson tiveram a ideia de testar o uso de galinhas na propriedade.

Em vez de enxergar as aves apenas como produtoras de ovos, elas passaram a observar também o que os animais poderiam fazer enquanto procuravam alimento no terreno.

A experiência da Gabyon Station nasceu dessa combinação entre produção e tentativa de melhorar o ambiente.

As galinhas recuperaram toda a fazenda?

Não.

Esse é um ponto importante diante do tamanho da propriedade.

As 150 galinhas ocupam apenas uma pequena parcela dos aproximadamente 271 mil hectares da estação.

Portanto, não se trata de uma transformação completa da fazenda.

O que as produtoras observaram são mudanças em determinadas áreas utilizadas pelo bando.

A experiência ainda está sendo desenvolvida e pode ser ampliada futuramente.

Existe alguma dificuldade nesse sistema?

Sim.

As produtoras enfrentam desafios para manter as aves em uma operação de criação livre.

Um dos problemas são ataques de dingos, que já provocaram perdas no grupo.

Além disso, existe preocupação com medidas de biossegurança relacionadas à gripe aviária.

Cripps afirmou à ABC que uma eventual exigência de confinamento seria muito difícil de implementar naquela propriedade e poderia inviabilizar o modelo utilizado.

Por que a gripe aviária preocupa as produtoras?

A propriedade está localizada em uma região bastante isolada, mas as produtoras ainda precisam considerar o risco sanitário.

A preocupação aumentou diante da detecção de uma cepa altamente patogênica de gripe aviária em aves marinhas de Western Australia.

Cripps explicou que a localização da Gabyon, cerca de 200 quilômetros da costa e sem uma fonte permanente de água, oferece algum nível de isolamento.

Mesmo assim, elas consideram medidas de biossegurança cada vez mais importantes.

As produtoras querem continuar com as galinhas?

Sim.

Apesar dos desafios, Cripps pretende manter a experiência no longo prazo.

A propriedade tem espaço suficiente para ampliar a quantidade de aves caso a demanda por ovos aumente e os custos adicionais de alimentação e manejo sejam compensados.

A dupla também pretende começar a criar as próprias galinhas, buscando maior controle sobre a origem dos animais e reforçando a biossegurança da operação.

O número de galinhas pode aumentar?

Pode.

Atualmente são aproximadamente 150 galinhas poedeiras, mas Cripps afirma considerar uma expansão caso a produção de ovos justifique os custos.

A propriedade oferece espaço para aumentar o projeto, já que apenas uma pequena fração dos 271 mil hectares é utilizada pelas aves.

O limite, portanto, não é necessariamente falta de espaço.

Os custos de alimentação e manejo são fatores importantes para decidir se a operação será ampliada.

As galinhas substituem outros métodos de recuperação do solo?

Não é possível concluir isso a partir dessa experiência.

O que existe é uma experiência específica em uma fazenda australiana, com resultados observados pelas próprias produtoras.

A agricultura regenerativa envolve diferentes práticas, e o efeito de cada uma depende das características do local.

O caso das galinhas é interessante porque mostra uma possibilidade de integração entre criação de aves, produção de alimentos e manejo do solo.

Mas não significa que o método seja uma solução universal para áreas degradadas.

O que aconteceu nas áreas depois que as galinhas passaram?

Segundo Cripps, as mudanças ficaram mais perceptíveis depois que as aves deixavam determinado trecho.

Com o retorno das chuvas e o crescimento da vegetação, as produtoras observavam como aquelas áreas respondiam.

O solo parecia conseguir reter mais água e as plantas apresentavam maior vigor.

Foi também nesse momento que perceberam as diferenças nas flores selvagens.

Por que 150 galinhas chamaram tanta atenção?

Porque o número é pequeno em comparação ao tamanho da propriedade e ao efeito que as produtoras afirmam ter observado em determinadas áreas.

Em uma estação de 271 mil hectares, um grupo de 150 aves parece insignificante.

Mas justamente por serem concentradas em pequenas áreas, as galinhas conseguem produzir efeitos localizados por meio do ciscar e da deposição de esterco.

Depois, as produtoras podem observar como aquele trecho reage.

O experimento começou com outra intenção?

Sim.

A ideia inicial não era necessariamente encontrar flores diferentes.

Cripps e Williamson queriam descobrir se poderiam melhorar a condição do solo utilizando o comportamento natural das galinhas.

A mudança nas flores apareceu como uma observação inesperada durante o processo.

Isso explica por que a história ganhou destaque: o experimento começou com uma pergunta relativamente simples e produziu algumas observações curiosas na paisagem.

O que as produtoras dizem sobre os resultados?

Gemma Cripps descreveu os resultados regenerativos como muito expressivos.

Segundo seu relato à ABC Australia, a combinação do esterco deixado pelas aves e do comportamento de ciscar ajudou na infiltração da água e acrescentou fertilizante ao solo.

Ela também relacionou a mudança de cor das flores a possíveis alterações do pH.

Essas são observações feitas no contexto da experiência e não substituem estudos controlados capazes de estabelecer uma relação causal definitiva.

O solo realmente passou a reter mais água?

As produtoras afirmam que observaram maior hidratação do solo e melhor infiltração da água nas áreas manejadas.

A ABC Australia também descreve o projeto como uma experiência na qual, após dois anos, Cripps observava solos mais hidratados e plantas se regenerando com mais vigor.

Mas isso deve ser entendido como o resultado observado naquela propriedade, e não como uma garantia de que a presença de galinhas terá exatamente o mesmo efeito em qualquer tipo de solo.

As flores rosas são o maior mistério da experiência?

Provavelmente, é o detalhe visual mais curioso.

Segundo Cripps, uma vegetação de flores predominantemente amarelas e brancas passou a apresentar também flores rosas nas áreas onde as galinhas haviam passado.

A hipótese apresentada pela produtora é que mudanças na química do solo, especialmente no pH, poderiam estar envolvidas.

A associação, contudo, ainda é uma observação feita no campo.

Não há, nessa reportagem, um experimento científico que demonstre que as galinhas foram diretamente responsáveis pela mudança de cor.

O que a experiência mostra sobre criação de animais?

O caso mostra uma tentativa de enxergar os animais além da função produtiva tradicional.

As galinhas continuam fornecendo ovos, mas seu comportamento também é incorporado ao manejo da propriedade.

Enquanto procuram alimento, elas mexem no solo e deixam matéria orgânica.

As produtoras passaram a observar esse processo como uma possível ferramenta adicional para cuidar de pequenas áreas de pastagem.

A experiência pode ser ampliada?

Sim.

Cripps afirmou que considera aumentar o número de aves caso exista demanda suficiente pelos ovos.

Também existe espaço físico para expansão, porque a Gabyon Station é enorme e apenas uma pequena parte da propriedade é utilizada pelas galinhas.

A dificuldade estará em equilibrar alimentação, manejo e biossegurança.

A dupla também avalia criar suas próprias aves para ter maior controle sobre a operação.

Afinal, o que as 150 galinhas fizeram na fazenda?

Depois de dois anos, as produtoras Gemma Cripps e Helen Williamson afirmam ter percebido uma série de mudanças nas áreas onde mantiveram as 150 galinhas.

O solo aparentava infiltrar e reter mais água, a vegetação passou a crescer com mais vigor e algumas flores selvagens apresentaram cores diferentes.

As galinhas também deixaram esterco no terreno e movimentaram a superfície da terra enquanto procuravam alimento.

A experiência aconteceu na enorme Gabyon Station, de aproximadamente 271 mil hectares, no interior de Western Australia.

O mais curioso é que o grupo de aves ocupa somente uma pequena área da propriedade.

Galinhas podem virar ferramenta de agricultura regenerativa?

É essa possibilidade que as produtoras querem continuar investigando.

A experiência não prova que galinhas sejam capazes de regenerar qualquer solo, mas mostra como seu comportamento pode ser incorporado a um sistema de manejo específico.

Ao mesmo tempo em que produzem ovos, as aves movimentam o solo e deixam matéria orgânica por onde passam.

Na Gabyon Station, as produtoras acreditam ter observado efeitos positivos depois de dois anos e pretendem continuar testando o método.

A mudança das flores, especialmente, permanece como uma das partes mais intrigantes do experimento.

150 galinhas e uma fazenda de 271 mil hectares

O que começou como uma tentativa de descobrir se aves poderiam ajudar no solo acabou produzindo uma série de observações inesperadas.

As 150 galinhas passaram dois anos circulando por áreas delimitadas da Gabyon Station, enquanto Gemma Cripps e Helen Williamson observavam o comportamento do terreno.

Segundo as produtoras, a movimentação das aves ajudou a água a penetrar no solo e o esterco acrescentou matéria orgânica às áreas utilizadas.

Depois vieram outros sinais: vegetação mais vigorosa, gemas de ovos mais alaranjadas após as chuvas de inverno e até flores que, segundo Cripps, passaram de uma predominância de tons amarelos e brancos para uma presença maior de rosa em determinados locais.

Ainda não se trata de uma prova científica de que as galinhas mudaram a cor das flores ou regeneraram o solo sozinhas.

Mas a experiência mostra algo bastante curioso: em uma propriedade gigantesca, um pequeno grupo de aves acabou sendo usado não apenas para produzir ovos, mas também como parte de uma tentativa de trabalhar o solo de uma maneira diferente.

Matéria publicada originalmente na ABC News Australia

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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