A Casas Bahia abriu uma nova frente na Justiça para tentar reverter a decisão que suspendeu provisoriamente a demissão de cerca de 1.900 funcionários durante o processo de reestruturação da varejista.
A disputa começou depois que a companhia fechou 298 lojas e realizou uma rodada de desligamentos sem negociação prévia com os sindicatos. A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) questionou as dispensas na Justiça e conseguiu uma decisão que determinou o restabelecimento provisório dos vínculos e benefícios dos trabalhadores atingidos.
LEIA TAMBÉM:
- Vizinho arrasta móveis à meia-noite, acorda moradores e descobre que não existe “lei do silêncio” com horário único; veja o que diz o Código Civil
- Danone encerra fábrica histórica, manda 230 trabalhadores embora e encerra produção de Activia
- Morador instala câmera no portão para proteger a casa, mas descobre que equipamento também filma o vizinho e precisa mudar o ângulo, se não Justiça deverá intervir
Desde então, a empresa já apresentou diferentes recursos e medidas judiciais para tentar derrubar a liminar. O TST também rejeitou uma das iniciativas apresentadas pela Casas Bahia, mantendo a decisão até que o recurso adequado seja analisado.
Por que a Casas Bahia está tentando reverter as demissões?
A empresa realizou os desligamentos durante uma ampla reestruturação de suas operações.
A medida envolveu o fechamento de 298 lojas e a redução do quadro de funcionários como parte do esforço para diminuir custos e reorganizar as atividades da companhia.
O problema é que os sindicatos questionaram a maneira como as dispensas coletivas foram realizadas.
A CNTC levou a discussão à Justiça do Trabalho argumentando que não houve a necessária intervenção sindical antes dos cortes.
O que a Justiça decidiu sobre os 1.900 funcionários?
A decisão obtida pela representação dos trabalhadores suspendeu provisoriamente os efeitos das dispensas coletivas realizadas pela empresa.
Além de determinar o restabelecimento dos vínculos jurídicos e econômicos dos funcionários abrangidos, a decisão também determinou a retomada dos planos de saúde e demais benefícios assistenciais que haviam sido cancelados em razão das demissões.
A liminar ainda proibiu novas dispensas coletivas vinculadas ao mesmo processo de reestruturação sem a participação prévia das entidades sindicais.
A Casas Bahia já tentou derrubar a decisão outras vezes?
Sim.
A empresa recorreu por diferentes caminhos desde a suspensão das demissões.
Um primeiro mandado de segurança não conseguiu alterar a decisão. Depois, a varejista pediu reconsideração diretamente à 11ª Vara do Trabalho de Brasília, mas também não obteve o resultado desejado.
A empresa apresentou posteriormente outro mandado de segurança ao TRT da 10ª Região e, diante da negativa, entrou com novo recurso.
A disputa chegou ainda ao Tribunal Superior do Trabalho.
Por que o TST entrou na disputa?
A Casas Bahia apresentou uma correição parcial ao TST tentando suspender os efeitos da decisão enquanto o recurso no TRT-10 não fosse julgado.
Em 2 de setembro, porém, o corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro José Roberto Freire Pimenta, rejeitou o pedido.
Na decisão, o TST entendeu que não havia justificativa para interferir no processo por meio daquela medida.
Com isso, a suspensão das demissões continuou valendo.
Então as demissões dos 1.900 funcionários foram anuladas?
Ainda não existe uma decisão definitiva sobre a validade dos desligamentos.
O que existe é uma suspensão provisória dos efeitos das dispensas enquanto a disputa judicial continua.
Na prática, a decisão obriga o restabelecimento provisório dos vínculos e benefícios dos trabalhadores abrangidos, mas a discussão de mérito ainda precisa avançar.
A empresa continua tentando reverter a medida no processo adequado.
O que o STF decidiu sobre demissões coletivas?
A discussão envolve o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 638.
O STF definiu que a intervenção sindical prévia é um requisito para a dispensa em massa de trabalhadores, embora isso não signifique que o sindicato tenha poder de simplesmente autorizar ou vetar os desligamentos.
A exigência está relacionada à necessidade de diálogo e negociação coletiva antes de uma dispensa coletiva.
É justamente esse ponto que está no centro da disputa entre a Casas Bahia e as entidades que representam os trabalhadores.
O sindicato precisa autorizar as demissões?
Não exatamente.
A exigência de intervenção sindical prévia não significa que a empresa precise obter uma autorização formal do sindicato para realizar todos os desligamentos.
O ponto central é a participação sindical e a negociação coletiva antes da dispensa em massa.
Por isso, a discussão judicial não está simplesmente em saber se a Casas Bahia poderia demitir funcionários durante uma reestruturação.
O questionamento envolve principalmente a forma como essas dispensas foram conduzidas.
A Casas Bahia pode fazer novas demissões?
A decisão judicial que suspendeu os cortes também impôs restrições a novas dispensas coletivas relacionadas ao processo de reestruturação sem a intervenção sindical exigida.
Isso não significa que a empresa esteja permanentemente proibida de reorganizar seu quadro de funcionários.
Caso cumpra os requisitos estabelecidos pela jurisprudência do STF e realize a negociação necessária, novas medidas poderão ser discutidas.
Por que a empresa fechou 298 lojas?
O fechamento das lojas faz parte de um processo de reestruturação da varejista.
A Casas Bahia vem tentando reduzir custos, reorganizar sua operação e melhorar sua situação financeira em meio a um cenário de forte endividamento.
O grupo entrou com pedido de recuperação judicial em agosto de 2026, declarando uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões sujeita ao processo.
A redução do número de lojas e funcionários está ligada justamente a essa estratégia de reorganização.
A Casas Bahia está em recuperação judicial?
Sim.
A companhia apresentou pedido de recuperação judicial em agosto, em meio à deterioração de suas contas.
O processo envolve dívidas bilionárias e tem como objetivo permitir uma reorganização financeira para tentar preservar as operações da empresa.
A recuperação judicial, porém, não elimina as obrigações trabalhistas nem permite que a companhia ignore as regras aplicáveis às demissões coletivas.
Quanto a Casas Bahia deve?
O grupo informou cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas no pedido de recuperação judicial.
Levantamentos posteriores apontaram que o passivo total do grupo pode alcançar aproximadamente R$ 28 bilhões quando também são considerados créditos que ficam fora da recuperação judicial.
A diferença ocorre porque nem todas as obrigações possuem o mesmo tratamento dentro do processo de recuperação.
O que aconteceu com os trabalhadores demitidos?
Além da discussão sobre a validade das dispensas, surgiram relatos de dificuldades envolvendo as verbas rescisórias.
Levantamento divulgado pela CNTC reuniu relatos de ex-funcionários que afirmam ter enfrentado problemas para receber valores de rescisão, acessar o FGTS e obter o seguro-desemprego.
A situação aumenta a pressão sobre a empresa justamente enquanto a disputa judicial sobre as demissões continua.
Os trabalhadores tiveram os benefícios restabelecidos?
A liminar determinou o restabelecimento provisório dos vínculos e dos planos de saúde e demais benefícios assistenciais dos trabalhadores abrangidos pelas dispensas.
A medida permanece vinculada ao processo judicial e não representa uma conclusão definitiva sobre o mérito da disputa.
É justamente por isso que a Casas Bahia continua tentando derrubar a decisão.
O que acontece com quem foi demitido?
A situação pode variar conforme o trabalhador esteja abrangido pela decisão judicial e conforme a evolução do processo.
Para os funcionários alcançados pela liminar, a ordem judicial determinou provisoriamente o restabelecimento dos vínculos e benefícios.
Já aqueles que tiveram dificuldades com verbas rescisórias ou outros direitos podem precisar acompanhar a situação dentro do processo de recuperação judicial e das medidas trabalhistas específicas.
O processo pode terminar em acordo?
Sim.
A possibilidade de negociação continua aberta.
A disputa envolve justamente a necessidade de diálogo entre empresa e entidades sindicais, enquanto a Casas Bahia tenta avançar com sua reestruturação financeira.
Um acordo poderia estabelecer condições para a reorganização do quadro de trabalhadores e reduzir parte da disputa judicial.
A recuperação judicial impede demissões?
Não.
Uma empresa em recuperação judicial pode realizar medidas de reestruturação, inclusive mudanças em sua força de trabalho, desde que respeite as regras legais aplicáveis.
No caso das dispensas coletivas, porém, permanece a exigência de intervenção sindical prévia estabelecida pelo STF.
Por isso, a recuperação judicial não elimina automaticamente a discussão trabalhista.
Quantas lojas da Casas Bahia foram fechadas?
A reestruturação mencionada no processo envolveu 298 lojas.
O fechamento das unidades ocorreu junto com a rodada de desligamentos que atingiu aproximadamente 1.900 trabalhadores mencionados nesta disputa específica.
A companhia busca operar com uma estrutura mais enxuta enquanto tenta reorganizar sua situação financeira.
A Casas Bahia pode voltar a demitir esses funcionários?
É possível, dependendo do resultado da disputa e do cumprimento dos requisitos legais.
A liminar não criou uma garantia permanente de emprego para os trabalhadores.
Caso as dispensas coletivas sejam realizadas posteriormente dentro das regras estabelecidas pela Justiça, inclusive com a participação sindical exigida, a empresa poderá voltar a discutir a reorganização do quadro.
A questão atual é que os desligamentos feitos sem a intervenção sindical estão suspensos provisoriamente.
Qual é a próxima etapa do processo?
O recurso apresentado pela Casas Bahia no TRT da 10ª Região ainda precisa ser analisado.
O resultado poderá definir os próximos passos da disputa.
Enquanto isso, a decisão que suspendeu os efeitos das dispensas permanece em vigor, conforme as decisões judiciais já proferidas.
Casas Bahia enfrenta disputa trabalhista em meio à crise financeira
A batalha pelas demissões acontece justamente quando a empresa enfrenta uma das maiores crises de sua história recente.
A recuperação judicial foi apresentada para reorganizar um passivo de bilhões de reais, enquanto a companhia também tenta reduzir despesas e adaptar sua operação.
O grupo anunciou o fechamento de 298 lojas e realizou uma grande rodada de desligamentos.
Agora, a Justiça do Trabalho colocou um obstáculo importante nesse processo: a necessidade de observar a participação sindical nas dispensas coletivas.
O que pode acontecer com os 1.900 funcionários?
Por enquanto, os trabalhadores abrangidos pela decisão permanecem protegidos pela suspensão provisória das demissões.
A empresa, entretanto, continua recorrendo.
O TST já rejeitou a correição parcial utilizada pela Casas Bahia para tentar suspender a decisão por aquela via, mas ainda existe recurso pendente no TRT-10.
Assim, a situação ainda pode mudar conforme o Judiciário avance na análise do caso.
Casas Bahia tenta pela quinta vez, mas disputa ainda não acabou
A Casas Bahia já percorreu diferentes caminhos judiciais para tentar derrubar a decisão que suspendeu as demissões de aproximadamente 1.900 funcionários.
Até agora, as tentativas não conseguiram afastar a liminar. Um mandado de segurança não prosperou, o pedido de reconsideração foi rejeitado, outro recurso não conseguiu suspender imediatamente a decisão e a correição parcial levada ao TST também foi rejeitada.
Enquanto isso, segue valendo a determinação que restabeleceu provisoriamente os vínculos e benefícios dos trabalhadores e impediu novas dispensas coletivas vinculadas à reestruturação sem intervenção sindical prévia.
A situação ocorre em paralelo à recuperação judicial da companhia, que busca reorganizar bilhões de reais em dívidas e opera com uma estrutura menor depois do fechamento de centenas de lojas.
Para os trabalhadores, a disputa ainda representa incerteza: alguns aguardam a definição sobre seus empregos enquanto outros demitidos relatam dificuldades relacionadas a verbas rescisórias, FGTS e seguro-desemprego.
A próxima decisão do TRT-10 será importante para definir o rumo da batalha mas, por enquanto, as demissões seguem suspensas provisoriamente.

