Uma corrida de aplicativo para levar uma passageira com deficiência visual a uma prova de concurso público ganhou um novo rumo quando o motorista Rafael Luiz Sautner percebeu que o endereço indicado terminava em um prédio praticamente vazio.
Em vez de simplesmente encerrar o atendimento no destino informado, ele decidiu verificar o local da avaliação e descobriu que a candidata havia sido levada para o endereço errado.
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O episódio foi relatado pelo próprio motorista e publicado no livro 100 Histórias Inusitadas de Motoristas Uber, de Marlon Luz. A obra reúne histórias de profissionais e identifica Rafael como motorista de Florianópolis, em Santa Catarina.
Na história, intitulada “Com os olhos do coração”, Rafael conta que recebeu uma chamada pelo aplicativo e descobriu, no momento do embarque, que a passageira tinha deficiência visual. Durante o trajeto, ela explicou que um amigo, também cego, havia solicitado o carro para ajudá-la a chegar ao compromisso.
A mulher estava a caminho de uma prova de concurso público da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Durante a conversa, ficou claro para o motorista que ela precisava chegar a um local específico para realizar a avaliação.
A candidata demonstrava entusiasmo com a oportunidade e seguia para a prova em uma manhã de domingo com chuva em Florianópolis.
Falta de candidatos chamou a atenção do motorista
A situação ficou estranha quando o carro chegou ao destino registrado no aplicativo. Rafael encontrou o local praticamente vazio, sem a movimentação que esperava encontrar em um endereço onde aconteceria uma prova de concurso público.
Ele avisou a passageira sobre a ausência de pessoas no local. Ela considerou que talvez tivesse chegado cedo e preferiu permanecer ali para evitar o risco de se atrasar.
Antes de deixar o endereço, Rafael procurou algum sinal de atividade no imóvel. Ao observar o prédio, percebeu uma luz acesa em uma porta entreaberta. Ele ajudou a passageira a desembarcar e a acompanhou até a parte interna.
A mulher foi descrita no relato como independente e bem articulada. Ela afirmou que conseguiria continuar sozinha e poderia permanecer no local.
Naquele momento, a corrida já havia chegado ao destino registrado no aplicativo. Mesmo assim, a falta de movimentação continuou despertando a desconfiança do motorista.
Rafael pediu que a passageira aguardasse enquanto voltava ao carro para pesquisar na internet as informações sobre a prova mencionada durante o trajeto.
Foi então que encontrou uma divergência entre o endereço informado na corrida e o local onde a avaliação seria realizada.
Motorista de aplicativo descobre endereço correto e retoma a viagem
Depois de identificar o endereço correto, Rafael voltou ao imóvel onde havia deixado a passageira. Ele explicou a situação e se ofereceu para levá-la até o verdadeiro local da prova.
Os dois retornaram ao carro e iniciaram um novo deslocamento. A viagem, que poderia ter terminado depois do desembarque no primeiro endereço, continuou para que a candidata chegasse ao compromisso que havia motivado a chamada.
O relato não esclarece por que o endereço incorreto foi informado na solicitação nem quem cometeu o erro. A narrativa apenas estabelece que o ponto indicado estava registrado no aplicativo e que a inconsistência foi percebida depois da chegada.
A conversa durante a primeira parte da corrida foi importante para que Rafael relacionasse a falta de movimento ao possível problema com o destino. Como sabia que a passageira participaria de um concurso, ele estranhou encontrar um imóvel praticamente sem movimentação.
A luz acesa e a porta entreaberta chegaram a indicar que havia alguém no local. Ainda assim, o cenário não foi suficiente para eliminar a dúvida do motorista, que preferiu conferir as informações antes de seguir para outro atendimento.
A condição visual da passageira também fazia parte da dinâmica daquela viagem. O chamado havia sido solicitado por um amigo dela, igualmente cego, e Rafael a auxiliou no desembarque e no acesso ao prédio quando chegaram ao primeiro endereço.
Ela não pediu que ele procurasse outro destino e chegou a dizer que poderia permanecer sozinha. A retomada da corrida aconteceu por iniciativa do motorista, depois que a pesquisa confirmou que o local da prova era diferente.
Rafael precisou retornar ao prédio, reencontrar a candidata, explicar a divergência e então retomar o trajeto.
Durante o segundo deslocamento, a passageira agradeceu pela insistência do motorista. No relato publicado no livro, Rafael afirma que, sem a intervenção, ela perderia a prova. Segundo a história, a mulher também disse que se lembraria dele caso fosse aprovada no concurso.
A narrativa não informa o nome da passageira, qual era o concurso específico, quando a corrida aconteceu nem o resultado obtido por ela na avaliação.
Também não há registro de um contato posterior entre os dois. O último desdobramento contado é a chegada da candidata ao endereço correto depois que Rafael decidiu não encerrar a corrida no primeiro destino.

