Voto em branco realmente vai para o candidato que está ganhando? Entenda a diferença para o voto nulo

Afinal, voto nulo e voto em branco são a mesma coisa? Entenda a diferença, o que acontece com eles e por que nenhum entra nos votos válidos.

A cada eleição, uma dúvida volta a aparecer entre os brasileiros: qual é a diferença entre voto nulo e voto em branco?

Apesar de os dois terem o mesmo efeito na apuração dos votos válidos, a forma como o eleitor chega a cada um deles é diferente.

Na urna eletrônica, o voto em branco acontece quando o eleitor seleciona a opção “Branco” e confirma. Nesse caso, ele não escolhe nenhum candidato ou partido.

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Já o voto nulo ocorre quando o eleitor digita um número que não corresponde a nenhum candidato ou partido e confirma a votação.

Mas existe um detalhe importante que costuma causar confusão.

O que acontece com o voto nulo e o voto em branco?

Os dois são classificados como votos não válidos para a eleição.

Isso significa que tanto os votos nulos quanto os votos em branco não são somados aos votos válidos utilizados para definir o resultado da disputa.

Eles, no entanto, continuam sendo registrados pela Justiça Eleitoral para fins de estatística.

Por isso, a ideia de que votar em branco significa “dar o voto para quem está ganhando”, por exemplo, não corresponde ao funcionamento da apuração eleitoral.

Existe uma diferença entre votar nulo e votar em branco?

Sim.

No voto em branco, o eleitor utiliza a tecla específica da urna para indicar que não deseja escolher nenhum dos candidatos apresentados.

No voto nulo, o eleitor digita um número que não corresponde a uma candidatura válida e confirma.

Na prática, o destino dos dois votos é o mesmo: eles não entram na contagem dos votos válidos.

Há, porém, uma situação que merece atenção: se o número digitado corresponder a uma legenda válida, o voto pode ser direcionado para o partido, conforme as regras da eleição.

E se o eleitor não comparecer para votar?

Aí estamos falando de outra situação: a abstenção.

O eleitor que não comparece à seção eleitoral não registra voto branco nem voto nulo. Ele simplesmente não participa daquela votação.

Nas eleições presidenciais de 2022, por exemplo, o Tribunal Superior Eleitoral registrou mais de 32 milhões de eleitores que não compareceram no segundo turno, o equivalente a 20,59% do eleitorado apto naquele pleito.

Quem deixa de votar e não justifica a ausência dentro do prazo previsto fica sujeito às consequências estabelecidas pela Justiça Eleitoral, incluindo multa.

Voto nulo pode anular uma eleição?

Não.

Essa é uma das confusões mais comuns quando o assunto aparece nas redes sociais.

Como os votos nulos e brancos não são considerados votos válidos, uma grande quantidade deles não significa que a eleição será automaticamente cancelada ou que uma nova votação terá de ser realizada.

A quantidade de votos nulos não funciona dessa maneira.

O resultado da eleição é definido de acordo com os votos válidos, respeitadas as regras específicas de cada cargo e turno.

Quantos votos nulos e brancos houve em 2022?

Os números das últimas eleições presidenciais ajudam a visualizar a diferença.

No segundo turno de 2022, o TSE registrou:

  • 3.930.765 votos nulos, equivalentes a 3,16% dos votos apurados;
  • 1.769.678 votos em branco, equivalentes a 1,43%.

Os números são contabilizados separadamente pela Justiça Eleitoral, mas nenhum dos dois grupos é incorporado aos votos válidos utilizados na definição do resultado.

Afinal, qual é a diferença entre voto nulo, branco e abstenção?

A maneira mais simples de entender é:

  • Voto em branco: o eleitor escolhe a opção “Branco” na urna.
  • Voto nulo: o eleitor digita um número que não corresponde a uma candidatura válida.
  • Abstenção: o eleitor não comparece para votar.

Portanto, embora os três conceitos apareçam frequentemente juntos nas discussões sobre eleições, eles representam situações diferentes.

A Justiça Eleitoral mantém um Glossário Eleitoral com centenas de termos relacionados ao processo eleitoral brasileiro, justamente para facilitar a compreensão de expressões que aparecem durante as eleições.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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